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Avanço nas negociações do governo Bolsonaro com o Congresso pela reforma da Previdência e do governo britânico sobre o Brexit anima os investidores

O mercado financeiro brasileiro começou a semana animado, renovando o otimismo com a aprovação da reforma da Previdência no Congresso. E o investidor deve ampliar as expectativas positivas em torno do andamento da proposta nesta semana na Câmara dos Deputados, após o governo liberar R$ 1 bilhão em emendas parlamentares.
A medida faz parte do acordo firmado entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente da Casa, Rodrigo Maia, e é uma das mais clássicas moedas de troca entre Executivo e Legislativo. É, portanto, a velha política de volta, de modo que o governo consiga compor a base aliada.
Com isso, crescem as chances de a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) ser formada na quarta-feira, o que deve favorecer a continuidade da recuperação técnica dos ativos locais observada ontem, após terem testado níveis mais depreciados nos últimos dias. Ao final da sessão, o dólar caiu abaixo de R$ 3,85 e o Ibovespa subiu mais de 2%, de volta aos 98 mil pontos.
Ainda assim, os líderes partidários acertaram ontem com Maia que a votação da nova Previdência na CCJ ficará condicionada à entrega da proposta que sugere mudanças na aposentadoria dos militares, de modo a garantir tratamento igualitário. A expectativa é de que o texto sobre a Previdência dos não civis chegue à Câmara até o próximo dia 20.
O fato é que, após os ruídos políticos causados durante o carnaval, o presidente Bolsonaro começou a mostrar maior afinco em relação às novas regras para aposentadoria. Mas ainda não se sabe quanto tempo esse comprometimento irá durar - já que ele costuma intercalar, em suas declarações, a agenda econômica com a de polêmicas (costumes, imprensa etc.).
Além disso, o ministro Paulo Guedes (Economia) parece disposto em mexer em muito vespeiro e já articula um plano B, junto ao Senado, para controlar o rombo das contas públicas. A revisão do chamado pacto federativo propõe dar a Brasília o controle do orçamento de estados e municípios.
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Desse modo, a União acabaria com as despesas obrigatórias - com pessoal, saúde e educação - e as vinculações orçamentárias, ao mesmo tempo em que anteciparia receitas às unidades da federação que fizerem o ajuste fiscal até 2022. Teve-se, ainda, os cerca de 50 votos que faltam, segundo cálculos de Guedes, para aprovar a reforma na Câmara.
O ambiente externo menos avesso ao risco também contribuiu para o sentimento positivo no mercado local. Todos esses ventos favoráveis contribuíram para uma forte valorização nos negócios ontem e a tendência é de que esse otimismo se mantenha hoje, com mais um dia positivo para os negócios.
O ambiente externo segue menos avesso ao risco, após a primeira-ministra britânica, Theresa May, conseguir uma negociação de última hora com a União Europeia (UE) capaz de evitar uma saída desordenada do Reino Unido do bloco comum. A libra tem alta firme em relação ao dólar, após as “mudanças legalmente vinculantes” que envolvem as Irlandas - o chamado backstop irlandês.
A proposta será colocada em votação hoje, menos de 20 dias antes da data programada para o Brexit. Trata-se, portanto, de uma incerteza a menos no radar, restando agora apenas um desfecho nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China. Pequim e Washington estão, no geral, concordando em muitas questões cruciais e realizando discussões significativas, inclusive sobre o câmbio.
Ainda assim, a ausência de novidades sobre o tema não inibe a exposição dos investidores aos ativos mais arriscados. Como pano de fundo, está a perspectiva de que o Federal Reserve não irá mexer nos juros norte-americanos tão cedo, o que mantém o rendimento (yield) do bônus dos EUA de 10 anos (T-note) na faixa de 2,65%.
As principais bolsas asiáticas seguiram o sinal positivo vindo de Nova York ontem e fecharam com ganhos de mais de 1%. Os índices futuros em Wall Street apontam para uma segunda sessão de alta, após interromperem ontem cinco quedas seguidas. O dólar perde terreno para as moedas rivais, enquanto o petróleo avança com o corte da produção na Arábia Saudita acima do esperado.
Na Europa, as principais bolsas também iniciam o pregão no azul, ao passo que o euro se fortalece, após os ajustes “significativos” feitos entre Theresa May e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, sobre o Brexit. A oposição, porém, ameaça vetar as mudanças, com o líder do Partido Trabalhista britânico, Jeremy Corbyn, pedindo ao Parlamento que rejeite o acordo.
Com isso, a cautela deve permear os negócios nos próximos dias, com os investidores também acompanhando a agenda econômica, que contempla uma gama de indicadores de atividade e inflação capazes de medir o grau de desaceleração da economia mundial. A depender do resultado, os números podem exercer forte influência no mercado financeiro - aqui e lá fora.
A leitura oficial dos índices de preços ao consumidor brasileiro (IPCA) e norte-americano (CPI) em fevereiro é destaque na agenda econômica desta terça-feira. Por aqui, o IPCA será conhecido às 9h e a previsão é de alta de 0,4% em relação a janeiro. Apesar do ritmo de alta dos preços, a taxa acumulada em 12 meses deve seguir baixa, em 3,9%.
Na sequência, às 9h30, sai a inflação nos EUA e a previsão é de que os preços sigam comportados, sem gerar pressão inflacionária no varejo, com altas de 0,2% no mês e de +2,2% na comparação anual. Também merecem atenção os números no Brasil sobre a safra de grãos (9h) e a prévia deste mês do IGP-M (8h).
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