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Angela Bittencourt
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Angela Bittencourt
é jornalista e editora da Empiricus
2019-04-18T16:41:00-03:00
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Baixou o Sarney na Petrobras?

Nova forma de anunciar reajuste faz lembrar das orientações do então presidente para apresentar taxas de juros ao mês e não mais ao ano

18 de abril de 2019
13:23 - atualizado às 16:41
Retrato do ex-presidente do Brasil, José Sarney, durante entrevista em seu gabinete no Senado, em Brasília, em 2014.
Retrato do ex-presidente do Brasil, José Sarney, durante entrevista em seu gabinete no Senado, em Brasília, em 2014. - Imagem: ANDRE DUSEK/ESTADÃO CONTEÚDO

Como você se sente pagando 6% a mais para completar o tanque? Os caminhoneiros estrilaram com a perspectiva de aumento do preço do óleo diesel em 5,7%. E se eu contar que você gastará R$ 0,10 a mais por litro? Você está se sentindo melhor? Tenho certeza que está!

Pagar centavos a mais por qualquer coisa parece pesar menos no bolso, ainda que os centavos sejam equivalentes a uma variação percentual que parece um exagero...

Meu colega Eduardo Campos, repórter do Seu Dinheiro, lembra que a denominação de reajustes tem impacto diferente quando se referem a desembolsos ou ganhos para o cidadão. Diz ele que as pessoas interpretam diferente “entradas” e “saídas” de caixa. Provocador, soltou essa: “Não é melhor saber que o seu salário vai subir 10%? Ou você prefere um aumento de R$ 100,00?”

Devo reconhecer que ele tem razão.

Tenho certeza que o Edu não faz bico na Petrobras, mas o comando da empresa pensou como ele antes que seu presidente, Roberto Castello Branco, começasse a entrevista coletiva convocada ontem no início da noite.

Castello Branco reafirmou que a Petrobras tem liberdade para executar sua política de preços. Ele anunciou um aumento mínimo do diesel de 4,518% e máximo de 5,147%. Um acréscimo de R$ 0,10 por litro nos 35 postos de abastecimento em que a petroleira vende o combustível.

A informação de que a Petrobras passará a divulgar reajustes de preços em reais por litro e não mais em percentuais me fez lembrar imediatamente uma providência tomada, em meados da década de 1980, pelo Ministério da Fazenda do governo Sarney.

Naquele tempo de inflação de três dígitos (ou mais) ao ano, o governo tentou por todos os meios fazer com que o mercado financeiro e a imprensa especializada passassem a considerar a taxa “overnight” ao mês e não mais ao ano.

Sei disso porque recebi essa orientação que nunca colou.

O juro “overnight” saiu de moda...

Na década de 1990, com a criação do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), essa taxa de referência para operações com títulos públicos foi rebatizada como Selic – sempre cotada ao ano.

Embora a conversão não seja semelhante a uma variação percentual transformada em variação financeira, taxa Selic ao mês ou ao ano produz impressões diferentes.

Não é verdade que 6,5% parece muito maior que 0,54%?

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