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Em relatório, o Bradesco BBI pondera que as small caps são opções interessantes por estarem menos expostas às incertezas vistas no mercado internacional
O mês de agosto foi marcado por um novo acirramento das tensões na guerra comercial entre Estados Unidos e China — e essa situação, é claro, trouxe instabilidade ao mercado de ações no Brasil e no mundo. Mas, apesar das incertezas, o Bradesco BBI destaca que alguns ativos da bolsa continuam atraentes, especialmente as small caps.
Caso você não esteja familiarizado com o termo, as small caps são as ações de empresas de menor capitalização. Em geral, essas companhias são mais expostas à economia doméstica e, assim, tendem a apresentar um bom desempenho com a retomada da atividade local — eu expliquei tudo sobre esses papéis nesta matéria especial.
E, de fato, é essa característica que desperta a atenção do Bradesco BBI: se é verdade que o cenário externo enfrenta turbulências elevadas, também é verdade que as perspectivas para a economia brasileira são mais animadoras. Assim, as small caps aparecem bem posicionadas para aproveitar o momento.
Em relatório assinado pela analista Marina Valle, a instituição diz que cerca de 70% da recente correção vista no mercado acionário brasileiro — o Ibovespa, por exemplo, saiu dos 104 mil pontos em 8 de agosto para o nível de 96 mil pontos no dia 26 — se deve a fatores externos.
"Acreditamos que algumas das incertezas ligadas ao panorama global ainda devem continuar por um bom tempo, o que aumenta a atratividade das ações brasileiras mais ligadas ao mercado doméstico, em detrimento dos nomes com maior exposição ao cenário internacional", escreve a analista.
Com esse cenário em mente, a instituição destaca seis small caps em particular: Cesp PNB (CESP6), CVC ON (CVCB3), Iguatemi ON (IGTA3), Santos Brasil ON (STBP3), Tenda ON (TEND3) e Totvs ON (TOTS3). E há quatro grandes temas que fizeram com que a o Bradesco BBI optasse por essas ações específicas.
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Em primeiro lugar, o banco crê que a taxa de juros deve ser mantida em níveis baixos por um período prolongado — a equipe macroeconômica do Bradesco BBI trabalha com um cenário de Selic em 5% ao ano ao fim de 2019. E, nesse cenário, eventuais fusões e aquisições podem ser facilitadas.
Além disso, Valle pondera que empresas dos setores de shoppings centers, concessões rodoviárias, construção civil e utilities são particularmente beneficiadas pelo ambiente de juros baixos — o que dá força ao argumento favorável às ações da Iguatemi e da Tenda.
Um segundo ponto levantado pelo Bradesco BBI é o de que a economia brasileira deve entrar num ciclo de expansão moderado, mas duradouro. Para a analista, a aprovação da reforma da Previdência deve ajudar a dar força ao PIB, mas sem grandes saltos num horizonte de quatro a cinco anos.
"Um ciclo de crescimento mais longo deve ser um fator positivo para as small caps, especialmente as que estão primariamente focadas em setores domésticos", escreve Valle, destacando a CVC e a Santos Brasil como bons exemplos de empresas com esse setor.
A instituição ainda pondera que a aceleração nas privatizações e vendas de ativos tende a ser um fator importante para os setores de óleo e gás, transportes e utilities. "Apesar de esse tema ser mais importante para as large caps, também vemos oportunidades entre as empresas de menor capitalização", diz o banco, destacando a Cesp.
Por fim, as permanência das incertezas políticas também deve influenciar o panorama de investimentos em small caps, já que o governo tem mostrado dificuldades para construir uma base de apoio sólida no Congresso. E, nesse ambiente, os prêmios de risco podem comprimir — o que torna nomes mais defensivos, como a Totvs, uma boa opção.
Foram mantidas C&A (CEAB3), Brava Energia (BRAV3), Suzano (SUZB3), Plano&Plano (PLPL3), Smart Fit (SMFT3) e Intelbras (INTB3)
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