Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Pearl Harbor: isso não é uma correção, é um bear market

A mensagem que gostaria de transmitir é que o comportamento dos mercados desde fevereiro não é uma simples correção. É um bear market. E isso muda tudo.

6 de abril de 2020
10:38 - atualizado às 13:27
Bear market bolsa Ibovespa crise
Imagem: Shutterstock

Você vai estar empregado daqui a dois meses? Ah, entendo. Você é um empresário. Então, seu negócio estará aberto em julho? Se sim, vendendo quanto? Como estarão seus gastos pessoais ali na frente? Se, por alguma razão ainda desconhecida, as coisas ficarem piores, você estará preparado? Como ficaria seu patrimônio diante da potencial materialização de um quadro mais negativo?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Quando ouço coisas como “os EUA viverão seu momento Pearl Harbor do século 21” ou “as próximas semanas serão muito duras em termos de mortes”, ou mesmo quando leio sobre o fechamento de 700 mil postos de trabalho norte-americano contra uma expectativa de 100 mil e sobre 9,9 milhões de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA em duas semanas, penso que as perguntas pertinentes para o momento são as colocadas acima.

Ao observar certos comportamentos e estatísticas, porém, infiro que as preocupações — ou, ao menos, boa parte delas — são de outra natureza: as pessoas ainda estão focadas em rapidamente capturar a primeira oportunidade que aparece e multiplicar seu capital com algum atalho que lhes foi apresentado.

Essa dinâmica ganha contornos mais marcados em dias positivos para as Bolsas mundiais, como — ao menos até agora (e essa tem sido uma ressalva importante diante de tanta volatilidade) — parece ser esta segunda-feira. Interpretações sobre uma suposta superação da crise e uma iminente supervalorização do preço dos ativos começam a pipocar, a partir do primeiro dado favorável.

Não quero aqui diminuir a importância dos dados do fim de semana. A situação mais delicada na Europa começa a ser superada, e Nova York emitiu o primeiro sinal favorável, com diminuição notável do número de mortes no domingo. Contudo, há muitas adversidades ainda sobre a mesa e precisamos ponderar mais pesadamente sobre a possibilidade de materialização de um cenário mais negativo. Sabe por quê? Porque se vier o cenário positivo, então estaremos tautologicamente em situação positiva — ninguém precisa estar preparado para uma surpresa boa. É assimétrico, entende?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Deixe-me tentar colocar as coisas sob outro ângulo. A mensagem que gostaria de transmitir é que o comportamento dos mercados desde fevereiro não é uma simples correção. É um bear market. E isso muda tudo.

Leia Também

Como em “O Sonho de Cassandra”, de Woody Allen, também gostaria de estarmos todos num barco velho que nos levasse aos dias felizes de uma juventude longínqua e, infelizmente, superada. Com certo desgosto, não sei se vendo um momento Pearl Harbor ou a guerra de Troia, suspeito ser o portador de más notícias. Como a Cassandra original, incorro no risco de ser desacreditado e considerado louco, mas entendo que muitos analistas, gestores e investidores ainda estão em “denial mode”, querendo uma rápida e vertiginosa recuperação que não combina com comportamentos típicos de bear market — confesso um gosto amargo na boca quando soube do crescimento de 15% do número de pessoas físicas em março na base de cadastros da B3, para 2,24 milhões; são investidores que chegam numa hora muito dura, com extrema volatilidade e que, possivelmente, foram atraídos por um discurso de “oportunidade por barganhas”.

Na Folha, ontem, li um raciocínio tão simplista quanto: “segundo a Global Chief Investment Officer (CIO) do HSBC, Joanna Munro, em entrevista para o Financial Times nesta semana, a recuperação dos preços máximos anteriores demora cerca de duas vezes o tempo do declínio na crise. Como ela afirma, se isto se mantiver, podemos ver os preços voltando, ao patamar anterior, em menos de seis meses”.

Existem dois problemas óbvios com a construção. O primeiro é que a estatística em questão é construída para a média das recuperações — e pode sempre haver uma enorme dispersão em torno da média. Mas o pior sinceramente não é isso. Poderíamos até esquecer esse ponto. A questão central é que se parte de uma premissa de que o mercado já fez seu fundo. E isso não encontra qualquer sustentação epistemológica. Só conhecemos fundos de movimentos já realizados no passado; jamais podemos afirmar que os mercados já fizeram suas mínimas diante de um movimento ainda em construção. A História está sendo vivida.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Com efeito, se essa História não se repete, mas rima, como afirma Mark Twain, podemos (e devemos) viver novos fundos. Na recessão de 2000-01, por exemplo, antes de fazer sua “verdadeira mínima”, os índices de ações norte-americanos passaram por quatro altas superiores a 20%. Em 2008-09, a Lehman quebrou em 15 de setembro e o mercado só foi fazer um fundo em março do ano seguinte. 

Afirmar que o mercado já fez um fundo é uma mera torcida, sem qualquer validade empírica ou mesmo da lógica. Nós não sabemos e precisaremos esperar para saber, só o benefício da retrospectiva poderá resolver essa questão. Há vários analistas, inclusive, alertando para a possibilidade de o S&P 500 fazer novos fundos no mês de abril, beliscando os 2.000 pontos — a Goldman Sachs tem sido bastante vocal nessa direção, André Esteves falou algo assim no papo comigo na sexta-feira, o Citi lembrou da regra de bolso sobre ações que acompanham a evolução dos lucros corporativos (enquanto projeta uma queda de lucros de 50%; ou seja, ainda teria bom espaço para desvalorização do S&P 500).


Há duas grandes ondas na crise atual. A primeira é humanitária, de saúde. Ainda que a curva de mortes pareça ter superado sua situação mais grave, há muitas dúvidas sobre sua volta. Em Nova York, tivemos um único dia de queda de mortes — infelizmente, um dado numa amostra não quer dizer muita coisa e, para desespero dos ansiosos, precisaremos de mais informação antes de pularmos diretamente para as conclusões (ainda que seja uma tendência enorme, queremos concluir antecipadamente sobre as coisas; a paciência é uma virtude).

A segunda é econômica e, sobre essa, temos pouca informação ainda sobre a profundidade e a extensão do problema, bem como sobre a forma de sua recuperação lá na frente. Com efeito, os poucos números disponíveis até agora foram alarmantes. Por conta do tuíte sobre o petróleo do jornalista especializado em furos Donald Trump, acabamos deixando o Initial Claims em segundo plano na quinta-feira passada, mas foram 6,6 milhões de pedidos de auxílio-desemprego numa única semana, muito além da pior estimativa. Na sexta, veio outra porrada com o Relatório de Emprego, que nem pegou ainda em cheio os dados da crise. Na esteira, os analistas do Morgan Stanley, que já estavam entre os pessimistas ao prever uma redução trimestral do PIB dos EUA de 30%, atualizaram sua projeção para uma queda de 38%.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Isso é absolutamente brutal e, no meu entendimento, engana-se quem projeta uma recuperação rápida, porque houve, de fato, uma destruição enorme de valor intrínseco propriamente dito. Muitos hábitos de consumo serão simplesmente postergados, mas outros mudarão mesmo, de forma definitiva e estrutural, com várias pequenas e médias empresas ficando pelo caminho.

Se esse for mesmo um bear market típico, teremos superada essa fase inicial de volatilidade mais aguda — dificilmente teremos altas e baixas como aquelas de 10% na sequência. A parte de ajuste agudo nos portfólios e de desalavancagem já aconteceu, evitando-se problemas maiores a partir da importante atuação dos bancos centrais e Tesouros Nacionais. Agora, iniciaremos um segundo momento, em que as notícias sobre economia e lucros corporativos passam a dominar os movimentos, com o enfrentamento de uma dura realidade. Em sendo essa a verdade, o jeito de se operar bear markets é aproveitar as altas para fazer novas vendas, e não encará-las como o início de uma tendência positiva vigorosa. 

Eu, como Riobaldo, “ave, vi de tudo neste mundo! Já vi até cavalo com soluço — o que é a coisa mais custosa que há”. Mas bear market que não testa ao menos duas vezes o fundo ainda não vi. O jogo é longo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os recados do Copom e do Fed, a derrota do governo no STF, a nova cara da Natura, e o que mais você precisa saber

30 de abril de 2026 - 8:40

Entenda como a Natura rejuvenesceu seu negócio, quais os recados tanto do Copom quanto do Fed na decisão dos juros e o que mais afeta o seu bolso hoje

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Nada como uma Super Quarta depois da outra 

29 de abril de 2026 - 17:30

Corte já está precificado, mas guerra, petróleo e eleições podem mudar o rumo da política monetária

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A Selic e a expectativa para o futuro, resultados da Vale (VALE3) e Santander (SANB11) e o que mais move os mercados hoje

29 de abril de 2026 - 8:25

Entenda por que a definição da Selic e dos juros nos EUA de hoje é tão complicada, diante das incertezas com a guerra e a inflação

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A Super Quarta no meio da guerra entre EUA e Irã, os resultados da Vale (VALE3), e o que mais move os mercados hoje

28 de abril de 2026 - 8:20

A guerra no Irã pode obrigar a Europa a fazer um racionamento de energia e encarecer alimentos em todo o mundo, com aumento dos preços de combustíveis e fertilizantes

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Super Quarta em meio ao caos da guerra: Copom e Fed sob a sombra de Ormuz

28 de abril de 2026 - 7:38

Guerras modernas raramente ficam restritas ao campo militar. Elas se espalham por preços, cadeias produtivas, inflação, juros e estabilidade institucional

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A maratona dos bancos brasileiros, Super Quarta, e o que mais esperar dos mercados nesta semana

27 de abril de 2026 - 8:09

Entenda o que esperar dos resultados dos maiores bancos brasileiros no 1T26; investidores estarão focados nos números que mais sofrem em ciclos de crédito mais apertado e juros maiores

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

Fogo na cozinha de Milei: Guia Michelin e o impasse da alta gastronomia na Argentina

25 de abril de 2026 - 9:01

Governo federal corta apoio a premiação internacional e engrossa caldo do debate sobre validade do Guia Michelin

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A disputa pelos precatórios da Sanepar (SAPR11), as maiores franquias do Brasil, e o que mais você precisa saber hoje

24 de abril de 2026 - 8:50

Mesmo sem saber se o valor recebido em precatórios pela Sanepar será ou não, há bons motivos para investir na ação, segundo o colunista Ruy Hungria

SEXTOU COM O RUY

Amantes de dividendos: Sanepar (SAPR11) reage com chance de pagamento extraordinário, mas atratividade vai muito além

24 de abril de 2026 - 6:01

A Sanepar não é a empresa de saneamento mais eficiente do país, é verdade, mas negocia por múltiplos descontados, com possibilidade de início de discussões sobre privatização em breve e, quem sabe, uma decisão favorável envolvendo precatório

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como imitar os multimilionários, resultados corporativos e o que mais move os mercados hoje

23 de abril de 2026 - 8:36

Aprenda quais são as estratégias dos ricaços que você pode copiar e ganhar mais confiança na gestão do seu patrimônio

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Lições da história recente sobre sorrir ou chorar no drawdown

22 de abril de 2026 - 20:00

O mercado voltou a ignorar riscos? Entenda por que os drawdowns têm sido cada vez mais curtos — e o que isso significa para o investidor

ALÉM DO CDB

Teste na renda fixa: o que a virada de maré no mercado de crédito privado representa para o investidor; é para se preocupar?

22 de abril de 2026 - 19:31

Alta nos prêmios de risco, queda nos preços dos títulos e resgates dos fundos marcaram o mês de março, mas isso não indica deterioração estrutural do crédito

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O que atrapalha o sono da Tenda (TEND3), o cessar-fogo nos mercados, e o que mais você precisa saber hoje 

22 de abril de 2026 - 8:31

Entenda por que a Alea afeta o balanço da construtora voltada à baixa renda, e saiba o que esperar dos mercados hoje

INSIGTHS ASSIMÉTRICOS

A estratégia vencedora em um cessar-fogo que existe e não existe ao mesmo tempo

21 de abril de 2026 - 9:30

Mesmo que a guerra acabe, o mundo atravessa um período marcado por fragmentação e reorganização das cadeias globais de suprimento, mas existe uma forma simples e eficiente de acessar o que venho chamando de investimento “quase obrigatório” em tempos de conflito

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O poder dos naming rights, impasse no Estreito de Ormuz continua e pressiona economia, e o que mais você deve ficar de olho hoje

20 de abril de 2026 - 8:56

O Nubank arrematou recentemente o direito de nomear a arena do Palmeiras e mostra como estratégia de marketing continua sendo utilizada por empresas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As aventuras de Mark Mobius, os proventos da Petrobras (PETR4), resultados da Vale (VALE3), e o que mais você precisa saber hoje

17 de abril de 2026 - 8:13

Conheça a intensa biografia de Mark Mobius, pioneiro em investimentos em países emergentes, e entenda quais oportunidades ainda existem nesses mercados

SEXTOU COM O RUY

A ironia do destino de Mark Mobius: o rali histórico de emergentes que o ‘pai dos emergentes’ não terá chance de ver

17 de abril de 2026 - 6:07

Ainda não me arrisco a dizer que estamos entrando em um rali histórico para os mercados emergentes. Mas arrisco dizer que, esteja onde estiver, Mobius deve estar animado com as perspectivas para os ativos brasileiros.

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As incertezas nos balanços do 1T26, dólar a R$ 4,90, resultado da Vale (VALE3), e o que mais esperar dos mercados hoje

16 de abril de 2026 - 8:12

Com transformações e mudanças de tese cada vez mais rápidas, entenda o que esperar dos resultados das empresas no primeiro trimestre de 2026

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Ibovespa — matando a sede com a metade cheia do copo 

15 de abril de 2026 - 20:00

Com a desvalorização do dólar e a entrada de gringos na bolsa brasileira, o Ibovespa ganha força. Ainda há espaço para subir?

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A invasão gringa nos FIIs, a relação entre economia e eleições, e o que move os mercados hoje

15 de abril de 2026 - 8:29

Entenda como a entrada de capital estrangeiro nos FIIs pode ajudar os cotistas locais, e como investir por meio de ETFs

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia