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Felipe Saturnino

Felipe Saturnino

Graduado em Jornalismo pela USP, passou pelas redações de Bloomberg e Estadão.

Mercados hoje

Ibovespa segue em leve baixa com fala de Guedes e menores perdas em NY

Índice chegou a ficar no positivo após ministro da Economia dizer que pode desistir de “nova CPMF”. Sessão é recheada de cautela com aumento de casos de covid-19 na Europa e falta de estímulos nos EUA

Felipe Saturnino
Felipe Saturnino
15 de outubro de 2020
10:34 - atualizado às 16:56
Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

A aversão ao risco dá o tom nos mercados globais nesta quinta-feira (15), mas uma notícia doméstica aliviou o Ibovespa durante a tarde.

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O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou à CNN Brasil que pode desistir da criação de um novo imposto sobre transações digitais nos moldes da antiga CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), indicando aos investidores maior flexibilidade para a negociação política de reformas.

"Talvez eu desista", disse Guedes, que também afirmou que o novo imposto, se for criado, não vai financiar o programa social do governo, o Renda Cidadã. "Não tem aumento de imposto, não existe aumento de imposto", afirmou o ministro.

O Ibovespa abriu o dia em queda forte de 1,57% — a mínima intradiária, aos 97.778,26 pontos. Por volta das 16h50, recuava 0,18%, aos 99.151,97 pontos, marcando perdas bem menores do que as das bolsas americanas. Na máxima, o índice ficou no positivo, em alta de 0,08%, aos 99.411,60 pontos.

"Isso melhorou o cenário, e até as ações dos bancos chegaram a ficar no positivo no Ibovespa", diz Ari Santos, operador de renda variável da Commcor. Hoje, entre essas empresas apenas o papel ordinário do Banco do Brasil (BBAS3) opera em alta, avançando 1,1%.

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O operador observa que a melhora foi também sustentada pelas altas firmes de CSN, que traz expectativa de um balanço positivo, e a JBS, após o acordo da véspera para pagar multa à Justiça dos Estados Unidos.

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"A expectativa é que os resultados venham melhores do que o esperado", diz Igor Cavaca, analista da Warren, para quem a expectativa para os resultados também melhorou o sentimento dos investidores.

Enquanto isso, em meio à cautela adotada pelos investidores, o dólar à vista tem alta muito leve de 0,3%, para R$ 5,6155. No entanto, após a fala de Guedes, chegou a cair 0,14%, para R$ 5,5905, na mínima.

O Dollar Index (DXY), índice que compara a moeda a uma cesta de divisas como euro, libra e iene, mostra avanço de 0,48%, indicando tendência de fortalecimento global do dólar hoje.

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Aversão ao risco

Mais cedo, os mercados locais ecoavam a forte aversão ao risco vista no exterior desde ontem.

Após os ajustes positivos pós-feriado no Brasil e uma reação otimista a sinais de andamento da reforma tributária ontem, o principal índice acionário da B3 voltou a acompanhar mais de perto do exterior.

Lá fora, dois fatores pesam no humor do investidor. O primeiro se refere aos temores relativos à segunda onda de coronavírus na Europa. O governo da França, por exemplo, impôs toque de recolher a uma série de cidades, incluindo Paris, e o de Portugal decidiu pelo estado de calamidade — em ambos os casos, medidas que restringem a circulação de pessoas.

O governo inglês, por sua vez, já fala em novas medidas de distanciamento.

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O segundo fator que desanima os investidores são as negociações emperradas para a aprovação de um novo pacote de estímulos fiscais nos Estados Unidos. Ontem, o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, admitiu que é improvável que o pacote saia antes das eleições presidenciais.

No entanto, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse à Fox Business que tentaria um valor maior do que o atualmente pleiteado por Mnuchin em conversas com a presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Nancy Pelosi, de US$ 1,8 bilhão.

O comentário do republicano vem após Mnuchin sinalizar que poderia haver concessões aos democratas para firmar um pacote antes das eleições.

As bolsas de NY operam em queda firme neste momento. O Dow Jones cai 0,1%, o S&P 500, 0,14%, e o Nasdaq amarga a maior perda, de 0,40%.

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Após o alívio visto nas últimas sessões, os juros futuros fecharam em alta nesta quinta — as taxas dos vencimentos de janeiro de 2023 e janeiro de 2025 reduziram o avanço após a fala do chefe da pasta da Economia.

Veja as taxas dos principais vencimentos:

  • Janeiro/2021: de 1,971% para 1,970%
  • Janeiro/2022: de 3,21% para 3,31%
  • Janeiro/2023: de 4,56% para 4,69%
  • Janeiro/2025: de 6,43% para 6,59%.

Indicadores piores do que o esperado

Do lado dos indicadores econômicos, mais notícias ruins. O Banco Central divulgou pela manhã o IBC-Br de agosto, considerado a prévia do PIB, que apresentou o quarto avanço mensal consecutivo, subindo 1,06% ante julho.

Apesar de mostrar alta da atividade, o número, no entanto, veio abaixo da mediana das expectativas dos analistas consultados pelo Broadcast, que era de 1,70%.

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Nos Estados Unidos, o número de pedidos de auxílio-desemprego subiu 53 mil na semana, totalizando 898 mil, acima da expectativa do mercado de 830 mil.

Siderúrgicas lideram alta

Em meio à aversão a risco generalizada, o petróleo opera em queda e o minério de ferro também fechou em baixa.

O contrato de petróleo WTI recua 0,22%, enquanto o barril tipo Brent — que serve de referência para os preços da Petrobras — tem baixa de 0,39%. Em linha com isso, as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) recuam 1,45%, enquanto as ordinárias (PETR3) tinham queda de 1,60%.

A maior queda do Ibovespa nesta quinta são as ações da PetroRio (PRIO3), acima de 5%.

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Já o minério de ferro negociado no porto de Qingdao, na China, fechou em queda de 0,69%, a US$ 118,70. As ações da Vale (VALE3), com isso, recuam 0,97%.

Por outro lado, os papéis da siderúrgica CSN (CSNA3) operam na contramão do Ibovespa, em forte alta, em meio à expectativa pelos resultados trimestrais da companhia, a serem divulgados hoje, depois do fechamento.

A expectativa é que a companhia apresente um lucro líquido de R$ 1,4 bilhão no terceiro trimestre, revertendo o prejuízo de R$ 871 milhões visto um ano antes. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado pode chegar a R$ 3,2 bilhões, uma alta de 104% em um ano.

Outra companhia do setor, a Usiminas é a maior alta percentual de hoje. Enquanto isso, a JBS também registra elevados ganhos percentuais. Saiba mais nesta matéria.

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Top 5

Veja as maiores altas do Ibovespa agora:

CÓDIGOEMPRESAPREÇOVARIAÇÃO
USIM5Usiminas PNAR$ 10,80 5,57%
CSNA3CSN ONR$ 19,39 5,38%
JBSS3JBS ONR$ 22,53 4,89%
MRVE3MRV ONR$ 18,26 3,34%
LAME4Lojas Americanas PNR$ 28,13 3,23%

Veja também as maiores quedas:

CÓDIGOEMPRESA PREÇOVARIAÇÃO
PRIO3PetroRio ONR$ 36,40-5,16%
COGN3Cogna ONR$ 5,03 -3,64%
GNDI3Intermédica ONR$ 67,00 -2,50%
IRBR3IRB ONR$ 7,00 -2,23%
ABEV3Ambev ONR$ 13,52 -2,03%

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