Menu
2019-09-10T12:16:01-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Economia

Ministério da Economia tem projeção de crescimento de 0,85% para 2019

Cenário externo, baixa produtividade e fragilidade fiscal são maiores riscos à economia brasileira. Para secretário, setembro marca começo de novo período na economia

10 de setembro de 2019
10:04 - atualizado às 12:16
Paulo Guedes
Imagem: Edu Andrade/ASCOM/Ministério da Economia

A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia atualizou as projeções para o crescimento da economia. Agora em 2019, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deve ser 0,85%, contra 0,81% estimados anteriormente.

A principal mensagem transmita pelo secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida, é que setembro marca o começo de um novo período.

“Agosto encerra um ciclo extremamente difícil da economia, mas a partir de setembro poderemos observar uma retomada com mais consistência, passo a passo, da economia brasileira”, disse.

Sachsida reforçou que mudanças não acontecem em saltos, mas sim de forma consistente. “Temos de colocar o Brasil em trajetória de crescimento sustentado de longo prazo. Indicadores devem mostrar recuperação de forma consistente”, afirmou.

Contudo, ponderou o secretário, três desafios nos esperam. Um importante, um urgente e outro de conjuntura.

O desafio importante, segundo ele, é a perda de produtividade da economia, sem recuperar a produtividade, não haverá crescimento sustentável.

Segundo Sachsida, políticas econômicas equivocadas derrubaram a produtividade. Ele disse que apesar das críticas de que essa é a recuperação mais lenta de uma crise, “não é bem assim”.

“Políticas equivocadas simplesmente acabaram com o crescimento da produtividade”, disse, apresentando dados que mostram queda de 0,7% da produtividade total dos fatores entre 1990 e 2009. Entre 2007  e 2017, a queda foi ainda mais acentuada, de 2,11%.

O problema, segundo Sachsida, é a má alocação de recursos promovida por políticas anteriores.

“É um país que precisa de hospital e constrói estádio. São medidas erradas que continuam custando dinheiro todo o ano para o governo.”

O desafio urgente é a questão fiscal. E o desafio de conjuntura é a revisão para baixo nas projeções de crescimento global.

Essa recuperação da atividade a partir de setembro seria resposta aos efeitos iniciais do corte de juros, elevação da confiança e início da liberação dos saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Para a SPE, o cenário externo apresenta-se sob estresse cada vez mais nítido, com redução de projeções de crescimento para este ano e o próximo. Tal fator, somado à baixa produtividade interna, que reduz o crescimento potencial, e à situação fiscal deteriorada, são os componentes de maior risco à econômica brasileira.

Questionado o que leva o governo a acreditar em uma nova fase agora em setembro, Sachsida disse que não é apenas a liberação do FGTS e do PIS/Pasep, mas sim a alocação desses recursos. "Tinha uma parcela de recursos excedente em um lugar e transferindo para os trabalhadores eles vão alocar esse dinheiro de forma mais eficiente."

Segundo Sachsida, temos outras medidas maturando. "Estamos às vésperas da aprovação da Previdência. Isso mostra que o país está tomado das medidas para corrigir o problema fiscal. O governo é firme no fiscal. O teto fica de pé, o primário fica de pé, regra de ouro fica de pé. Manter o ajuste pelo lado da despesa mantém credibilidade."

O secretário também falou de outras medidas microeconômicas e de melhoria de ambiente de negócios, como a lei da Liberdade Econômica e revisão de normas regulamentadoras do trabalho.

FGTS

O boletim da SPE também trouxe alguns dados sobre o saque do FGTS, que começa na sexta-feira.  O total de beneficiados neste mês é de 11,7 milhões. Receberão primeiro os correntistas da Caixa e 98,3% dos trabalhadores que fazem aniversário entre janeiro e abril e têm contas na Caixa receberão quase R$ 5 bilhões em 13 de setembro. Dos 33 milhões de trabalhadores que receberão diretamente por suas contas na Caixa, apenas 1,7% optou por não receber o dinheiro.

Segundo dados da Caixa, será liberado para saque o montante total de R$ 28 bilhões em 2019, e R$ 12 bilhões em  2020. No total, o valor disponibilizado equivale a 0,58% do PIB e 18,6% da renda habitual média das pessoas que estavam trabalhando no começo de 2019.

Para a SPE, a medida é particularmente importante para as pessoas que trabalham ou desejam trabalhar e que possuem rendimento habitual mensal de até R$ 500. A quantidade de brasileiros nessa condição totaliza aproximadamente 35 milhões de pessoas, equivalendo a um percentual de 31% das pessoas que trabalham ou desejam trabalhar.

Também é esperado que as famílias paguem dívidas. Segundo o SPC Brasil, 37% dos indivíduos com nome negativado possuem dívidas no valor de até R$ 500. Essa fração corresponde a 23 milhões de pessoas que poderão liquidar seus débitos e limpar seu nome caso tenham saldo suficiente na conta do FGTS.

 

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

Ainda falta chão...

Reforma administrativa dá mais um passo na Câmara dos Deputados

O relator leu hoje seu parecer pela constitucionalidade da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ); votação deve ocorrer a partir do dia 20

Novo momento

Fertilizantes Heringer registra prejuízo líquido de R$ 7,46 milhões no 1º tri

Empresa teve melhor Ebitda da história para um primeiro trimestre, mas resultado foi impactado por despesas financeiras

na b3

GetNinjas estreia em queda na bolsa, após IPO com ação abaixo do previsto

Empresa levantou R$ 550 milhões na oferta inicial de ações, com desconto de quase 20% do valor do papel em relação ao preço mínimo da faixa

Diversificando

BTG Pactual lança fundo de investimento 100% em bitcoin

O lançamento vem em linha com a diversificação de ativos oferecidos pelo banco

Exile on Wall Street

Um investidor conservador sabe que uma boa ação tem seus defeitos

“Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta.” Se o sábado é uma ilusão, a segunda-feira deve ser a mais dura e fria realidade. Começamos a semana com Nelson Rodrigues. O conservador é um cético na capacidade de grandes revoluções oferecerem um futuro não testado que seja superior ao que sobreviveu ao teste […]

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies