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Sócio da Logos Capital me recebeu na sede da gestora em São Paulo para contar sobre algumas das posições vencedoras do Logos Total Return em 2019, fundo multimercado que liderou o ranking de rentabilidade no ano passado.
O fundo multimercado mais rentável de 2019 teve um desempenho fora da curva. Com um retorno de 116,14%, de acordo com ranking da consultoria Economatica, o Logos Total Return, gerido pela Logos Capital, ficou bem à frente do segundo colocado, cujo retorno esteve na casa dos 60%.
É claro que rankings de fundos de investimento devem sempre ser observados com ressalvas. Primeiro porque, como você já deve estar careca de saber, retorno passado não garante retorno futuro, e analisar rankings é, basicamente, olhar para o retrovisor.
Segundo que é muito difícil para os gestores e fundos se manterem consistentemente no topo dos rankings, principalmente quando, em algum período, têm um rendimento fora do normal.
Mesmo assim, analisar rankings e os históricos de desempenho dos fundos pode te ajudar a ter uma ideia da consistência do retorno dos gestores, de como se saíram os melhores e piores fundos diante da média do mercado e de quais estratégias foram vencedoras em diferentes períodos de tempo.
Se você olhar para o histórico de retorno do Logos Total Return desde seu início em 2012, verá que o retorno de 100% em 2019, ante um CDI de 6% e um Ibovespa de 30%, de fato foi extraordinário, ainda mais se tratando de um fundo multimercado.
Ainda assim, o fundo tem um retorno anualizado de aproximadamente 30% ao ano (se considerado o fundo master, o que daria uns 25% ao ano para o investidor pessoa física).
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Comandada pelo ex-vice-presidente da Anbima e ex-executivo do Citi Pedro Guerra, a Logos nasceu em 2018, a partir de uma cisão da Indie Capital.
Porém, o principal fundo da casa, o Total Return, remonta à época da Indie e tem histórico de rentabilidade desde meados de 2012, quando passou a ter Luiz Guerra à frente da equipe de gestão e a cobrar as taxas atuais.
A casa ainda é jovem e tem patrimônio relativamente pequeno, o que permite uma maior agilidade ao gestor. São cerca de R$ 500 milhões de quase 2 mil cotistas sob gestão. A meta da casa é não ultrapassar os R$ 2 bilhões, após os quais seus fundos seriam fechados à captação.
Apesar de ser um fundo multimercado, o Logos Total Return tem grande exposição ao mercado de ações - que, aliás, é o foco da Logos Capital. Não só no Brasil, como na América Latina como um todo.
“A Logos é e sempre foi uma gestora de ações, com uma abordagem de retorno absoluto. Nós temos dois fundos com foco em ações. O Long Biased, que é 100% ações, dá sustentação à estratégia Total Return, que é um pouco mais ampla, pois tem mais liberdade para atuar também em outros mercados”, me explicou Ricardo Vieira, diretor executivo de operações (COO) da Logos, também egresso da Indie Capital.
Vieira me recebeu para um bate-papo na sede da gestora em São Paulo, aqui pertinho do Seu Dinheiro. Ele me explicou que a estratégia de ações é basicamente a mesma para os dois fundos da casa.
O Long Biased tem o compromisso de ter de 40% a 100% do patrimônio em posições compradas em ações, além de uma volatilidade típica de fundo de renda variável. No ano passado, esse fundo teve retorno de 81%.
Já o Total Return, onde está a maior parte do patrimônio sob gestão da casa, segue a estratégia de renda variável do Long Biased, mas também tem a liberdade de fazer operações compradas ou vendidas em mercados de juros, câmbio e commodities, tanto com o objetivo de obter ganhos com distorções de preços como de proteger o patrimônio.
A ideia é seguir um modelo como o dos hedge funds americanos. “Mas tentamos trazer o diferencial de rendimento do mercado de ações, onde consideramos haver assimetrias e potenciais de retorno maiores”, concluiu Vieira.
Assim, o Total Return é menos volátil que o Long Biased, mas ainda assim mantém uma volatilidade histórica de 20%, considerável para um multimercado. Desde que começou a apostar mais em bolsa, aliás, a volatilidade cresceu - no ano passado, ficou na casa dos 30%, de acordo com a Economatica.
Segundo Vieira, nos últimos três anos foram as estratégias de bolsa que puxaram o retorno do Logos Total Return. Mais de 80% da rentabilidade do fundo no ano passado veio de ações - 95,3 pontos percentuais dos 116,14% -, principalmente de papéis dos setores de utilities (serviços de utilidade pública), consumo discricionário e tecnologia da informação (TI).
“No setor de utilities, posso destacar Sabesp, Neoenergia, CPFL, Cemig, Copel e Light”, diz Vieira.
Apesar de serem diversificados, os fundos da Logos optam por concentrar em certas operações e ativos quando identificadas grandes oportunidades, além de comprar e vender ativos de forma “casada” quando detectadas distorções de preços.
Além disso, a carteira é bastante dinâmica - o processo de desinvestimento para realizar os ganhos é tão rigoroso quanto o de investimento, explica Vieira.
Um exemplo foi a estratégia utilizada no caso das ações da Sabesp (SBSP3). O investimento foi feito no fim de 2018, e o fundo chegou a ter 14% do patrimônio alocado nos papéis da companhia de saneamento básico do estado de São Paulo.
A ação era considerada barata e com potencial de valorização devido a uma possível privatização após as eleições. Em 2019, a ação se valorizou quase 80% com a aprovação do marco regulatório do saneamento na Câmara e a perspectiva de concretização de uma privatização.
No entanto, à medida em que as ações foram subindo, o fundo foi reduzindo sua participação para algo em torno de 5% do seu patrimônio. Hoje, a Logos tem uma perspectiva de valorização para os papéis da Sabesp de mais uns 15%.
Outro papel do qual o fundo se desfez, desta vez integralmente, foi o da empresa de logística Rumo (RAIL3), que a Logos carregou de meados de 2017 até março de 2019, como forma de apostar no turn around da companhia. Durante o período de investimento, os papéis da Rumo viram uma alta de cerca de 50%.
Apesar de ser um multimercado, um fundo como o Logos Capital Total Return está mais para um investimento arrojado do que para um investimento moderado. Com volatilidade na casa dos 20% a 30%, ele deve ser destinado para compor aquela parcela de risco da carteira.
De acordo com Ricardo Vieira, trata-se de um investimento para quem tem horizonte de longo prazo e pode expor uma parte do patrimônio às oscilações desse tipo de investimento.
Convém também observar que pedidos de resgate levam cerca de 30 dias para serem efetuados, de modo a evitar ondas de resgates em momentos de mercado ruins. Ou seja, mesmo o acesso aos recursos pelo cotista deve ser planejado com antecedência.
A seguir, você confere os trechos mais bacanas da minha conversa com o COO da Logos Capital, em que ele fala das posições mais vencedoras do fundo em 2019 e perspectivas da casa para 2020.
Sabesp, construtoras, empresas de consumo - como Lojas Americanas e Via Varejo -, empresas de tecnologia da informação (TI), como Totvs e Linx, e empresas de proteína animal, como Minerva e JBS.
Outra que a gente teve um investimento muito robusto ao longo do ano foi Gerdau. No começo do ano, a gente acreditava numa melhoria gradual da economia, principalmente no segundo semestre, daí o investimento em companhias como Gerdau e construtoras.
Hoje não temos mais Gerdau e saímos da maior parte das construtoras, pois achamos que elas começaram a ficar caras. Sabesp a gente ainda mantém posição pois acreditamos num potencial de valorização razoável, mas reduzimos daqueles 14% iniciais para em torno de 5% hoje. Recentemente começamos a nos posicionar em ações de bancos, principalmente Bradesco.
Ainda vemos um cenário positivo, não só para o Brasil, como para o mundo todo. Mas principalmente Brasil. Acreditamos que deve haver alguns momentos de volatilidade mais intensa, principalmente próximo das eleições americanas, que devem se acirrar do segundo para o terceiro trimestre. Por enquanto, não temos nenhuma expectativa quanto ao desfecho desse pleito, não fazemos ideia de quem pode ganhar.
Mas estamos construtivos para 2020, achamos que os recursos estrangeiros devem começar a vir para o Brasil. Há ofertas públicas mapeadas no valor de R$ 60 bilhões a R$ 80 bilhões só para o primeiro trimestre, ou talvez até abril/maio. A gente acredita que o dinheiro novo virá, uma parte de estrangeiros, uma parte de troca de ativos e uma parte de investidores locais. Pode até ser que a bolsa não suba tanto em pontos, mas que o bolo cresça. Mais dinheiro na bolsa, novas empresas abertas e investidores vendendo alguns ativos para comprar outros que sejam mais atrativos.
Também tem as concessões e privatizações. Deve ter mais uma rodada em aeroportos, concessões de rodovias, fora a Sabesp, que deve ser privatizada ao longo dos próximos 12, 18 meses. Pode ser ainda que haja eventos envolvendo Cemig, Light. Fora os desinvestimentos do governo - Caixa querendo vender sua seguradora, Petrobras se desfazendo de participação na BR Distribuidora…
Estamos de olho em empresas com valuation mais atrativo, que estejam descontadas, onde a gente vê uma assimetria melhor. Há um potencial de valorização razoável em algumas do setor de consumo.
Bancos também é um setor que chama um pouco a atenção, pelas empresas estarem descontadas, principalmente se comparado aos bancos lá fora. A gente acha que começa a fazer sentido ter investimento neste setor, pois a parte de crédito deve continuar robusta.
O que deve prejudicar o crescimento dos bancos é a parte de serviços, de cobrança de tarifas. Porque aí tem mais competição. Mas não vão ser as fintechs que vão dar crédito para uma economia que pode crescer, eventualmente, até 3% no ano. Ainda mais com o BNDES saindo da área de crédito. Então serão os bancos privados e o mercado de capitais que devem fomentar o crescimento.
Petrobras é outra empresa que deve chamar a atenção de investidores locais e estrangeiros, pois tem uma oferta anunciada para as próximas semanas. Tem muita gente esperando essa oferta para tomar posição, e a empresa está relativamente barata em relação ao seu múltiplo histórico e a seus pares estrangeiros.
A Petrobras está negociando hoje a um múltiplo equivalente ao de empresas russas, para a gente isso não faz sentido. É uma empresa em crescimento, pagadora de dividendos num futuro próximo, geradora de caixa, 10% de free cash flow yield [fluxo de caixa livre por ação dividido pelo preço de mercado da ação]… Estamos bem construtivos com Petrobras no médio prazo.
Taxa de administração: 2,00% ao ano.
Taxa de performance: 20% sobre o que exceder o CDI
Classificação Anbima: Multimercado Livre
Aplicação mínima inicial: R$ 10 mil.
Cota de aplicação: D+1 (fechamento)
Cota de resgate: D+30 (fechamento) dias úteis
Liquidação financeira: D+2 dias úteis da cotização
Por onde investir: Ativa Investimentos, BTG Pactual Digital, Guide Investimentos, Modalmais, Órama e Warren.

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