Saldo de investimento estrangeiro em ações é o menor desde 1995
Dados do Banco Central mostram uma saída de US$ 2,591 bilhões entre janeiro e setembro. Resultado negativo é inédito na série histórica

O ingresso de investimento estrangeiro para o mercado de ações do Brasil ficou negativo em US$ 651 milhões em setembro, elevando a saída do ano a US$ 2,591 bilhões. Uma olhada nas séries históricas do Banco Central (BC) nos mostra que essa saída é inédita na série história iniciada em 1995 considerando essa janela de nove meses.
Os dados do BC diferem daqueles divulgados pela B3 sobre investimento estrangeiro em ações, pois captam movimentos no balanço de pagamento, entradas e saídas do país. Já os números da B3 captam compras e vendas no mercado secundário e primário e não o ingresso ou remessa de dinheiro para fora do país. O gringo pode vender ações, mas comprar títulos, por exemplo, deixando o dinheiro no país.
Olhando esse saldo em 12 meses, temos uma saída de US$ 5,345 bilhões, menor que os US$ 6,448 bilhões nos 12 meses até agosto, mas ainda entre as piores leituras desde meados de 2009.
De fato, o fluxo gringo para o mercado de ações perde ímpeto desde meados de 2015, quando os fluxos em 12 meses caíram abaixo da linha dos US$ 10 bilhões. Para dar um parâmetro, em 2010, na recuperação da crise global, esses fluxos vinham firmes acima dos US$ 40 bilhões.
Em suma, os dados do BC complementam a história que já sabemos. É o ímpeto comprador do investidor local que dá sustentação à valorização da bolsa brasileira.
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Renda fixa
No mercado de títulos de renda fixa negociados no país, a história contada pelos números do BC é um pouco diferente. No acumulado no ano até setembro, os ingressos somam US$ 4,641 bilhões, mesmo após a saída de US$ 3,434 bilhões no mês passado. Entre janeiro e setembro do ano passado, a entrada era de modestos US$ 338 milhões.
Esse mercado ensaia uma recuperação, mas o fato é ele mudou de patamar desde a perda do grau de investimento em 2015, quando fluxos em 12 meses que chegavam a US$ 40 bilhões (abril de 2014) viraram saídas de mais de US$ 25 bilhões (dezembro 2016).
Em tempo, o BC trabalha com uma projeção de ingresso zero para o mercado de ações agora em 2019 e entrada de US$ 12 bilhões em renda fixa.
Investimento direto
Se os investimentos em carteira (ações e renda fixa) parecem pouco animadores, outro tipo de dinheiro, visto como mais comprometido com o longo prazo se sustenta em patamares relativamente elevados.
O Investimento Direto o País (IDP) somou US$ 6,3 bilhões em setembro e acumula US$ 70,382 bilhões nos últimos 12 meses, o equivalente a 3,85% do Produto Interno Bruto (PIB).
Tal patamar de IDP é mais que suficiente para financiar o déficit em transações correntes, que está em trajetória de ampliação captando a perda de dinamismo da balança comercial e aumento nas remessas de lucros e dividendos. O déficit está em US$ 37,435 bilhões nos últimos 12 meses, maior desde o começo de 2016, ou 2,05% do PIB.
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