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Ricardo Gozzi

É jornalista e escritor. Passou quase 20 anos na editoria internacional da Agência Estado antes de se aventurar por outras paragens. Escreveu junto com Sócrates o livro 'Democracia Corintiana: a utopia em jogo'. Também é coautor da biografia de Kid Vinil.

Mercados hoje

Risco de queda de Guedes derruba Ibovespa abaixo dos 100 mil pontos

Sem indicadores para nortear os investidores neste início de semana, a tensão política pesou sobre os mercados financeiros nesta segunda-feira

Ricardo Gozzi
17 de agosto de 2020
18:04 - atualizado às 13:43
Auxílio Brasil
O ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, e o ex-presidente Jair Bolsonaro. - Imagem: Marcos Corrêa/PR

Que a sessão de hoje seria volátil, grande parte dos analistas já imaginava. O que não estava no roteiro dos investidores era que o Ibovespa perderia a marca dos 100 mil pontos nem que o dólar seria negociado acima dos R$ 5,50 pela primeira vez desde o fim de maio.

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Sem indicadores econômicos relevantes para nortear os investidores neste início de semana, a tensão política prevaleceu e a B3 passou praticamente o dia inteiro descolada dos mercados financeiros internacionais.

"Agenda vazia, oficina da volatilidade", sentenciava o economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira, antes mesmo da abertura do pregão.

A queda no Ibovespa começou pequeninha, é verdade. O índice até flertou com o território positivo por alguns minutos, acompanhando a abertura em Wall Street.

Mas logo começaram a fazer preço as especulações iniciadas na semana passada de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, teria subido no telhado.

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“Quando o presidente do clube tem que vir a público garantir a permanência do técnico é porque ele já caiu”, disse um operador de derivativos de uma corretora local, empregando a metáfora futebolística ao analisar a tíbia defesa pública do presidente Jair Bolsonaro a seu ministro da Economia.

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Quando perdeu o piso dos 100 mil pontos, operando abaixo deste nível pela primeira vez desde 14 de julho, o Ibovespa foi afetado pelo disparo em massa de ordens de stop-loss até fechar em queda de 1,73%, aos 99.595,41 pontos .

Em Wall Street, o índice Dow Jones fechou em leve queda enquanto o Nasdaq e o S&P 500 subiram.

No campo negativo, a queda no principal índice brasileiro de ações foi puxada principalmente pelos papéis da Eletrobras e pelas ações de empresas ligadas ao consumo doméstico.

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E apesar de a queda ter afetado a maior parte das ações listadas no Ibovespa, alguns setores tiveram bom desempenho hoje.

As ações dos frigoríficos, por exemplo, subiram à medida que investidores incorporaram aos papéis os bons resultados financeiros registrados no segundo semestre. Nos setores de mineração e metalurgia, a alta das ações foi propulsionada pela expectativa de medidas de estímulos à economia chinesa.

Confira a seguir quais foram as maiores altas e as maiores baixas do Ibovespa na sessão de hoje.

MAIORES ALTAS

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  • Marfrig ON (MRFG3) +5,37%
  • JBS ON (JBSS3) +2,53%
  • Minerva ON (BEEF3) +2,22%
  • CSN ON (CSNA3) +1,90%
  • Bradespar PN (BRAP4) +1,58%

MAIORES QUEDAS

  • Hering ON (HGTX3) -8,34%
  • Eletrobras ON (ELET3) -6,66%
  • Gol PN (GOLL4) -6,05%
  • BR Malls ON (BRML3) -5,85%
  • Via Varejo ON (VVAR3) -5,70%

Tensão política local descolou Ibovespa do exterior

Observadores do mercado aguardam sinais mais concretos em relação às tensões políticas em Brasília, mas o medo foi suficiente para fazer com que o Ibovespa descolasse dos mercados financeiros internacionais.

As especulações sobre a permanência de Paulo Guedes no governo ganharam volume na semana passada e desde então só crescem.

Ainda que oficialmente o governo negue qualquer plano neste sentido, o aparente enfraquecimento do ministro - e consequentemente de sua agenda ultraliberal - alimenta temores de que o governo Jair Bolsonaro venha a abandonar a disciplina fiscal e as reformas exigidas pelos investidores.

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Jason Vieira observou que a especulação sobre da possibilidade de impeachment levantada por Paulo Guedes na semana passada, ao se queixar publicamente da "debandada" em sua equipe, "abriu espaço para sua fritura dentro do governo".

Ainda segundo ele, "o sustentáculo fiscal, a figura de Guedes e a agenda de reformas são o tripé de apoio do mercado ao governo, e todos sabemos como tripés funcionam".

Dólar e juro

E enquanto a bolsa caiu forte, a aversão ao risco local fez com que o dólar voltasse a operar acima da marca de R$ 5,50 a partir do meio da tarde desta segunda-feira, atingindo o nível mais alto desde 22 de maio e seguindo perto das máximas até os minutos finais da sessão, quando acomodou-se pouco abaixo dessa barreira.

Além de acompanhar a desvalorização de outras moedas emergentes ante o dólar, o real foi duramente afetado pelos temores de que os dias de Paulo Guedes como ministro da Economia estejam contados.

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Logo depois de passar dos R$ 5,50, o dólar seguiu pressionando por níveis mais altos e chegou a operar acima de R$ 5,51 nas máximas da sessão.

De acordo com analistas, o mercado de câmbio reagiu a especulações sobre quem sucederia Guedes caso ele realmente venha a deixar o Ministério da Economia.

O fato é que o mercado de câmbio reproduziu hoje a volatilidade verificada entre as ações desde o início do pregão.

Quando os negócios aproximavam-se do fim, a moeda norte-americana devolveu parte dos ganhos, mas ainda assim fechou em alta de 1,30% a R$ 5,4971.

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Enquanto isso, os contratos de juros futuros fecharam em alta firme também repercutindo os temores dos investidores com a questão fiscal e o futuro do ministro Paulo Guedes.

Confira as taxas negociadas de alguns dos principais contratos negociados na B3:

  • Janeiro/2022: de 2,800% para 2,830%;
  • Janeiro/2023: de 4,010% para 4,060%;
  • Janeiro/2025: de 5,810% para 5,950%;
  • Janeiro/2027: de 6,830% para 7,000%.

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