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DISPUTA PRESIDENCIAL

Eleições podem ser decididas no primeiro turno? Abstenções pesam, mas analista vê caminho para vitória antecipada

A diretora executiva do Ideia Instituto de Pesquisa avaliou que Lula enfrenta maior resistência do eleitorado para alcançar um quarto mandato

Bandeira do Brasil pendurada em uma parede ao fundo da imagem. Em primeiro plano, a cabine de votação das eleições no Brasil.
Imagem: iStock\ Marcio Binow Da Silva

A última vez que o Brasil viu um presidente ser eleito no primeiro turno foi Fernando Henrique Cardoso quem ganhou a corrida eleitoral, em 1994, ocupando o Palácio do Planalto. Apesar de ser um acontecimento raro na política, a diretora executiva do Ideia Instituto de Pesquisa, Cila Schulman, avalia que os eleitores podem voltar a ver a vitória antecipada na disputa presidencial de 2026.

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Durante evento na XP Expert, realizado na sexta-feira (24), ela avaliou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entra na corrida sem concorrentes no campo da esquerda, o que ajuda a concentrar os votos dos eleitores.

"Esse cenário não costuma acontecer. Normalmente, há outros candidatos representando a esquerda, como aconteceu nas últimas eleições, nas quais os votos foram divididos entre figuras como Ciro Gomes e Simone Tebet", afirmou.

Além disso, destacou que, segundo mostram as pesquisas eleitorais recentes, os eleitores que abandonaram o candidato e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não migraram para outro candidato e, sim, para a indecisão. Caso essa parcela da população decida realmente votar nulo ou branco, isso reduziria a dispersão de votos no primeiro turno.

Schulman ressaltou também que o mercado ainda não colocou essa possibilidade na conta.

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O peso das abstenções nas eleições

Por outro lado, a analista avaliou que Lula enfrenta maior resistência do eleitorado neste momento. "Há mais brasileiros que pensam que o presidente não merece um novo mandato", afirmou.

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Já Felipe Nunes, CEO da Quaest, que também estava presente no evento, enxerga que "Lula está longe de ter hoje a vantagem que experimentou sobre Jair Bolsonaro na disputa de 2022".

O especialista ressaltou ainda que a oscilação negativa de Flávio nas pesquisas não está gerando aumento nas intenções de votos no atual presidente. "Há mais indecisão, o que pode alimentar a campanha do Lula, mas pode não acontecer também".

Para Nunes, o debate será essencial para analisar esse cenário, uma vez que há candidatos que podem performar bem nas discussões.

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Além disso, avaliou que as abstenções são mais recorrentes entre o eleitorado do petista. Segundo Nunes, embora a base de apoio do presidente e do Flávio enfrentem baixo sinais de engajamento, os eleitores de Lula costumam apresentar menor índice de participação nas eleições.

O CEO da Quaest abordou ainda a questão do constante crescimento que o Brasil vive da abstenção ao longo dos últimos pleitos. Ele enxerga que esse movimento já foi determinante em disputas anteriores e deve voltar a pesar na corrida eleitoral de 2026.

O presidente do Conselho Científico do Ipespe, Antônio Lavareda, reiterou a perspectiva de Nunes. Durante painel na XP Expert, ele defendeu que a abstenção segue como o principal obstáculo para Lula, repetindo um padrão observado em pleitos anteriores.

"No final, o candidato que tiver o eleitorado mais entusiasmado será o vencedor", disse Lavareda.

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