Mais um tombo aí? Ibovespa cai 3% e termina outubro no vermelho, com avanço da covid-19
Índice tem novas perdas fortes em semana difícil e fecha mês em queda de 0,7%. Desempenho reflete mau humor de Nova York com coronavírus e a sangria das 'big techs', antes das eleições dos Estados Unidos, fator de incerteza adicional. Após intervenção do Banco Central e com a formação da Ptax, dólar tem queda

Até semana passada, a história que contaríamos sobre o mês de outubro sobre o mercado de ações seria positiva: o Ibovespa acumulava então 7% de alta no período e, um dado simbolicamente importante, havia retomado o patamar dos 100 mil pontos — que não alcançava desde 17 de setembro.
Mas a alegria durou pouco.
Nesta semana, a realidade se mostrou dura demais para a bolsa se manter em uma toada positiva — e não foi só por aqui. Com o aumento dos casos do coronavírus na Europa e nos Estados Unidos, os índices acionários ao redor do mundo viram novas medidas de distanciamento social serem adotadas uma vez mais para diminuir o grau de disseminação do vírus.
Foi o caso de Alemanha e França. Os países anunciaram lockdowns na quarta (28) e pesaram nos ativos financeiros, originando um banho de sangue na renda variável global que recordou, de leve, o pânico de março. Na ocasião, o Ibovespa marcou sua maior perda desde abril (-4,25%).
Hoje, outro tombo. O principal índice acionário da B3 marcou queda de 2,72%, aos 93.952,40 pontos — bem distante do nível de 100 mil pontos. Com essa perda, o Ibovespa terminou outubro em queda de 0,7%. No ano, acumula perdas de 18,8%.
Eu, a Julia Wiltgen e o Vinícius Pinheiro comentamos a bruxa solta nos mercados na tradicional live do Seu Dinheiro de toda sexta-feira. Falamos também sobre o Copom, que manteve a Selic parada em 2% ao ano e do truco no Banco Central, que segue no jogo. Para conferir, é só dar play.
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O pano de fundo do tombo continua a ser o aumento da covid-19, caldo ao qual se adiciona a incerteza quanto às eleições americanas. Mas tivemos um novo componente nesta sexta: a queda dos papéis de "big techs", como Amazon, Apple e Facebook.
Top 5
Depois de divulgar o seu balanço do terceiro trimestre, a ação da Suzano ficou entre os melhores desempenhos do dia — o que não quer dizer que tenha ficado no azul, afinal, foi um dia de perdas amplas, com apenas três papéis terminando a sessão no azul.
Você pode ver aqui os números divulgados da empresa. Também pode dar uma olhada na compilação de análises de diferentes casas sobre a ação, na matéria do Ivan Ryngelblum.
Em suma, na leitura dos especialistas o destaque é para o Ebitda, que superou as estimativas, e o fluxo de caixa livre e o grau de desalavancagem. Veja os principais desempenhos positivos de hoje:
| CÓDIGO | EMPRESA | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| VIVT4 | Telefônica Brasil ON | 42,54 | 0,93% |
| IRBR3 | IRB ON | 6,14 | 0,49% |
| RAIL3 | Rumo ON | 18,34 | 0,05% |
| SULA11 | SulAmérica units | 39,99 | -0,05% |
| SUZB3 | Suzano ON | 50,05 | -0,24% |
O balanço da B2W mostrou alta de 60% nas vendas e diminuição do prejuízo na comparação anual — mais detalhes sobre esse balanço, aliás, você pode ler com o Kaype Abreu.
Ainda assim, os investidores reagiram negativamente ao cenário de ampliação de casos do coronavírus no exterior e os papéis da empresa caíram forte no dia de hoje.
Ações da controladora da B2W, a Lojas Americanas, também operaram entre as principais quedas percentuais do dia, bem como outros papéis de varejistas (Hering e Via Varejo), o que mostra a aflição dos investidores sobre o setor e a possível redução do consumo nos próximos meses.
"Além disso, o fato da redução dos auxílios emergenciais também tem impactado as possibilidades de consumo futuro", diz Igor Cavaca, analista da Warren. Veja as principais quedas de hoje:
| CÓDIGO | EMPRESA | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| BTOW3 | B2W ON | 75,24 | -8,97% |
| HGTX3 | Cia Hering ON | 15,91 | -6,80% |
| VVAR3 | Via Varejo ON | 17,16 | -5,97% |
| LAME4 | Lojas Americanas PN | 23,23 | -5,91% |
| GOLL4 | Gol PN | 15,69 | -5,54% |
Bolsas americanas caem forte
O principal índice acionário do Brasil refletiu hoje o mau humor dos investidores nos Estados Unidos, enquanto as principais bolsas europeias terminaram o dia enviando sinais mistos.
Em meio à negatividade com os casos da covid-19, as bolsas americanas apresentaram fortes perdas, ecoando também uma reação negativa em face dos resultados divulgados por gigantes da tecnologia como Amazon, Apple e Facebook ontem, após o fechamento dos mercados.
Os lucros dessas empresas vieram bastante acima do esperado pelos analistas e ainda assim não seguraram a derrocada dos papéis. As ações da Amazon tombaram 5,45%; as da Apple, 5,6%; e as do Facebook, 6,3%.
Os papéis do Twitter (que apresentou o menor crescimento no númeor de usuários em anos) foram outros que sofreram os efeitos da má repercussão dos balanços das big techs entre investidores — as ações tombaram incríveis 21,1%.
Os desempenhos sugerem que o pano de fundo do retorno de lockdowns gera, neste momento, muito mais nervosismo do que os bons resultados das gigantes são capazes de trazer calmaria. O mercado desta forma vai recalculando os seus cenários, se antecipando a outras eventuais medidas de distanciamento
No fim do dia, os principais índices americanas caíram fortemente. O S&P 500 caiu 1,2%; o Dow Jones, que teve o seu pior mês desde março, recuou 0,6%; e o Nasdaq, com o peso das gigantes, teve uma queda mais forte, com as big techs, de 2,45%.
Dólar cai após BC, juros sobem
O dólar terminou o dia em queda de 0,5%, cotado aos R$ 5,7380.
Foi mais uma sessão volátil em que, na máxima, se aproximou do nível de R$ 5,81, em avanço de 0,72%. No entanto, a divisa saiu do pico após atuação do BC no mercado de câmbio, com a oferta de US$ 787 no mercado à vista, pouco antes das 12h. No mês, a moeda acumulou ganho de 2,1%.
"Também foi dia de Ptax, isso também explica a queda", diz Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos. A Ptax formada no final do mês é responsável por balizar contratos de câmbio e varia conforme os interesses dos operadores.
"Mas olhando para a semana, o dólar compartilhou o sentimento negativo da bolsa", disse ele. A moeda teve alta de 1,9% no período. No mês, o dólar subiu 2,1% — no ano, tem incríveis 43% de alta.
Os juros futuros, por sua vez, encerraram a sessão em um comportamento misto.
As taxas curtas subiram, em oposição ao que aconteceu ontem, quando caíram se ajustado ao Copom. Enquanto isso, os juros mais longos apontaram para diferentes direções, sofrendo pequenas variações ou ficando próximos da estabilidade no fim do dia. Confira os principais vencimentos:
- Janeiro/2021: de 1,94% para 1,96%
- Janeiro/2022: de 3,48% para 3,46%
- Janeiro/2023: de 5,04% para 5,05%
- Janeiro/2025: estável em 6,78%
Conteúdo BTG Pactual
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