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Eduardo Campos

Eduardo Campos

Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.

Seu dinheiro no domingo

Você prefere comprar ações baratas ou que estão em alta?

Setembro viu um movimento de rotação entre essas categorias de ações, com grandes investidores trocando momentum por value. Calma que vamos explicar

Eduardo Campos
Eduardo Campos
13 de outubro de 2019
9:59 - atualizado às 10:53
O megainvestidor Warren Buffett
O investidor bilionário Warren Buffett, um dos homens mais ricos do mundo - Imagem: Shutterstock

Vou usar o relatório de gestão da Persevera Asset para tratar de algo que certamente o leitor viu ou ouviu falar em algum momento de setembro.

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Tanto aqui quanto no mercado externo tivemos notícias e relatórios sobre uma troca, uma rotação entre duas grandes categorias de ações. Os investidores estavam vendendo ativos de momentum e comprando ações de value. Mas o que isso quer dizer?

Depois de muita pesquisa, observação e análises, os especialistas em mercado foram capazes de identificar os chamados fatores de riscos, um conjunto de características que faz com que alguns ativos tenham comportamento semelhante entre si. Entre os fatores de risco mais importantes já identificados estão, justamente, o value e momentum.

De forma coloquial, podemos falar que as ações classificadas como value são aquelas consideradas “baratas”. Segundo a Persevera, uma forma de saber se uma ação está “barata” é descobrir se seu preço está baixo em relação a alguma métrica que busca replicar o valor intrínseco da empresa.  No caso de ações, a relação preço da ação sobre lucro (em inglês, Price/Earnings ou P/E) costuma ser a métrica mais utilizada. Quando uma ação apresenta um baixo P/E, podemos considerar que ela está “barata” em comparação com o lucro que gera.

Historicamente, esse fator de value é associado a uma performance positiva. É o famoso comprar “barato” para vender “caro”. Um dos maiores expoentes do que seria o “value investing” é o bilionário Warren Buffett.

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O fator momentum está relacionado à tendência de alta nos preços de uma determinada ação. São ativos que apresentaram retornos positivos no passado recente (últimos três, seis ou 12 meses).

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Apesar de contra intuitivo, diz a gestora, principalmente para quem acredita em investir em ativos “baratos”, os estudos mostram que historicamente o fator momentum também é associado a uma performance positiva.

O duelo value x momentum

Embora os dois fatores apresentem retornos positivos, eles não necessariamente são positivos ao mesmo tempo. De fato, a correlação é negativa. Quanto maior o retorno das ações “da moda”, menor o ganho das ações que seriam “baratas”.

Segundo a Persevera, do ponto de vista da decisão de investimentos, é como se fosse um duelo entre comprar o que caiu e portanto parece “barato” ou investir no que tem subido e, apesar de parecer “caro”, pode continuar apresentando valorização por conta de contínuo crescimento de lucros ou fluxo de notícias positivo, que reforçam o movimento de alta.

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Aposto que o leitor já tem alguns segmentos ou mesmo empresas que se encaixam nessas categorias. As grandes empresas de tecnologias e as fintechs sem lucro estão mais para momentum ou value? E mineração ou serviços de utilidade pública? Construção? E os bancões versus bancos digitais?

Se o leitor não está familiarizado com o investimento em ações, segue o link para um e-book sobre investimentos em bolsa de valores.

Tendências e oportunidades

De acordo com a Persevera, observar a dinâmica desses fatores pode ser uma forma de identificar tendências ou oportunidades no mercado.

“Percebemos que nos últimos 10 anos momentum vem apresentando uma performance sistematicamente superior a value, e essa performance se tornou mais acentuada desde o início de 2017”, diz a gestora.

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O que aconteceu em setembro, foi uma firme reversão dessa tendência. O fator momentum caiu aproximadamente 30% em relação a value, seguido por uma recuperação parcial até o fechamento do mês.

Segundo a Persevera, esse movimento pode ter sido apenas um ajuste de mercado, uma realização de lucros como sempre ocorre, influenciado por eventos específicos do mês como a tentativa fracassada de abertura de capital do WeWork nos EUA.

A empresa de compartilhamento de escritórios, que se preparou para um IPO de US$ 47 bilhões, acabou desistindo da oferta. Segundo a gestora, esse evento levantou o debate sobre as excessivas precificações atribuídas aos investimentos em startups de tecnologia.

“Essas empresas parecem estar sendo precificadas em níveis profundamente descolados de seus fundamentos, ou embutindo premissas de crescimento extremamente agressivas.”

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Ainda de acordo com a Persevera, após 10 anos de desempenho superior, é possível arriscar a hipótese de que o próprio fator momentum esteja esticado em relação a value. Com isso, poderemos ver o início de uma correção mais secular no desempenho das duas categorias de ações.

Como a casa de gestão é naturalmente inclinada a ter posições com características de value, a confirmação dessa tendência seria boa notícia para o fundo Persevera Compass.

“São Martinho, Vale e Qualicorp são exemplos de investimentos que temos em nossa carteira de ações e que acreditamos terem essas características.”

O fundo terminou o mês com alta de 2,08%, contra 0,46% do CDI, e a gestora avalia que o bom resultado tem se materializado mesmo num contexto no qual essa rotação momentum por value tem ficado em segundo plano.

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