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Magazine Luiza pode dobrar as metas e os críticos?

Preço da ação multiplicou 183 vezes de dezembro de 2015 para cá – e não me surpreenderia se o mercado revisasse esses números para cima. A expectativa é de que o lucro dobre novamente até 2021, num crescimento anual de 26%. É hora de comprar?

27 de fevereiro de 2019
11:54 - atualizado às 9:56
A empresária Luiza Helena Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza
Imagem: WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO

No fim do ano passado, falei por aqui que, por uma questão de preço, fazia mais sentido olhar para a Magazine Luiza (MGLU3) de longe. Múltiplos muito esticados, expectativas de crescimento bem agressivas e um potencial aumento da competição (leia-se Amazon) me deixaram receoso com o caso.

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Olhando para o retorno negativo de 2,9% (Ibovespa deu +13,5%) no período, até posso dizer que estava certo. Mas, quando bati o olho nos resultados do quarto trimestre de 2018 (4T18), percebi que talvez tenha subestimado a capacidade de execução da família Trajano.

As vendas nas mesmas lojas físicas, que medem o avanço das vendas desconsiderado o maior número de unidades, cresceram a bagatela de 16,1% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Já o e-commerce cresceu impressionantes 57%!!!

No agregado, as vendas totais chegaram perto dos R$ 20 bilhões no ano, contra pouco mais de R$ 14 bilhões em 2017 (+36%). Junto com as vendas, o Ebitda bateu R$ 1,2 bilhão em 2018  (+21% ) e o lucro líquido ficou em R$ 597 milhões, crescimento de 54% ante 2017.

O canal digital já responde por 36% de todas as vendas, mas a varejista continua abrindo lojas – foram 96 novas ao longo de 2018, para fechar o ano com 954 unidades físicas. As lojas são parte importante do plano de digitalização da companhia, pois funcionam como um canal de distribuição (retirada na loja) e são fundamentais para o último passo da entrega, conhecido como “last mile” no jargão em inglês.

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E pensar que teve bons gestores dando risada do plano de “abrir lojas físicas para aumentar as vendas online” anunciado há alguns trimestres.

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Nem tudo é perfeito, claro. Com foco no atendimento, preço, logística e conversão de vendas, as margens sofreram um pouco – a margem Ebitda saiu de 8,6% em 2017 e fechou 2018 em 8%, mas nada que me faça perder o sono.

Operacionalmente, levando em consideração minha experiência e a de amigos próximos (amostra pequena, confesso), a Luiza está, de fato, bem à frente da concorrência. O site pode não ser uma maravilha, mas funciona (teve lojista que ficou sem site por algumas horas durante a Black Friday, por exemplo). Os preços são altamente competitivos e o serviço é imbatível. Sejam as mensagens via Whatsapp, que te informam a cada etapa do processo, ou o atendimento ao cliente pelo telefone, a diferença é brutal.

Tudo isso aparece não só nos preços das ações, como em praticamente todas as linhas do balanço – de 2014 para cá, os lucros cresceram 365%, o que equivale a 47% ao ano!

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Dá pra crescer mais?

É claro que não dá para crescer a essa taxa por muito tempo: em alguns anos, as vendas seriam maiores do que o PIB de Nárnia. Mas, ainda tem bastante espaço – a companhia é relativamente pequena e o e-commerce brasileiro cresce a taxas agressivas, o que faz com que a Magazine Luiza cresça a taxas bem maiores do que o mercado. É o tal do ganho de participação ou market share.

O mercado acredita que os lucros podem dobrar novamente até 2021, num crescimento anual de 26%, que não justifica o múltiplo de preço/lucro (P/E, da sigla em inglês) de 55x, já que nos dá um Peg Ratio (P/E ajustado pelo crescimento) de 2,1x – o justo seria algo em torno de 1x. (Se você boiou agora, neste texto eu explico melhor como ler um balanço e encontrar as métricas que apontam se uma ação está cara ou barata.)

O “problema” é que há algum tempo os números do balanço vêm melhores do que o consenso e pegam os vendidos no contrapé – é preciso coragem (loucura!?) para apostar na queda de uma ação que viu seu preço multiplicar 183 vezes de dezembro de 2015 para cá – e não me surpreenderia se o mercado revisasse esses números para cima.

Amiga da Dilma que é, a Luiza segue dobrando a meta.

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Dito tudo isso, continuo achando melhor esperar por um momento melhor para comprar, mas cada vez mais MGLU3 se mostra aquele papel caro que fica cada vez mais caro. Por outro lado, com esse tanto de crescimento embutido no preço, só é preciso um trimestre ruim para uma grande correção de preços. Paciência e canja de galinha...

Eu, como não tenho pressa, prefiro esperar um pouquinho, por mais que possa estar vendo o cavalo selado passando pela segunda vez na minha frente.

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