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Felipe Saturnino

Felipe Saturnino

Graduado em Jornalismo pela USP, passou pelas redações de Bloomberg e Estadão.

Mercados hoje

Ibovespa sustenta alta após redução de fôlego em meio a mal-estar em NY; dólar tem ganhos leves

Índice registra alta de 0,8%, buscando se aproximar do patamar de 100 mil pontos. Mais cedo, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, derrubou as bolsas americanas e diminuiu o ímpeto da brasileira após minimizar chances de um pacote de estímulos

Felipe Saturnino
Felipe Saturnino
14 de outubro de 2020
10:37 - atualizado às 15:11
Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

O Ibovespa sustenta o movimento de alta após a abertura positiva desta quarta-feira (14), avançando 0,78%, aos 99.289,46 pontos, por volta das 15h. Na máxima, o Ibovespa chegou a ter ganhos de 1,08%, aos 99.570,80 pontos.

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O principal índice acionário da B3 ainda repercute o sinal doméstico mais positivo sobre o andamento das reformas, além da expectativa a respeito da temporada de balanços locais.

O índice até chegou a diminuir o movimento positivo após o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, dizer que há poucas chances de um pacote de estímulos antes das eleições, mas logo retomou o fôlego.

Ontem à tarde, a assessoria de imprensa do presidente da Comissão Mista sobre a reforma tributária no Congresso, o senador Roberto Rocha, informou que o político tem a intenção de votar o relatório da proposta no colegiado até 10 de dezembro.

A afirmação é vista como um gesto de que a pauta pró-reformas vai ter sequência ainda em 2020, contribuindo para a tomada de risco.

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"O Ibovespa hoje está continuando a alta de ontem, com esse movimento a favor das reformas ajudando o ânimo", diz Henrique Esteter, analista de investimentos da Guide. "Com isso, a bolsa vai se reaproximando do patamar de 100 mil pontos, que perdeu após entrar em pauta a questão fiscal."

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Segundo o analista da Warren, Igor Cavaca, não se trata de "posições muito fortes" por parte do Legislativo, mas há sem dúvida um clima de melhora institucional em relação aos projetos pró-mercado que faz a bolsa reagir positivamente.

Para ele, alguns balanços positivos no exterior — como o do JP Morgan e do Goldman Sachs — também abrem caminho para os investidores esperarem resultados mais positivos por aqui. "O mercado está alterando as expectativas e o preço para os ativos", afirma.

A recuperação econômica do Brasil também trouxe novo dado positivo, que pode animar os investidores: o volume do setor de serviços subiu pelo terceiro mês seguido em agosto, acima da medianas das estimativas de analistas.

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Top 5

Hoje o grande destaque da bolsa é a JBS. A holding controladora da empresa, a J&F, selou acordo com a Justiça dos EUA para encerrar processos judiciais no país, aceitando o pagamento de uma multa multimilionária, como você confere nesta matéria do Ivan Ryngelblum. Veja as maiores pressões de alta no Ibovespa:

CÓDIGOEMPRESAPREÇOVARIAÇÃO
JBSS3JBS ONR$ 21,06 7,07%
PRIO3PetroRioR$ 37,916,70%
RAIL3Rumo ONR$ 18,81 4,85%
QUAL3Qualicorp ONR$ 32,73 3,36%
CSAN3Cosan ONR$ 69,30 3,06%

Confira também as maiores quedas do índice:

CÓDIGOEMPRESAPREÇOVARIAÇÃO
MGLU3Magazine Luiza ONR$ 25,25 -2,88%
HGTX3Cia Hering ONR$ 17,58 -2,44%
LREN3Lojas Renner ONR$ 38,94 -2,31%
LAME4Lojas Americanas PNR$ 27,16 -2,30%
MULT3Multiplan ONR$ 20,82 -1,56%

Mal-estar em Nova York

Os mercados continuam monitorando o avanço da segunda onda de coronavírus na Europa, as negociações entre republicanos e democratas em torno de um novo pacote de estímulos fiscais nos EUA (paralisadas a 20 dias das eleições) e o risco fiscal brasileiro.

Em meio a esse cenário, as bolsas de Nova York operavam perto da estabilidade, mas viraram para queda a partir de por volta das 12h45.

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O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, disse hoje em evento virtual que é difícil um pacote de estímulos fiscais ser aprovado até antes das eleições, uma vez que oposição e governo estão longe de um acerto, e pesou sobre as ações americanas.

Enquanto isso, o presidente Donald Trump afirma que está trabalhando por mais estímulos fiscais, mas acusa os democratas de quererem o pacote para Estados governados por eles.

Por volta das 15h, o Dow Jones cai 0,54%, o S&P 500, 0,72% e o Nasdaq, 0,94%.

Em Wall Street, investidores continuam de olho nos balanços corporativos dos bancões do país.

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Nesta manhã, foram divulgados os números do Goldman Sachs, que surpreenderam as estimativas de analistas tanto em lucro, que praticamente dobrou em um ano para US$ 3,6 bilhões, quanto em receita, que registrou US$ 10,8 bilhões. Com isso, as ações do banco avançam 1,35%.

Já os números de Wells Fargo e Bank of America trouxeram quedas nos lucros, e as ações reagem em tombos de 4,85% e 4,07%, respectivamente.

Mais tarde, após o fechamento das bolsas americanas, estão previstos os balanços de United Airlines e Alcoa.

Dólar sobe e juros recuam

O dólar à vista virou e opera em leve alta de 0,06%, para R$ 5,5815, no mesmo horário, refletindo as declarações de Mnuchin a respeito do pacote de estímulos fiscais.

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O Dollar Index (DXY), índice que compara o dólar a uma cesta de moedas como euro, libra e iene, no entanto, continua a cair, em baixa de 0,19%, indicando tendência de leve queda da divisa.

"É um movimento externo geral de depreciação do dólar", diz Camila Abdelmalack, economista da Veedha Investimentos, observando que a questão fiscal ainda pode limitar a intensidade da queda.

Os juros futuros, por sua vez, operam em baixa tanto na parte curta da curva quanto na longa, continuando o ritmo de alívio visto ontem.

O movimento também reflete uma ação coordenada entre o Banco Central e o Tesouro Nacional para encurtar os vencimentos dos títulos públicos ofertados.

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Trata-se de um paliativo, mas que tem surtido efeito inclusive no mercado de LFTs (Tesouro Selic), que vinha disfuncional devido à queda de demanda dos investidores por esses títulos, levando à redução nos seus preços. Confira o desempenho dos principais vencimentos:

  • Janeiro/2021: de 1,98% para 1,97%
  • Janeiro/2022: de 3,23% para 3,17%
  • Janeiro/2023: de 4,59% para 4,52%
  • Janeiro/2025: de 6,42% para 6,37%.

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