Ativos de risco ganham fôlego com expectativa de corte da taxa de juros
Segundo especialistas, só a mudança de expectativas em torno da taxa básica de juros já tem impacto sobre os investimentos, mesmo que a baixa ainda não tenha se concretizado

A Selic, taxa básica de juros, está no nível mais baixo da história, em 6,5% ao ano, mas analistas do mercado financeiro já têm em vista um novo ciclo de cortes que deve mexer com o cenário de investimentos no País. Embora a possibilidade de uma queda da taxa já fosse apontada há meses por alguns analistas, o corte já este ano só entrou no relatório Focus, elaborado pelo Banco Central, na semana passada.
Segundo especialistas, só essa mudança de expectativas já tem impacto sobre os investimentos, mesmo que a baixa ainda não tenha se concretizado. Além de diminuir a rentabilidade dos produtos de menor volatilidade, a descida da Selic tende a impulsionar a cotação de ativos de mais risco, inclusive na renda fixa. O preço da venda antecipada dos títulos com taxas de remuneração prefixadas, por exemplo, se beneficia do novo cenário projetado. Quem comprou no início do ano o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2045, título público que paga juros acima da inflação acumulada no período, já viu o papel se valorizar na casa dos 30%. Se desejar, esse investidor pode vender o título e embolsar o lucro.
Segundo o sócio da Novus Capital, Luiz Eduardo Portella, os títulos do Tesouro Direto devem ser os ativos mais afetados pelas decisões do BC daqui para frente, porque o preço desses papéis flutua de acordo com o comportamento das taxas de juros. Quando há redução em relação à taxa contratada na compra, o preço do título aumenta e vice-versa. Essa oscilação é mais forte para títulos de prazo maior. Se segurar o título até o vencimento, no entanto, o investidor leva a taxa combinada na compra do título. Mas Portella pondera que entrar agora nesse mercado seria pegar o movimento apenas "no meio do caminho".
[captacao]
Como esses títulos são classificados como renda fixa, a volatilidade dos valores acaba surpreendendo muita gente com menos experiência, explica a economista Patrícia Pereira, da Mongeral Aegon. Mesmo com a queda dos juros, ela avalia que os títulos públicos de maior prazo e atrelados à inflação ainda oferecem boa rentabilidade. "Mas é preciso ter em mente que eles não seguem um padrão de variação comedido. Um gargalo político no caminho da Previdência pode fazer as taxas de juros subir", alerta.
A queda prevista no Focus, de 0,75 ponto porcentual em 2019, é grande para o preço dos ativos, diz Patrícia, bem como para o planejamento dos investimentos. Para manter um mesmo objetivo em cenários anteriores, ela explica, será preciso aumentar os aportes ou buscar mais risco. "O poder multiplicador da taxa diminui, vai trabalhar menos pelo seu dinheiro."
Leia Também
Bolsa
Para Rodrigo Vaz, do Banco Fator, a oportunidade para comprar títulos já passou. "A grande maioria que já comprou está com um belo lucro." Ele avalia que o mercado de ações deve ser o principal beneficiado pela queda de juros, já que, para quem analisa fora do curto prazo os fundamentos das companhias, o valor delas aumenta. Nesse tipo de avaliação, o resultado que as empresas terão no futuro é descontado pela taxa de juros. Se ela cai, esse valor sobe, explica Vaz.
O sócio da Mauá Capital, Marcelo Lubliner, vê a Selic terminando 2019 em 5% ao ano. Já as projeções de instituições financeiras incluídas no Focus, diante da fragilidade da atividade econômica no País, passaram a trazer mediana para a Selic ao fim de 2019 de 5,75% ao ano. Nesse cenário de política monetária mais frouxa, Lubliner considera que ainda há espaço para apreciação dos ativos de risco que apostam na economia brasileira, mas que uma valorização como a que aconteceu no pós-eleições é improvável.
Manutenção
Nem todos os analistas, porém, veem queda da Selic em 2019. É o caso do Santander, que projeta uma taxa estável até o fim do ano. "A reforma da Previdência melhora as contas públicas, mas não é uma panaceia", diz o diretor de investimentos do banco, Gilberto Abreu. A capacidade ociosa da indústria seria outro fator que é superestimado, e não abre tanto espaço para inflação permanecer baixa. "Muitas máquinas ficaram obsoletas e, apesar do desemprego, falta mão de obra qualificada em alguns setores." Nessa conjuntura, a recomendação para alguns produtos de risco não deixa de acontecer, mas é menor em relação a outras casas, diz Abreu. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
DEPOIS DA BONANÇA, A TEMPESTADE
Ibovespa em choque: várias ações derretem mais de 40% após virada de Lula no segundo turno, apenas 6 sobem
26 de outubro de 2026 - 12:10BOTÃO DE PÂNICO
‘Circuit breaker’: o que é botão do pânico da bolsa, acionado após a reeleição de Lula
26 de outubro de 2026 - 10:48MODO DEFESA
Salve-se quem puder: Ibovespa pode tombar 17% após reeleição de Lula, avalia BTG; quais ações podem escapar?
26 de outubro de 2026 - 10:17NA CONTRAMÃO
Gavekal, importante casa de análise gringa, recomenda compra de ativos no Brasil após vitória de Lula; ações caem 30% lá fora
26 de outubro de 2026 - 10:01REPORTAGEM ESPECIAL
Lula venceu, e a festa da bolsa pode acabar: o que esperar dos investimentos agora?
25 de outubro de 2026 - 22:48MERCADOS
Petrobras despenca 12%, Vale cai 4% e EWZ tomba 19%: a reação imediata à vitória de Lula — e o que vem por aí
25 de outubro de 2026 - 22:28Conteúdo Empiricus
O teto do INSS hoje é de R$ 8.475,55, mas grupo de investidores recebeu o dobro com esse sistema; entenda
25 de outubro de 2026 - 11:00TOUROS E URSOS #293
Eleições podem destravar IPOs e novas emissões de dívida no Brasil? CEO da Nero Capital responde
23 de outubro de 2026 - 18:56O EFEITO DAS URNAS
Depois de lucrar com a alta do Ibovespa, tubarões se protegem no mercado, de olho em eleição mais acirrada
23 de outubro de 2026 - 17:53MERCADO DE FIIs
Fundo imobiliário ALZR11 vai ao mercado em busca de até R$ 530,5 milhões; veja os detalhes
23 de outubro de 2026 - 14:28SMALL CAPS EM ALTA
10 small caps que saltaram mais de 50% em outubro e lideram rali histórico na bolsa
23 de outubro de 2026 - 13:13NOVAS VITRINES
Allos (ALOS3) mira gestão de fundos imobiliários e vende fatias de shoppings à Kinea; confira os detalhes da parceria
23 de outubro de 2026 - 12:30AS 3 ESTAÇÕES
Ganho de até 50% em dólares: as ações que florescem na primavera da bolsa brasileira
22 de outubro de 2026 - 19:45MUDOU A META?
Meta (META) cai mais de 7% após balanço; veja 3 pontos para prestar atenção, segundo o Safra
22 de outubro de 2026 - 14:32PODCAST TOUROS E URSOS
Crescimento à vista? As oportunidades que podem surgir na bolsa e na renda fixa após as eleições
22 de outubro de 2026 - 11:00ENTRE CHIPS E TIJOLOS
A corrida da IA precisa de imóveis para data centers. E isso pode abrir espaço — e riscos — para os FIIs
21 de outubro de 2026 - 15:30ORGANIZANDO A CASA
Gigante à vista: Patria fica a um passo de unir quatro fundos imobiliários (FIIs) em um só
21 de outubro de 2026 - 11:20DECOLOU
SpaceX salta 10% após balanço, mas duas linhas do resultado servem para manter investidores ‘com os pés no chão’, diz BTG
21 de outubro de 2026 - 11:17É COMPRA
XP dá sinal verde para fundo imobiliário e recomenda compra — mas com uma ressalva
20 de outubro de 2026 - 15:07ESG