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A falta de notícias concretas sobre temas fiscais foi um dos motivos para os ativos andarem “de lado” e com liquidez reduzida
A Bolsa de valores de São Paulo teve um dia de montanha russa, subindo e descendo a todo momento. A falta de notícias concretas sobre temas fiscais, em especial a reforma da Previdência, foi um dos motivos para os ativos terem andado "de lado" e com liquidez reduzida nesta quarta-feira. A ação ordinária da Petrobras chegou a bater máximas durante a tarde, mas a queda de alguns bancos, como o Itaú Unibanco PN, limitou um melhor desempenho do Ibovespa, que tentou se firmar acima dos 94 mil - o que só aconteceu nos últimos suspiros do pregão. No finalzinho, o Ibovespa deu uma estilingada e fechou na máxima do dia, com alta de 0,36%, a 94.393 pontos. O dólar fechou a quarta-feira em alta de 0,08%, negociado a R$ 3,73.
O que ajudou na disparada final do Ibovespa ao 48 do segundo tempo foi o Livro Bege do Federal Reserve (Fed). O banco central americano destacou que a maioria dos 12 distritos dos EUA apresentou modesto a moderado crescimento no setor não financeiro, embora alguns deles apontaram que a expansão neste segmento produtivo desacelerou. "O setor de energia avançou em ritmo menor e baixos preços de energia contribuíram para um recuo das expectativas de investimentos da indústria." O investidor considerou o comentário bem positivo e fez comprinhas de última hora. Isso fez disparar algumas blue chips, como Petrobras ON, que subiu 0,81%, Vale ON, com alta de 0,57% e Bradesco PN, com 0,48%.
No bloco financeiro, o resultado foi ruim: Banco do Brasil ON fechou em queda de 0,95%, Itaú PN ficou com baixa de 0,29% e as units do Santander encolheram 0,64%. Glauco Legat, analista chefe da corretora Necton Investimentos, disse que o mercado está na expectativa da divulgação dos balanços relativos ao quarto trimestre do ano passado. "Estou confiante de que os bancos terão uma boa performance, mas só não aposto na compra porque isso já está embutido no preço. Revisarei as estimativas se houver uma melhora ainda maior do que eu esperava".
Maior alta do Ibovespa, as ações da Cosan subiram 4,90%. Os investidores repercutem a informação divulgada na imprensa de que o controlador da empresa, Rubens Ometto, estaria lançando uma versão do Alipay para processar pagamentos (de combustível ou de gás) e transferência via smartphone. Seria uma aposta que poderia poupar o grupo do pagamento de milhões em taxas e ainda melhorar a sua posição no cenário das fintech, em expansão do Brasil. "É um negócio diferente do que a companhia está habituada", afirmou um operador.
Outro destaque entre as maiores altas foi a Suzano ON, que ampliou o rali da véspera (8,46%) e subiu 4,40%. Bruno Madrugada, sócio e chefe de renda variável da Monte Bravo, explica que a perspectiva para a empresa é "muito positiva, após a conclusão da fusão com a Fibria, uma vez que ela ganha mercado em um momento de projeção de recuperação do preço da celulose no mercado internacional". A projeção é que o preço da celulose, atualmente em torno de US$ 640 a tonelada, suba US$ 100 até o final de 2019.
As ações da Embraer tiveram queda de 1,19% depois da empresa ter anunciado uma piora nas estimativas para 2018 de sua receita líquida, Ebitda, Ebit e margem Ebit (operacional), além de diminuição nas entregas de jatos executivos, em relação ao previsto anteriormente, em março do ano passado. No entanto, a queda foi limitada, uma vez que a empresa informou também que deverá pagar aos acionistas dividendo de aproximadamente US$ 1,6 milhão após o término da operação com a Boeing.
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Os papéis de siderúrgicas não sofreram impacto significativo, após a União Europeia aprovar a imposição de novas barreiras contra o aço brasileiro e de outros exportadores, com um total de 26 produtos siderúrgicos taxados. De acordo com Sabrina Cassiano, analista da Coinvalores, a notícia não impacta fortemente as empresas do setor, já que "elas exportam pouco para a Europa". Segundo ela, a medida pode até beneficiar as empresas no curto prazo, "uma vez que o preço do aço deve subir", mas destaca que essas taxas no longo prazo poderia prejudicar o desempenho como um todo. As ações ON da CSN subiam 3,33%, as PNA da Usiminas avançaram 2,57%.
Após recuarem com força na sessão anterior, as ações da Taurus...
...continuaram recuando com toda força hoje. Tudo porque aconteceu o que os investidores que compraram os papéis da companhia jamais imaginavam: o governo de Jair Bolsonaro quer a quebra do "monopólio" da Taurus, a principal fabricante de armas no País. Além disso, hoje pela manhã, a empresa informou que ontem, o seu controlador, a Tauruspar Participações, vendeu quase 1,2 milhão de ações da companhia em uma operação que superou R$ 7 milhões. As ações cairam mais de 25% hoje.
Papéis de varejistas se destacam entre as maiores altas, seguindo o bom humor de dados de varejo divulgados ontem. A ação ON da B2W ON, por exemplo, ganhou 3,59%. Lojas Renner subiu 2,21%. "Indicadores de varejo acima do esperado pelo mercado divulgados ontem continuaram influenciando hoje porque refletem uma melhora no consumo", aponta Sandra Peres, analista da Coinvalores.
As ações de Cemig e Sabesp figuraram entre as maiores quedas do Ibovespa, com baixa de 1,23% e 2%, enquanto os papéis da Copasa perdem 2,21%, depois que o Citigroup cortou a recomendação de neutra para venda das três empresas e reduziu o preço-alvo das duas companhias de saneamento.
*Com Estadão Conteúdo
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