O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
Quando Jack Schwager se encaminhava para o final da entrevista com Gary Bielfeldt para o livro “Market Wizards”, ele foi subitamente interrompido. Bielfeldt pediu para Jack desligar o gravador.
Ele gostaria de falar sobre a relevância e a aplicabilidade das estratégias do pôquer para o trading, mas não queria contribuir para a imagem dessa prática como alguma forma de aposta ou jogo. Schwager, no entanto, achou a analogia especialmente apropriada e conseguiu manter o diálogo “on the records”.
Ficou mais ou menos assim, na minha péssima tradução livre:
“Eu aprendi a jogar pôquer muito jovem. Meu pai me ensinou a jogar a partir das probabilidades de vitória, calculando as porcentagens. Você não participa de todas as rodadas e não joga até a última carta necessariamente, porque se você o fizer, você terá uma probabilidade muito maior de perder. Você deve jogar apenas as mãos boas, e desistir das mãos ruins, admitindo perder aquela aposta. Quando mais cartas estão na mesa e você tem uma mão muito forte — em outras palavras, quando nota que as probabilidades estão a seu favor — você aumenta a aposta e vai até o talo.
Se você aplica os mesmos princípios do pôquer para o trading, você aumenta significativamente suas chances de vitória. Eu sempre procurei me manter paciente esperando pelo trade certo, da mesma forma com que você espera por uma mão boa no pôquer. Se um trade não parece bom o suficiente, você sai fora e afere apenas uma pequena perda. Em contrapartida, quando as porcentagens estão bastante a seu favor, você deve ser agressivo e agir como se tivesse uma mão muito boa no pôquer.”
O ponto aqui, claro, não é a associação do trading ou do investimento com jogo ou aposta. Ao contrário até. Como explica Robert Rubin, o investimento, quando bem feito, na verdade tem uma conotação literalmente oposta àquela de uma ida ao cassino, porque as probabilidades ficam a seu favor, não a favor da banca.
Leia Também
Há duas lições fundamentais nessa analogia. A primeira é a necessidade de se aplicar um pensamento probabilístico ao investimento e ao trading. Não se trata de um ambiente de certezas e resultados futuros que possam ser antecipados concretamente. São situações probabilísticas e é assim que você deve encará-las.
Ou seja, o risco, a probabilidade de não dar certo ou de algo não correr conforme o esperado, faz parte do processo — a ideia é ser agressivo quando o risco de perda é baixo e o potencial de ganho é grande, maximizando suas chances de sucesso.
Decorre daí a segunda lição: erros e perdas fazem parte do jogo. Você não vai ganhar todas. Precisa se acostumar com isso. O segredo está em saber reconhecer quando se deve sair ou não participar, perdendo pouco, e ser agressivo quando as chances estão muito a seu favor. Lembrando George Soros, precisamos respeitar o mercado e admitirmos que ele está certo na maior parte do tempo; nas raras vezes, porém, em que estivermos diante de um diferencial, havemos de ir na jugular.
Quando você abandona a obsessão pelas certezas e admite estar vivendo num universo de probabilidades, está diante de um novo paradigma, de mentalidade e de resultados práticos. Essa, para mim, é a principal mensagem do livro “Market Wizards” — se eu posso tirar uma coisa boa desta Covid é o quanto estou podendo ler. Neste caso, reler, mas cada leitura, para mim, é como se fosse a primeira.
Eu tinha me esquecido, por exemplo, do quanto simpatizo com as ideias do Paul Tudor Jones. A certa altura, ele enfatiza algo muito simples, mas por vezes destruidor ao investidor, que se apega excessivamente aos seus preços de entrada num determinado ativo.
“Nunca procure fazer preço médio. Diminua seu volume de trading se você está numa sequência perdedora; aumente se você está indo bem. Nunca trade em situações em que você não tem controle. Por exemplo, não assuma riscos significativos às vésperas da divulgação de relatórios importantes, porque isso é aposta, não é trading.
Se você tem uma posição perdedora que está lhe causando desconforto, a solução é muito simples: saia fora, porque você sempre pode voltar se quiser. Não há nada melhor do que um recomeço renovado.
Não fique preocupado com o nível em que você entrou naquela posição. A única questão relevante é se você está otimista ou pessimista com a posição daquele dia para frente. Sempre pense em seu preço de entrada como sendo o preço do fechamento da véspera. Traders novatos sempre me perguntam ‘você está comprado ou vendido?’. Se eu estou comprado ou vendido, não deveria fazer diferença sobre a opinião dele sobre o mercado. Na sequência, eles questionam, assumindo que eu esteja comprado ‘desde qual preço você está comprado?’. Quem se importa desde qual preço estou comprado? O relevante é que estou comprado agora, achando que vai subir a partir do atual preço. O preço de entrada não tem importância sobre meu otimismo ou pessimismo a partir de agora, ou sobre o balanço de risco e retorno naquele momento.
(…)
Não seja um herói. Não tenha um ego. Sempre questione a si mesmo e sua habilidade. Nunca sinta que você é muito bom. No segundo em que você achar isso, você vai estar morto.”
Paul Tudor Jones, um dos maiores traders de todos os tempos, nunca se achou muito bom. Os day traders da quarentena estão convencidos de que são ótimos. Acho que podemos parar por aqui.
P.S.: Gostaria de convidá-lo para ouvir nosso podcast Empiricus Puro Malte. É um projeto super novo e já está entre os podcasts de negócios mais ouvidos do Brasil. Neste episódio, contamos um pouco dos bastidores da Empiricus, passando pelo nosso marketing, falamos de arrogância no mercado financeiro e falamos sobre investimentos, claro. Se puder ouvir e nos mandar feedbacks em puromalte@empiricus.com.br , ficaríamos muito felizes.


Entre previsões frustradas, petróleo volátil e incerteza global, investidores são forçados a conviver com dois cenários opostos ao mesmo tempo
Na seleção da Ação do Mês, análise mensal feita pelo Seu Dinheiro com 12 bancos e corretoras, os setores mais perenes e robustos aparecem com frequência
Veja como deve ficar o ciclo de corte de juros enquanto não há perspectiva de melhora no cenário internacional
O quadro que se desenha é de um ambiente mais complexo e menos previsível, em que o choque externo, via petróleo e tensões geopolíticas, se soma a fragilidades domésticas
Odontoprev divulga seu primeiro balanço após a reorganização e apresenta a BradSaúde em números ao mercado; confira o que esperar e o que mais move a bolsa de valores hoje
Fiagros demandam atenção, principalmente após início da guerra no Irã, e entre os FIIs de papel, preferência deve ser pelo crédito de menor risco
Na abertura do livro O Paladar Não Retrocede, Carlos Ferreirinha, o guru brasileiro do marketing de luxo, usa o automobilismo para explicar como alto padrão molda nossos hábitos. “Após dirigir um carro automático com ar-condicionado e direção hidráulica, ninguém sente falta da manivela para abrir a janela.” Da manivela, talvez não. Mas do torque de um supercarro, […]
Para ser rico, o segredo está em não depender de um salário. Por maior que ele seja, não traz segurança financeira. Veja os cálculos para chegar lá
Para isso, a primeira lição é saber que é preciso ter paciência pois, assim como acontece na vida real (ou deveria acontecer, pelo menos), ninguém começa a carreira como diretor
Entenda como a Natura rejuvenesceu seu negócio, quais os recados tanto do Copom quanto do Fed na decisão dos juros e o que mais afeta o seu bolso hoje
Corte já está precificado, mas guerra, petróleo e eleições podem mudar o rumo da política monetária
Entenda por que a definição da Selic e dos juros nos EUA de hoje é tão complicada, diante das incertezas com a guerra e a inflação
A guerra no Irã pode obrigar a Europa a fazer um racionamento de energia e encarecer alimentos em todo o mundo, com aumento dos preços de combustíveis e fertilizantes
Guerras modernas raramente ficam restritas ao campo militar. Elas se espalham por preços, cadeias produtivas, inflação, juros e estabilidade institucional
Entenda o que esperar dos resultados dos maiores bancos brasileiros no 1T26; investidores estarão focados nos números que mais sofrem em ciclos de crédito mais apertado e juros maiores
Governo federal corta apoio a premiação internacional e engrossa caldo do debate sobre validade do Guia Michelin
Mesmo sem saber se o valor recebido em precatórios pela Sanepar será ou não, há bons motivos para investir na ação, segundo o colunista Ruy Hungria
A Sanepar não é a empresa de saneamento mais eficiente do país, é verdade, mas negocia por múltiplos descontados, com possibilidade de início de discussões sobre privatização em breve e, quem sabe, uma decisão favorável envolvendo precatório
Aprenda quais são as estratégias dos ricaços que você pode copiar e ganhar mais confiança na gestão do seu patrimônio
O mercado voltou a ignorar riscos? Entenda por que os drawdowns têm sido cada vez mais curtos — e o que isso significa para o investidor