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2020-04-06T15:02:10-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.
Alívio intenso

Ibovespa opera em alta firme, aproveitando o clima mais ameno no exterior; dólar cai a R$ 5,24

O Ibovespa sobe mais de 7%, pegando carona na menor aversão global ao risco. No exterior, os investidores mostram-se animados com a possibilidade de desaceleração nos novos casos de coronavírus na Europa e em Nova York

6 de abril de 2020
10:46 - atualizado às 15:02
Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

A semana começa mais tranquila nos mercados acionários globais. Tanto o Ibovespa quanto as demais bolsas externas aparecem no campo positivo, amparadas pela percepção de que o ritmo de disseminação do coronavírus pela Europa e pelos EUA tem desacelerado.

Por volta de 15h00, o Ibovespa operava em alta de 7,81%, aos 74.970,25 pontos, indo em linha com os demais índices do mundo: na Europa, as principais praças subiram mais de 3%; nos Estados Unidos, o Dow Jones (+5,96%), o S&P 500 (+5,90%) e o Nasdaq (+5,89%) têm ganhos firmes.

No câmbio, o dólar à vista passa por um alívio nesta segunda-feira (6): no mesmo horário, recuava 1,51%, a R$ 5,2468 — lá fora, o dia é de desvalorização da moeda americana em relação às demais divisas de países emergentes.

  • Eu gravei um vídeo para explicar a dinâmica por trás dos mercados nesta segunda-feira. Veja abaixo:

Em termos mundiais, há um viés menos pessimista em relação ao surto de coronavírus. Por mais que a doença continue se espalhando — segundo a universidade americana Johns Hopkins, quase 1,3 milhão de pessoas já foram infectadas, com mais de 70 mil mortes —, os dados referentes à Europa e aos EUA indicam uma tendência mais animadora.

Itália e Espanha, os dois epicentros da Covid-19 no velho continente, têm mostrado uma desaceleração no número de contaminações e óbitos por dia. Do outro lado do Atlântico, um comportamento semelhante é visto em Nova York, área critica da doença nos Estados Unidos.

É claro que os números estão longe de inspirar otimismo — juntas, Itália e Espanha têm quase 30 mil mortos, enquanto os EUA continuam reportando mais de mil falecimentos ao dia. No entanto, os indícios de que a curva da doença possa ter chegado ao pico nessas regiões serve para tirar parte da pressão sobre os mercados globais.

Essa leitura, inclusive, se sobrepõe à cautela em relação ao mercado de petróleo: no momento, o Brent para junho cai 3,31%, enquanto o WTI para maio recua 6,00%, após despencarem 10% na abertura.

Tudo isso porque, ao longo do fim de semana, a Arábia Saudita e a Rússia voltaram a trocar acusações no âmbito da guerra de preços da commodity — tanto é que a reunião extraordinária da Opep+ para discutir um corte na produção de petróleo, prevista para hoje, foi adiada.

Tal foco de apreensão, contudo, fica em segundo plano perto da postura mais amena em relação ao surto de coronavírus.

Expectativa cautelosa

Por aqui, os investidores mostram-se animados com a postura do ministério da Economia e do Banco Central (BC) — ambos têm se mostrado empenhados em viabilizar a injeção de recursos na economia o mais rápido possível, de modo a mitigar os impactos da crise da Covid-19.

Em teleconferência com o setor de varejo durante o fim de semana, o ministro Paulo Guedes disse que o governo tem feito de tudo para que o dinheiro chegue à ponta final.

Já o presidente do BC, Roberto Campos Neto, mostrou-se preocupado com uma eventual disparada na quebra de contratos — e, para evitar isso, ele defende a disponibilização de recursos à população, mesmo que isso implique numa piora do lado fiscal do país.

Ainda nesse âmbito, o governo aposta na compra direta, pelo BC, das carteiras de crédito e títulos das empresas como forma de fazer com que os recursos liberados pelo governo cheguem efetivamente às mãos dos empresários, evitando o 'empoçamento' no sistema financeiro.

Tais notícias ajudam a neutralizar a turbulência vista no cenário político do país. Em Brasília, é cada vez mais pesado o clima entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Além disso, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, fez declarações preconceituosas contra a China em meio à crise do coronavírus, reacendendo as tensões diplomáticas com o país asiático.

Juros longos caem

No mercado de juros, as curvas de vencimento mais amplo operam em baixa, ajustando-se ao cenário de fraqueza econômica decorrente da crise do coronavírus — o boletim Focus agora prevê queda de 1,18% no PIB em 2020 e Selic a 3,25% ao fim do ano.

Nesse cenário, os investidores ajustam os DIs, de modo a precificar um ambiente com juros baixos por um período mais prolongado para estimular a economia brasileira:

  • Janeiro/2021: de 3,17% para 3,20%;
  • Janeiro/2022: de 4,12% para 4,06%;
  • Janeiro/2023: de 5,53% para 5,34%;
  • Janeiro/2025: de 7,19% para 6,92%.

Top 10

Apenas dois ativos do Ibovespa operam em queda neste momento: as exportadoras Suzano ON (SUZB3) e Klabin units (KLBN11), com perdas de 0,13% e 0,66%, respectivamente — ambas subiram forte na semana passada.

Veja abaixo os dez papéis de melhor desempenho do índice:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
RENT3Localiza ON28,74 +23,29%
GNDI3NotreDame Intermédica ON45,56 +21,98%
HAPV3Hapvida ON44,94 +19,05%
BTOW3B2W ON53,57 +18,78%
BRDT3BR Distribuidora ON16,40 +18,41%
IRBR3IRB ON10,03 +16,76%
BRFS3BRF ON17,52 +14,81%
BPAC11BTG Pactual units36,82 +13,96%
NTCO3Natura ON26,97 +13,89%
LREN3Lojas Renner ON35,24 +13,82%
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