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Sócio da gestora que criou fundos para brasileiros entrarem no IPO da XP disse estar seguro de que não há restrição para entrar na oferta
A gestora Vitreo vai manter os planos de entrar com pedido de reserva de ações na oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da XP Investimentos, apesar da decisão da corretora de barrar a participação de fundos brasileiros criados para participar da operação, que acontece
na bolsa norte-americana Nasdaq.
A gestora criou dois fundos para investir no IPO da corretora, que em apenas dois dias captaram R$ 50 milhões. "Esperamos que a XP reveja essa decisão", me disse hoje Patrick O'Grady, sócio da Vitreo.
A XP vetou a entrada de fundos locais diante do receio de que essa participação fosse interpretada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) como um esforço de venda das ações no Brasil, o que não é permitido pela regulação.
Embora as empresas e bancos coordenadores de ofertas realizadas no exterior não possam oferecer os papéis no Brasil, nada impede que fundos brasileiros analisem por conta própria os riscos e oportunidades da operação e decidam participar. E foi isso que a Vitreo fez, segundo O'Grady, que inclusive fez uma consulta informal à CVM antes de criar os fundos.
"Estamos muito seguros de que não há restrição para participarmos da oferta."
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O sócio da gestora disse que existem maneiras de deixar a XP e os bancos coordenadores mais confortáveis para aceitar a participação de fundos brasileiros no IPO. Uma delas seria a obrigação dos investidores de assinarem uma declaração assegurando que não houve esforços de venda dos papéis no Brasil.
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Para você entender melhor a polêmica sobre a entrada de fundos brasileiros no IPO da XP, vou explicar como funciona o processo das ofertas de ações.
Durante a operação, a empresa que vai lançar os papéis e os bancos coordenadores realizam uma série de apresentações a investidores – etapa conhecida como "road show", no jargão do mercado.
Nesse período, os investidores interessados fazem pedidos de reserva de quantas ações desejam comprar e por qual valor – dentro de uma faixa estabelecida pelos coordenadores.
Ao final, são os bancos e a companhia que decidem quem entra no IPO. Eles fazem a alocação considerando não apenas quem deu o preço mais alto como também as características de cada investidor.
O ideal é ter diferentes perfis na base para garantir uma boa liquidez das ações após a estreia na bolsa. Ou seja, não há garantia de que quem fez a reserva vai conseguir levar as ações, que também leva em conta a demanda pelo IPO.
No caso específico da XP, como a oferta não é registrada no Brasil, qualquer tentativa de venda ou publicidade da operação por aqui é proibida. A corretora pretende captar até US$ 2,1 bilhões no IPO na Nasdaq.
Os investidores brasileiros interessados em entrar nas ofertas realizadas lá fora precisam tomar a decisão por conta própria, abrir uma conta em uma corretora e se submeter às regras do mercado norte-americano.
O problema é que apenas investidores profissionais podem participar de IPOs nos Estados Unidos. Com isso, as pessoas físicas aqui do Brasil só poderiam comprar ações da XP após a estreia das ações na Nasdaq e depois de abrir uma conta em uma corretora norte-americana.
É aqui que a Vitreo entra na história. A gestora percebeu que a demanda dos investidores brasileiros pelos papéis da XP seria grande, mesmo com o IPO acontecendo lá fora e sem esforços de venda por aqui.
A gestora então decidiu criar dois fundos para participar do IPO, um deles voltado para investidores qualificados – com pelo menos R$ 1 milhão para investir – e outro para o varejo. O segundo só poderá ter 20% do patrimônio aplicado em ações da XP para atender à norma da CVM que restringe a exposição de fundos para pequenos investidores no exterior.
Caso não seja alocada no IPO, a Vitreo pode ainda adquirir os papéis diretamente na Nasdaq após a estreia na bolsa americana.
Os fundos da Vitreo têm uma taxa residual de administração (até 0,09% no total). O ganho da gestora virá da cobrança de taxa de performance, que será de 10% sobre a rentabilidade que exceder o Ibovespa ou o CDI – o que for maior.
Em um exemplo hipotético, se a ação da XP subir 100% e o Ibovespa tiver alta de 20%, a Vitreo leva 8% de performance e a rentabilidade do fundo será da ordem de 92%.
No fundo de varejo, o retorno para o investidor ficaria pouco acima do Ibovespa, em aproximadamente 22%, e a Vitreo ganharia 1,6%. Nesse caso, a taxa de performance é indireta, porque o fundo de varejo aplica 20% do PL no fundo para o investidor qualificado.
Por outro lado, caso a ação da XP suba menos que um dos dois indicadores, a gestora não leva nada.
A forma de cobrança no fundo levou a questionamentos nas redes sociais. Por isso perguntei a O'Grady se a cobrança da taxa de performance para um fundo que só investe em uma ação faz sentido.
Ele me respondeu que o trabalho da Vitreo não é o de um típico fundo passivo, que tem como único objetivo perseguir a rentabilidade de uma ação ou índice em qualquer situação.
"Se em algum momento entendermos que a ação da XP já atingiu o potencial ou houver alguma mudança nas condições de mercado, vamos encerrar o fundo e devolver o dinheiro aos cotistas", afirmou, ao destacar que a estrutura também alinha os interesses da gestora e dos investidores.
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