Ibovespa sustenta alta após redução de fôlego em meio a mal-estar em NY; dólar tem ganhos leves
Índice registra alta de 0,8%, buscando se aproximar do patamar de 100 mil pontos. Mais cedo, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, derrubou as bolsas americanas e diminuiu o ímpeto da brasileira após minimizar chances de um pacote de estímulos

O Ibovespa sustenta o movimento de alta após a abertura positiva desta quarta-feira (14), avançando 0,78%, aos 99.289,46 pontos, por volta das 15h. Na máxima, o Ibovespa chegou a ter ganhos de 1,08%, aos 99.570,80 pontos.
O principal índice acionário da B3 ainda repercute o sinal doméstico mais positivo sobre o andamento das reformas, além da expectativa a respeito da temporada de balanços locais.
O índice até chegou a diminuir o movimento positivo após o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, dizer que há poucas chances de um pacote de estímulos antes das eleições, mas logo retomou o fôlego.
Ontem à tarde, a assessoria de imprensa do presidente da Comissão Mista sobre a reforma tributária no Congresso, o senador Roberto Rocha, informou que o político tem a intenção de votar o relatório da proposta no colegiado até 10 de dezembro.
A afirmação é vista como um gesto de que a pauta pró-reformas vai ter sequência ainda em 2020, contribuindo para a tomada de risco.
"O Ibovespa hoje está continuando a alta de ontem, com esse movimento a favor das reformas ajudando o ânimo", diz Henrique Esteter, analista de investimentos da Guide. "Com isso, a bolsa vai se reaproximando do patamar de 100 mil pontos, que perdeu após entrar em pauta a questão fiscal."
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Segundo o analista da Warren, Igor Cavaca, não se trata de "posições muito fortes" por parte do Legislativo, mas há sem dúvida um clima de melhora institucional em relação aos projetos pró-mercado que faz a bolsa reagir positivamente.
Para ele, alguns balanços positivos no exterior — como o do JP Morgan e do Goldman Sachs — também abrem caminho para os investidores esperarem resultados mais positivos por aqui. "O mercado está alterando as expectativas e o preço para os ativos", afirma.
A recuperação econômica do Brasil também trouxe novo dado positivo, que pode animar os investidores: o volume do setor de serviços subiu pelo terceiro mês seguido em agosto, acima da medianas das estimativas de analistas.
[captacao]
Top 5
Hoje o grande destaque da bolsa é a JBS. A holding controladora da empresa, a J&F, selou acordo com a Justiça dos EUA para encerrar processos judiciais no país, aceitando o pagamento de uma multa multimilionária, como você confere nesta matéria do Ivan Ryngelblum. Veja as maiores pressões de alta no Ibovespa:
| CÓDIGO | EMPRESA | PREÇO | VARIAÇÃO |
| JBSS3 | JBS ON | R$ 21,06 | 7,07% |
| PRIO3 | PetroRio | R$ 37,91 | 6,70% |
| RAIL3 | Rumo ON | R$ 18,81 | 4,85% |
| QUAL3 | Qualicorp ON | R$ 32,73 | 3,36% |
| CSAN3 | Cosan ON | R$ 69,30 | 3,06% |
Confira também as maiores quedas do índice:
| CÓDIGO | EMPRESA | PREÇO | VARIAÇÃO |
| MGLU3 | Magazine Luiza ON | R$ 25,25 | -2,88% |
| HGTX3 | Cia Hering ON | R$ 17,58 | -2,44% |
| LREN3 | Lojas Renner ON | R$ 38,94 | -2,31% |
| LAME4 | Lojas Americanas PN | R$ 27,16 | -2,30% |
| MULT3 | Multiplan ON | R$ 20,82 | -1,56% |
Mal-estar em Nova York
Os mercados continuam monitorando o avanço da segunda onda de coronavírus na Europa, as negociações entre republicanos e democratas em torno de um novo pacote de estímulos fiscais nos EUA (paralisadas a 20 dias das eleições) e o risco fiscal brasileiro.
Em meio a esse cenário, as bolsas de Nova York operavam perto da estabilidade, mas viraram para queda a partir de por volta das 12h45.
O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, disse hoje em evento virtual que é difícil um pacote de estímulos fiscais ser aprovado até antes das eleições, uma vez que oposição e governo estão longe de um acerto, e pesou sobre as ações americanas.
Enquanto isso, o presidente Donald Trump afirma que está trabalhando por mais estímulos fiscais, mas acusa os democratas de quererem o pacote para Estados governados por eles.
Por volta das 15h, o Dow Jones cai 0,54%, o S&P 500, 0,72% e o Nasdaq, 0,94%.
Em Wall Street, investidores continuam de olho nos balanços corporativos dos bancões do país.
Nesta manhã, foram divulgados os números do Goldman Sachs, que surpreenderam as estimativas de analistas tanto em lucro, que praticamente dobrou em um ano para US$ 3,6 bilhões, quanto em receita, que registrou US$ 10,8 bilhões. Com isso, as ações do banco avançam 1,35%.
Já os números de Wells Fargo e Bank of America trouxeram quedas nos lucros, e as ações reagem em tombos de 4,85% e 4,07%, respectivamente.
Mais tarde, após o fechamento das bolsas americanas, estão previstos os balanços de United Airlines e Alcoa.
Dólar sobe e juros recuam
O dólar à vista virou e opera em leve alta de 0,06%, para R$ 5,5815, no mesmo horário, refletindo as declarações de Mnuchin a respeito do pacote de estímulos fiscais.
O Dollar Index (DXY), índice que compara o dólar a uma cesta de moedas como euro, libra e iene, no entanto, continua a cair, em baixa de 0,19%, indicando tendência de leve queda da divisa.
"É um movimento externo geral de depreciação do dólar", diz Camila Abdelmalack, economista da Veedha Investimentos, observando que a questão fiscal ainda pode limitar a intensidade da queda.
Os juros futuros, por sua vez, operam em baixa tanto na parte curta da curva quanto na longa, continuando o ritmo de alívio visto ontem.
O movimento também reflete uma ação coordenada entre o Banco Central e o Tesouro Nacional para encurtar os vencimentos dos títulos públicos ofertados.
Trata-se de um paliativo, mas que tem surtido efeito inclusive no mercado de LFTs (Tesouro Selic), que vinha disfuncional devido à queda de demanda dos investidores por esses títulos, levando à redução nos seus preços. Confira o desempenho dos principais vencimentos:
- Janeiro/2021: de 1,98% para 1,97%
- Janeiro/2022: de 3,23% para 3,17%
- Janeiro/2023: de 4,59% para 4,52%
- Janeiro/2025: de 6,42% para 6,37%.
FÓRMULA MILIONÁRIA
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