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Bolsa recupera terreno e fecha em alta de 1,33%; dólar retorna a R$ 5,51 com reação a sinalizações de banqueiros centrais
A beleza está nos olhos de quem vê. E às vezes quem vê simplesmente muda de opinião. Pode ser por causa de uma mudança no parâmetro de beleza, na perspectiva, no foco. Não importa o motivo, mas o novo olhar.
Nas últimas semanas, os comunicados e declarações dos banqueiros centrais vinham sendo observados de uma perspectiva pouco amistosa pelos investidores. Nos últimos dias, a superexposição das autoridades monetárias, especialmente nos Estados Unidos, manteve os observadores do mercado não com um, mas com os dois pés atrás.
O presidente do Federal Reserve Bank (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, talvez figure como o melhor exemplo desta narrativa. Ele depôs perante o Congresso dos EUA ontem, anteontem e hoje.
Os testemunhos de ontem e anteontem perante a Câmara foram recebidos com azedume pelos investidores. Hoje, diante do Senado, Powell não expressou nada muito diferente do que vinha dizendo. Mas quem observava lançou um novo olhar. E de repente o feio tornou-se belo, o que era dissonante tornou-se harmônico. E os ativos de risco, que vinham sendo penalizados pelos temores relacionados com a recuperação da economia, voltaram ao cardápio dos investidores.
Por aqui ocorreu algo similar em relação ao Banco Central (BC), mas o efeito positivo foi bem mais intenso. O Ibovespa subiu 1,33%, encerrando em 97.012,07 pontos, enquanto o dólar caiu 1,37%, interrompendo uma sequência de três fechamento em alta.
Na abertura, a busca por alguma recuperação do Ibovespa foi limitada pelo ambiente de aversão generalizada ao risco no exterior em meio ao aumento de casos de covid-19 na Europa e nos Estados Unidos.
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A seguir, dados acima da expectativa sobre a venda de moradias novas nos Estados Unidos fizeram a bolsa de Nova York apagar a queda generalizada vista na abertura e assentar-se em território positivo.
Mais tarde, o olhar diferente dos investidores para o depoimento de Powell, perante o Senado dos EUA desanuviou o ambiente e deu fôlego a uma recuperação recuperação mais consistente em Wall Street.
No fim, porém, a recuperação foi um pouco mais discreta, até pelo fato de a presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, ter sinalizado a disposição dos democratas de buscar um acordo com os republicanos para um novo pacote de estímulo econômico. Enquanto o índice Dow Jones subiu 0,20%, o S&P-500 avançou 0,30% e o Nasdaq fechou em alta de 0,37%.
Se a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) deixou os investidores cismados, o mesmo não se pode dizer com relação ao Relatório Trimestral de Inflação (RTI) e a entrevista coletiva do presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto.
O RTI do Banco Central não trouxe nenhuma grande novidade em relação à posição da autoridade monetária. No entanto, o BC 'despiorou' sua projeção para a queda do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, de -6,4% para -5%, e apresentou estimativa de alta de 3,9% do PIB para 2021.
Além disso, a sinalização de que a inflação não deve sair de controle tão cedo e os juros permanecerão baixos ainda por um bom tempo beneficiou principalmente os papéis do setor financeiro listados no Ibovespa.
Enquanto isso, as ações ON da B3 apresentam forte apreciação diante da expectativa do mercado de que a instituição deverá ganhar impulso em meio a um boom de investidores do segmento de varejo, que também tem bom desempenho hoje.
A maior alta do Ibovespa fica por conta dos papéis ON da IRB Brasil, que ampliam os ganhos dos últimos dias depois de o diretor-presidente da empresa, Antônio Cássio dos Santos, ter dito que a resseguradora não pretende captar mais dinheiro novo na bolsa para cumprir os requerimentos legais de enquadramento técnico.
Confira a seguir as cinco maiores altas e baixas do dia entre os componentes do Ibovespa.
MAIORES ALTAS
MAIORES BAIXAS
Os investidores seguiam atentos hoje ao último salvo da bateria de testemunhos de Powell perante o Congresso dos EUA em meio a reiteradas advertências de que a política monetária teria encontrado seu limite no combate à crise.
Hoje, Powell testemunhou perante a Comissão de Assuntos Bancários, Habitacionais e Urbanos do Senado. Ele repetiu a linha de argumentação usada nos depoimentos de ontem e anteontem à Câmara dos Representantes, como era de se esperar.
Powell enfatizou que o Fed segue empenhado em recorrer às ferramentas de política monetária disponíveis "pelo tempo que for necessário para assegurar que a recuperação será tão forte quanto possível". Ele também reiterou que considera provável que estímulos fiscais adicionais por parte do governo norte-americano devem ser necessários, uma vez que, na visão dele, a recuperação econômica norte-americana deve demorar mais tempo que o esperado.
Ele considera, entretanto, que tudo o que a política monetária poderia fazer pela recuperação já foi tentado pelo Fed. "Fizemos praticamente todas as coisas que conseguimos pensar", afirmou ele aos deputados.
O que aparentemente melhorou o humor dos investidores hoje em relação aos depoimentos anteriores foi o fato de Powell não ter demonstrado preocupação com o aumento recente do balanço da instituição.
Questionado sobre o tema, comentou que a redução do balanço "não é algo em que estaremos focados no curto prazo". Segundo ele, o tamanho do balanço do Fed ficará proporcionalmente menor à medida que a economia se recuperar.
E enquanto o Ibovespa buscava uma recuperação, o mercado de câmbio interrompia o movimento de apreciação do dólar iniciado na sexta-feira passada e que levara a moeda norte-americana a avançar 6,7% em apenas quatro sessões.
Depois de ter atingido a faixa de R$ 5,62 nas máximas do dia em meio à aversão inicial ao risco, o dólar passou a recuar ainda pela manhã até fechar em queda de 1,37%, cotado a R$ 5,5106.
Já os contratos de juros futuros fecharam em queda, acompanhando também o ambiente mais favorável ao risco.
No fim da manhã, o movimento de ajuste à forte alta registrada ontem contou com o suporte do leilão de títulos prefixados, mantendo-se até o fim da sessão.
Confira as taxas negociadas de alguns dos principais contratos negociados na B3:
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