Lá vem ele de novo! Risco fiscal traz cautela, faz Ibovespa fechar na mínima e leva dólar a R$ 5,64
Puxado por bancos e Petrobras, índice voltou a se descolar de Nova York. Nem apetite global aliviou para o real, que viu a moeda americana se apreciar mais uma vez

Se Galvão Bueno narrasse o dia a dia dos mercados financeiros do Brasil atualmente, é bem possível que utilizasse a expressão "Lá vem ele de novo!" com frequência.
Neste caso, seria em referência ao risco fiscal.
Se você bem se lembra (talvez não queira, afinal é duro falar disso), o grande narrador já mandou um "Lá vêm eles de novo!" — seguido de um "Olha só que absurdo!" — em histórica transmissão de uma partida da seleção brasileira de futebol: ocorreu momentos antes do quinto gol da Alemanha na fatídica semifinal da Copa de 2014.
Hoje não foi um dia de 7 a 1 — nem perto disso, sendo bem honesto. Afinal, o principal índice acionário da B3 fechou em baixa menor que 1%, de 0,75%, aos 98.309,12 pontos, na mínima do dia, em meio a sinais mistos das bolsas americanas.
Inclusive, a semana foi positiva para o principal índice acionário da B3, que marcou alta de 0,85% no período.
Mas a verdade é que, no momento atual do mercado financeiro, o risco fiscal está para uma Alemanha, trazendo repetidas vezes um balde de água fria sobre os investidores, e o mercado está mais para o Brasil, à mercê do último golpe desse adversário difícil de domar.
Leia Também
Ambev (ABEV3) desbanca gigantes como a ação mais negociada da B3 por um grupo de investidores; descubra qual
Sob os efeitos dessa incerteza, enquanto as bolsas americanas se recuperaram das perdas do ano, o Ibovespa ainda acumula baixa de 15% em 2020.
Hoje, o tema voltou fiscal a pesar no ambiente, com a renovada incerteza sobre o risco de insolvência do país.
A notícia de que dívida do Tesouro Nacional a vencer entre janeiro e abril de 2021 soma R$ 643 bilhões, valor maior que o dobro da média dos últimos cinco anos, equivalente a 15,4% da dívida interna brasileira, segundo o Broadcast, afetou o humor.
Além do mais, ontem o Tesouro colocou apenas 40% do lote ofertado de títulos atrelados à Selic com prazo mais curto, o que alimentou a percepção de crescente risco fiscal.
"Por aqui, pesou tanto na bolsa quanto no câmbio essa dificuldade do Tesouro de rolar a dívida", diz Roberto Padovani, economista do banco BV. "Basicamente é o tema fiscal fazendo com que o nosso desempenho seja pior que o do resto do mundo."
O índice hoje também puxado por algumas empresas de peso em sua composição. As ações ordinárias (ON) e preferenciais (PN) da Petrobras caíram 2,48% e 2,13%, seguindo a queda do preço do contrato de petróleo tipo Brent, barril de referência para a estatal, no mercado internacional.
Enquanto isso, todas as ações de bancos também recuam no índice, contribuindo para o desempenho negativo do Ibovespa hoje.
"É um movimento de realização de alguns papéis relevantes", diz Henrique Esteter, analista de ações da Guide Investimentos. "Petrobras pesa com queda do petróleo."
Em outubro, o Ibovespa registra avanço superior aos 4%.
O fechamento de hoje manteve o Ibovespa no patamar de 98 mil pontos, continuando a remar para tentar voltar ao patamar psicológico de 100 mil. Os repórteres Julia Wiltgen e Ricardo Gozzi discutiram no podcast do Seu Dinheiro os riscos e oportunidades no radar do investidor. É só dar play para conferir.
Top 5
Braskem e Suzano foram os destaques de alta de hoje. A petroquímica tem visto uma continuidade dos movimentos de recuperação da região degrada no Alagoas e a entrada da empresa em um setor mais tecnológico que tem potencial de trazer produção para o mercado brasileiro, segundo Igor Cavaca, analista da Warren.
"A alta da Suzano está refletindo expectativas do mercado com relação aos resultados financeiros que serão publicados na próxima semana", diz Cavaca. "Temos continuidade de um ambiente favorável para a empresa, com dólar mais depreciado e com a celulose figurando entre os principais produtos exportados."
Confira as principais altas do dia no Ibovespa:
| CÓDIGO | EMPRESA | PREÇO | VARIAÇÃO |
| BRKM5 | Braskem PNA | R$ 22,34 | 5,58% |
| SUZB3 | Suzano ON | R$ 50,59 | 4,61% |
| USIM5 | Usiminas PNA | R$ 11,32 | 4,33% |
| KLBN11 | Klabin units | R$ 25,81 | 3,99% |
| JBSS3 | JBS ON | R$ 23,20 | 3,57% |
Um dos bancões, os papéis do Santander Brasil foram a quinta maior queda percentual de hoje. Nenhuma ação dessas instituições encerrou a sessão com ganhos hoje.
As incertezas sobre a questão fiscal no Brasil, bem como a falta de estímulos nos Estados Unidos e a nova onda de covid-19 na Europa pesaram para essas empresas. "Esses fatores podem enfraquecer as economias e os bancos podem sofrer por um prazo maior do que se estima hoje, principalmente com aumento da inadimplência e consequente impacto negativo sobre seus resultados", diz Paloma Brum, analista da Toro Investimentos.
Enquanto isso, as ações de Cogna e Yduqs, do setor de educação, foram as piores performances do dia, sofrendo pelos riscos de inadimplência e de evasão de alunos diante de aumento do desemprego e queda na renda média das famílias no Brasil e a persistência da covid, diz Brum.
Veja as maiores quedas do dia:
| CÓDIGO | EMPRESA | PREÇO | VARIAÇÃO |
| COGN3 | Cogna ON | R$ 4,83 | -4,17% |
| YDUQ3 | Yduqs ON | R$ 25,81 | -3,30% |
| SANB11 | Santander Brasil units | R$ 30,71 | -3,12% |
| GNDI3 | NotreDame Intermédica ON | R$ 65,03 | -3,04% |
| IRBR3 | IRB Brasil ON | R$ 6,79 | -3,00% |
Bolsas americanas mistas
As bolsas de Nova York abriram em alta, ensaiando recuperação das perdas de ontem, após três dias seguidos de queda.
A notícia de que a farmacêutica Pfizer pode solicitar autorização para uso emergencial da sua vacina contra a covid-19 até o fim de novembro, desde que receba dados de eficácia e segurança de testes em humanos em estágio final, foi um fator que impulsionou a sessão cedo.
Outra boa notícia veio da Boeing, cujas ações saltaram mais de 2,5% depois que a principal agência reguladora da aviação da Europa sugeriu que o 737 Max estará seguro para voar novamente na região antes do final do ano, de acordo com uma entrevista do diretor da agência à Bloomberg.
Os dados de vendas no varejo nos Estados Unidos em setembro também foram outro motor positivo para o apetite ao risco. O dado apresentou alta de 1,9% em relação a agosto. A previsão do mercado era de alta de 0,8%, segundo dados da Bloomberg.
Já os dados de produção industrial decepcionaram. Houve queda de 0,6% em setembro, ante um consenso de mercado de alta de 0,5% — a primeira queda em cinco meses.
As bolsas americanas ampliaram os ganhos após a divulgação do dado de confiança do consumidor nos EUA em outubro. Na leitura preliminar, o índice subiu a 81,2, ante projeção de 80,5.
Eventualmente, no entanto, os principais índices de lá perderam força, e terminaram emitindo sinais mistos. O Dow Jones subiu 0,39%, o S&P 500 ficou muito perto do zero a zero, com avanço de 0,01% e o Nasdaq perdeu 0,36%.
As preocupações que pairam sobre os investidores, aqui e lá fora, e que impedem que o Ibovespa chegue aos 100 mil pontos permanecem basicamente as mesmas: os avanços da segunda onda de covid-19 na Europa e o impasse nas negociações para a aprovação de um novo pacote fiscal nos EUA.
O líder da maioria no Senado, o republicano Mitch McConell, rompeu ontem com a Casa Branca e disse que faria com que a Casa na próxima semana assumisse uma proposta de cerca de US$ 500 bilhões — ou menos de um quarto do tamanho da proposta que os democratas da Câmara apresentaram no início deste mês —, nublando ainda mais o cenário para um eventual acordo.
Dólar avança
Depois de operar perto da estabilidade por boa parte da manhã, o dólar à vista se firmou em terreno positivo e encerrou a sessão em alta de 0,34%, a R$ 5,6435.
Na máxima, a divisa americana subiu 0,41%, para R$ 5,6475.
O Dollar Index (DXY), índice que compara o dólar a uma cesta de moedas como euro, libra e iene, no entanto, se desvaloriza 0,18% agora.
"A injeção de estímulos monetários e fiscais faz o dólar se depreciar em relação a outras moedas fortes, mas em comparação ao real o que pesa mais no curto prazo é o risco fiscal doméstico e o ruído político", diz Mauro Morelli, estrategista da Davos Investimentos, escritório filiado à XP Investimentos. "Essa questão do megavencimento pesa aqui."
Juros sobem
Por aqui, as preocupações se dão em relação ao risco fiscal, refletindo a dificuldade do Tesouro de rolar a dívida, a indefinição quanto ao Renda Brasil e o futuro do auxílio emergencial. Neste contexto, há o risco de uma elevação de juros, por conta da pressão do mercado sobre as taxas de curto prazo.
A inflação também gera cautela. O mercado teme que a alta de preços no atacado comece a contaminar a inflação ao consumidor, o que também contribuiria para uma elevação de juros.
Mais cedo saiu o Índice Geral de Preços-10 (IGP-10), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que marcou 3,20% em outubro. O resultado veio acima do teto das estimativas dos analistas ouvidos pelo Broadcast, que esperavam um índice entre 1,72% e 3,02%, com mediana positiva de 2,67%.
Já o Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) foi de 1,01%, abaixo da estimativa da Bloomberg, de 1,12%.
Os juros futuros fecharam em alta nesta sexta. Segundo Paulo Nepomuceno, operador de renda fixa da Terra Investimentos, o que está em jogo na curva das taxas futuras é a atual política de juros baixos do Banco Central.
"O pilar dessa política era a ancoragem da inflação e a política fiscal restritiva. Mas ambos os pilares estão sendo questionados", diz ele, em referência ao déficit fiscal primário e a leve alta da inflação.
"Com tudo isso, o mercado quer mais prêmio. É natural esse movimento de alta na curva", afirma Nepomuceno.
Confira as taxas de fechamento dos principais vencimentos:
- Janeiro/2021: de 1,970% para 1,976%
- Janeiro/2022: de 3,29% para 3,40%
- Janeiro/2023: de 4,65% para 4,77%
- Janeiro/2025: de 6,54% para 6,63%.
RECOMENDAÇÃO NEUTRA
UBS BB passa a tesoura no preço-alvo de Santander (SANB11) e desiste da recomendação de olho em OPA; o que aconteceu?
24 de agosto de 2026 - 15:22DESTAQUES DA BOLSA
Casamento à vista? Yduqs (YDUQ3) dispara 12% após confirmar conversas com dona da Afya (AFYA) para combinação de negócios
24 de agosto de 2026 - 11:27EM MEIO A UM "VALE DE DESEMPENHO"
Após o ‘maior erro de sua história’, Squadra coloca Meli (MELI34) e Nubank (ROXO34) entre as maiores apostas e vê oportunidades ignoradas pelo mercado
24 de agosto de 2026 - 11:07CARTEIRA SEMANAL
Quer ganhar do Ibovespa? Terra aposta em WEG (WEGE3), MBRF (MBRF3) e mais 3 ações nesta semana
23 de agosto de 2026 - 15:30SOB PRESSÃO
TRXF11 está dando um passo maior que a perna? CEO responde, mas mercado não compra e cota cai mais de 9% nesta semana
22 de agosto de 2026 - 14:33SOBE E DESCE
Ibovespa engata 3ª semana de sangria, e Hapvida (HAPV3) despenca de novo; veja quais ações sobreviveram
22 de agosto de 2026 - 12:11PIOR DO RANKING
Do topo ao poço da América Latina: Ibovespa perde o encanto e entra na lanterna dos gringos
21 de agosto de 2026 - 19:33ADEUS, ESTRANGEIRO
UBS vê exagero no medo dos juros nos EUA, mas alerta: Brasil está entre os mercados mais vulneráveis
21 de agosto de 2026 - 18:31BOTA CASACO, TIRA CASACO
Hapvida (HAPV3) convence ANS e consegue derrubar trava sobre reajustes — mas agência ficará de olho
21 de agosto de 2026 - 18:02AÇÕES PARA COMPRAR AGORA
As melhores oportunidades desde a crise Dilma: após a bolsa perder o equivalente a uma Vale (VALE3), gestor revela onde investir
21 de agosto de 2026 - 17:17Conteúdo BTG Pactual
FI-Infra: Conheça classe de ativos e saiba se vale a pena investir agora
21 de agosto de 2026 - 16:00TOUROS E URSOS #284
Até os gênios da Faria Lima desistiram? Por que a crise dos multimercados não é o fim da indústria
20 de agosto de 2026 - 19:02CORRIDA DO OURO
Novo tesouro? Quem é a desconhecida Amapá Minerals, mineradora de ouro que conquistou o BTG Pactual e pode saltar 62%
20 de agosto de 2026 - 18:01PENTE-FINO
Hapvida (HAPV3) ganha novo problema: ANS barra estratégia que coloca 950 mil clientes na mira e ações caem mais de 7%
20 de agosto de 2026 - 17:35DISPARADA NAS ÚLTIMAS HORAS
O que fez o bitcoin disparar 20% e voltar aos US$ 72 mil? Três fatores explicam a arrancada
20 de agosto de 2026 - 10:40CONTEÚDO BTG PACTUAL
Um novo jeito de investir na Amazônia: Conheça o AMAB11, ETF do BTG Pactual
20 de agosto de 2026 - 9:30ANALISTAS RECOMENDAM A COMPRA
Embraer (EMBJ3), Sabesp (SBSP3) e Rede D’Or (RDOR3) têm gatilho em comum para o BTG e a XP; entenda por que investir
19 de agosto de 2026 - 18:12DO PICO AO PISO
A pior semana para a bolsa brasileira em 18 anos: você deve seguir a fuga de R$ 12,6 bilhões dos estrangeiros?
19 de agosto de 2026 - 14:28PECHINCHA OU VALOR?
“Não é agora”: gestor da AlphaKey manda recado sobre Magazine Luiza (MGLU3) e revela o que procura na bolsa
18 de agosto de 2026 - 19:15POR TRÁS DA DISPARADA