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2019-04-17T14:55:28-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Saldo do dia

Bolsonaro está menos popular, mas com 329 votos na Câmara?

Votação de projeto sobre companhias aéreas mostra expressiva votação favorável ao governo, mas isso não necessariamente vale para outros temas

21 de março de 2019
9:13 - atualizado às 14:55
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro ao lado do Presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Rodrigo Maia - Imagem: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

A quarta-feira foi de movimentada agenda política. Tivemos a reforma dos militares, pesquisa Ibope de popularidade do presidente e votação do projeto que libera capital estrangeiro no setor aéreo. Mas qual o saldo disso tudo para o governo Bolsonaro?

Começando pelo vetor “positivo”, o projeto que finalmente abre o mercado de aviação para empresas estrangeiras teve 329 votos favoráveis. Apoio expressivo para um projeto do governo e que tentou ser votado diversas vezes, mas sem sucesso. O tema entrou na pauta do Congresso em 2010, com a possibilidade de ampliação do capital estrangeiro de 20% para 49%. Com o governo Temer a proposta ganhou um toque ainda mais liberal e acabou com qualquer limite para os estrangeiros. É uma legislação mais aberta que o padrão internacional. A maioria dos mercados impõe algum limite para estrangeiros no setor aéreo.

Para dar um parâmetro, para a reforma da Previdência são necessários 308 votos. Isso quer dizer que a base está formada? De forma alguma, pois o tema em discussão é bem menos polêmico que a Previdência, mas sinaliza a possibilidade de construção de uma base forte o suficiente. A questão ainda em aberto é a que custo isso acontecerá.

Já a reforma dos militares, que prevê uma reestruturação de carreiras, resultando em economia de apenas R$ 10 bilhões, trabalha no sentido de aumentar o custo de formação dessa base de apoio.

O texto parece ter desagradado governistas e oposição e por mais especificidades que a carreira tenha, vai ser usado por outros grupos que serão prejudicados pela reforma para fazer barulho e barganha.

Já o Ibope mostrou perda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro. Difícil apontar um único “culpado”, pois a maré de notícias negativas tem sido grande. Mas se o vetor principal for a reforma da Previdência, o presidente não tem com o que se preocupar. Medidas impopulares ou pouco compreendidas geralmente estão na direção certa e resultam em dividendos políticos/eleitorais posteriores.

O próprio Plano Real se fosse colocado sob votação popular certamente seria rejeitado, pois o brasileiro estava confortável com indexações, gatilhos salariais e outras coisas impensáveis hoje.

Um amigo meu fez o melhor resumo que vi sobre essa questão de popularidade: “Minha mãe tomou medidas impopulares durante a minha infância inteira. Sou muito grato a ela”.

*Colaborou Marina Gazzoni

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