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conflito em brasília

Senadores propõem PEC que libera envio de dados ao MP sem aval judicial

Medida é uma reação à decisão do presidente da Corte de paralisar investigações que utilizaram informações do antigo Coaf, da Receita e do Banco Central

Ministro Dias Toffoli. - Imagem: Nelson Jr./SCO/STF

Às vésperas de o Supremo Tribunal Federal (STF) iniciar julgamento sobre o compartilhamento de dados de órgãos de controle, um grupo de 29 senadores apresentou uma proposta de emenda constitucional (PEC) para liberar o envio de dados ao Ministério Público sem a necessidade de autorização judicial prévia.

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A medida, encabeçada pelo senador Marcos do Val (Podemos-ES), é uma reação à decisão do presidente da Corte, Dias Toffoli, de paralisar investigações que utilizaram informações do antigo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) - rebatizado como Unidade de Inteligência Financeira (UIF) -, da Receita e do Banco Central sem aval da Justiça.

Toffoli decidiu em julho - ao atender a um pedido do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) - que deveriam ser suspensos todos os casos em que os órgãos de controle compartilharam dados fiscais e bancários com o Ministério Público sem antes ter a permissão de um juiz. O saldo é de 935 procedimentos de investigação, inquéritos e ações penais paralisados em todo o País, segundo informou na segunda-feira, 18, o Ministério Público Federal.

O plenário do Supremo se reunirá nesta quarta-feira, 20, para decidir se mantém ou não a decisão de Toffoli e definir o alcance da medida. A tendência, segundo o jornal O Estado de S. Paulo apurou, é de que a liminar seja confirmada.

"Cremos ser papel do Parlamento se antecipar ao STF para trazer luzes à controvérsia", afirmam os senadores no texto de justificativa da PEC. Parte deles compõe o movimento Muda Senado, grupo que tem como bandeira o impeachment de ministros do STF e a CPI da Lava Toga, com foco na atuação dos magistrados.

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Apesar da intenção dos parlamentares de se antecipar ao STF, a presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Simone Tebet (MDB-MS), defende aguardar o julgamento de quarta-feira para dar andamento à proposta. Ela disse à reportagem que deve definir um relator para a PEC no dia seguinte.

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"Se o Supremo entender que os compartilhamentos de informações pelos órgãos de controle não podem ser feitos sem autorização judicial. Então nós vemos de que forma podemos aproveitar o projeto do senador Marcos do Val e adequar a um texto que possa garantir a possibilidade, através de lei - e quem faz lei é o Legislativo, não é o Judiciário", acrescentou Simone Tebet.

A PEC não descarta a intermediação do Judiciário nos procedimentos. Mas estabelece que cabe às autoridades "comunicar ao juiz competente, para fins de ciência" o compartilhamento de informações fiscais e bancárias para fins penais. Reforça a necessidade de preservação do sigilo desses dados.

"A regra é o respeito às informações confidenciais dos cidadãos, destacadamente aquelas que contenham reflexos financeiros, todavia, referido sigilo não deve se estender ao ponto de obstaculizar a investigação de atos ilícitos pela autoridade administrativa competente", afirmam os senadores.

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A PEC foi protocolada dias antes de se tornar pública outra decisão do ministro Dias Toffoli, que ordenou à Receita Federal e à Unidade de Inteligência Financeira - cópias de documentos elaborados ao longo dos três últimos anos. Foram disponibilizados ao presidente do Supremo relatórios de inteligência financeira (RIFs) do Coaf e as representações fiscais para fins penais da Receita.

Autor da proposta, senador Marcos do Val afirmou ao Estado que é preciso velocidade e independência para os órgãos de investigação. Segundo ele, a decisão de Toffoli que pediu cópia de dados da Receita e do Coaf é um motivo a mais para aprovação da emenda à Constituição.

"Eu acredito que com essa decisão do Toffoli também vai ser mais uma pressão para que a PEC seja aprovada. É mais um argumento que o Congresso tem de disciplinar", disse o parlamentar.

Segunda instância

No mesmo dia em que o Supremo se reunirá para discutir o compartilhamento de dados, a CCJ vai discutir outra PEC, esta sobre a execução da pena a partir da condenação em segunda instância. A proposta também foi pautada após a Corte julgar o tema e decidir que a prisão só é possível após esgotados todos os recursos - o chamado trânsito em julgado.

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Simone Tebet disse acreditar que tanto essa medida quanto PEC do compartilhamento de dados têm condições de serem aprovadas. "A gente tem que combater fazendo nosso papel que é legislar. É o que nós vamos fazer em relação à segunda instância e podemos fazer em relação ao Coaf. O Supremo decidiu que a lei posta impedia a prisão em segunda instância. Quem faz lei é o Congresso Nacional, que pode alterar essa lei, observados os preceitos da Constituição", disse a presidente da CCJ.

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