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Na comparação com novembro, a alta foi de 99 mil barris por dia (bpd), para uma média de 2,67 milhões de bpd, segundo a Opep
A produção brasileira de petróleo em dezembro do ano passado foi a maior desde junho de 2017, segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) informou nesta terça-feira, 12.
Na comparação com novembro, a alta foi de 99 mil barris por dia (bpd), para uma média de 2,67 milhões de bpd.
Esse volume, de acordo com o relatório mensal da instituição que tem sede em Viena, representou um incremento de 54 mil bpd na comparação com dezembro de 2017, também a maior elevação nessa comparação ao longo de 2018.
A entidade destacou que os dados preliminares da produção de petróleo bruto mostram um crescimento adicional de 38 metros cúbicos por dia em janeiro de 2019, para uma média de 2,70 milhões de barris por dia.
"A principal razão para esta produção extra foi o retorno da produção na Bacia de Campos, devido à maior oferta de petróleo do campo Tartaruga Verde, que agora está conectado ao FPSO (plataforma flutuante) Cidade dos Campos dos Goytacazes por meio de novos poços", explicou a Organização no documento.
Apesar do aumento da produção de petróleo bruto no quarto trimestre de 2018 em 9 mil bpd em relação ao trimestre anterior, a Opep salientou que a produção brasileira de petróleo bruto diminuiu em 4 mil bpd, para 2,58 milhões de bpd em 2018. A instituição atribuiu a queda à "manutenção pesada" feita no verão passado e a grandes taxas de declínio de produção em campos da Bacia de Campos, juntamente com o início atrasado de vários projetos do pré-sal na Bacia de Santos.
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"A produção brasileira não aumentou no ritmo previsto no começo do ano, mas a nova produção está finalmente chegando. A produção inicial por meio do FPSO P-69 no Campo de Lula, na Bacia de Santos, no final de outubro, foi a segunda de sete instalações planejadas de produção no campo de Lula, o que lhe permitirá produzir 1 milhão de bpd até 2020", previu.
A Opep também relatou que a Petrobras produziu uma média de 2,03 milhões de bpd no Brasil no ano passado, um pouco abaixo da meta da empresa de 2,1 milhões de bpd.
O relatório mostra ainda que a Opep manteve suas projeções para a produção brasileira tanto em 2018 como em 2019. A Organização estima que a oferta doméstica deste ano deve ser de 3,26 milhões de barris por dia (bpd) e, para 2019, de 3,63 milhões de bpd. Este é o terceiro mês consecutivo em que não há alterações feitas nas estimativas em relação ao abastecimento nacional.
A previsão da Opep para o suprimento pelo Brasil em 2018 revela um incremento de apenas 10 mil barris em relação a 2017, quando a oferta total foi de 3,25 milhões de bpd.
O documento detalhou que também não houve alteração em relação à expectativa de produção de 3,2 milhões de bpd no terceiro trimestre e de 3,3 milhões de bpd no quarto. Para 2019, a Organização seguiu com os números apresentados nos relatórios de dezembro e janeiro: abastecimento de 3,5 milhões de bpd no primeiro e no segundo trimestres, e elevação para 3,6 milhões de bpd no terceiro e para 3,9 milhões nos últimos três meses do ano.
Citando dados da Secretaria de Comércio Exterior, o relatório enfatizou que 1,12 milhão de bpd foram vendidos no exterior pelo Brasil no ano passado, o que corresponde a um aumento de 13,3% em relação a 2017. "O Brasil nunca exportou tanto petróleo bruto como em 2018", constatou a Organização, lembrando que o número representa cerca de 40% de toda a produção anual.
Os principais compradores do petróleo brasileiro em 2018 foram China (56,5%), Estados Unidos (11,9%) e Chile (8,43%).
O documento também trouxe que a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, estimou que a produção de petróleo nas regiões do pré-sal dobrará nos próximos oito anos e que o País se tornará um dos cinco maiores exportadores do mundo.
Para a entidade, a oferta de petróleo brasileiro poderá aumentar "substancialmente" em 2019 se plataformas que estão atrasadas para entrar em operação e outras instalações programadas começarem a funcionar durante o ano. Pela expectativa da Opep, o abastecimento do Brasil deverá aumentar em 360 mil bpd, para uma média de 3,63 milhões de bpd em 2019.
O avanço é apoiado em grande parte, segundo a instituição, pela expansão sul de Lula (P-69) e o início da produção em Berbigão/Sururu (P-68) e Lula Norte (P-67) no primeiro trimestre deste ano. A Organização recordou que a previsão era de que a Petrobras deveria iniciar a produção da plataforma P-68, no campo Berbigão, até o final de 2018.
A empresa, no entanto, começou a produzir 150 mil bpd a partir da plataforma P-75 no campo pré-sal de Búzios no início de novembro. A Petrobras espera que Búzios atinja 360 mil bpd até o fim de 2019.
A Opep também lembrou que o regime de cessão onerosa confere à Petrobras direitos exclusivos para explorar e produzir até cinco bilhões de barris de óleo equivalente na Bacia de Santos.
Segundo a Petrobras, a P-75 é a quarta plataforma a iniciar a produção em 2018, após a da Cidade Campos dos Goytacazes, no campo Tartaruga Verde, a P-69, no campo de Lula, e a P-74, no campo de Búzios.
"Essas plataformas, juntamente com a P-67, que já está localizada no campo de Lula, e a P-76, que deve ir ao campo de Búzios em dezembro, concluirão os seis sistemas planejados para este ano no Brasil, contribuindo para o aumento de Produção da Petrobras em linha com o Plano de Negócios e Gestão 2018-2022 da empresa", ressaltou.
A expectativa da Opep de ampliação do suprimento pelo Brasil este ano não é nova e deve influenciar fortemente o resultado da América Latina, de acordo com a entidade. Para 2019, a previsão é de um crescimento anual de 340 mil bpd na região, devido a novas produções no Brasil. Para os países em desenvolvimento, a Organização projeta um crescimento de 330 mil bpd na oferta de petróleo, para uma média 13,76 milhões de bpd.
O esperado crescimento no ano da América Latina, África e Oriente Médio será, no entanto, parcialmente compensado pelos declínios contínuos esperados na região da Ásia, segundo a instituição.
Dados do documento também mostram que o crescimento da demanda por petróleo em 2018 no Brasil ficou estável. Qualitativamente, a Opep observou que houve elevações da demanda por etanol e destilados compensadas por quedas no consumo de gasolina e óleo combustível ao longo do ano passado.
Especificamente sobre dezembro do ano passado, a Opep informou que houve um aumento do uso da commodity de 60 mil barris por dia (bpd) na comparação com dezembro de 2017, o que representou um acréscimo de 2% nessa comparação, para 2,65 milhões de bpd. Este é o terceiro mês consecutivo que a Organização registrou crescimento da demanda por petróleo no Brasil.
O desempenho misto, segundo a instituição, foi observado entre os produtos com maiores ganhos, como etanol e diesel, e incrementos menores, como no caso de querosene para aviões e nafta. A Opep comentou que a competição de viabilidade econômica entre a gasolina e o etanol continuou favorecendo a demanda de etanol sobre a gasolina durante o mês de dezembro. Esse quadro, mostra o relatório, gerou um aumento no consumo do primeiro combustível em mais de 110 mil bpd, enquanto o de gasolina recuou "drasticamente" em 80 mil bpd.
"Na América Latina, o crescimento da demanda por petróleo foi menor do que o esperado em meio à turbulência econômica na Argentina e no Brasil", mencionou a entidade, citando que, entre os países que não fazem parte da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o grupo "Outra Ásia" apresentou uma expansão robusta na demanda de petróleo no ano passado, seguindo fortes exigências na Índia, Indonésia, Cingapura e Tailândia.
A demanda por petróleo na Índia registrou ganhos notáveis, apoiados por robusta atividade econômica e sólidas vendas de veículos comerciais e de passageiros, bem como projetos de expansão do governo, particularmente na construção de estradas.
Na China, o consumo também permaneceu firme, de acordo com a Opep, apesar dos sinais de desaceleração no quarto trimestre, com a redução do ritmo econômico geral e em meio a um forte declínio nas vendas de veículos. No Oriente Médio, políticas de transformação econômica, incluindo reduções de subsídios e aumento de tarifas, empurraram o crescimento da demanda de petróleo para território negativo pela primeira vez desde 1989.
*Com Estadão Conteúdo.
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