Menu
2019-08-29T17:49:51-03:00
Bruna Furlani
Bruna Furlani
Jornalista formada pela Universidade de Brasília (UnB). Fez curso de jornalismo econômico oferecido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Tem passagem pelas editorias de economia, política e negócios de veículos como O Estado de S.Paulo, SBT e Correio Braziliense.
Um pouco melhor do que o esperado

PIB cresce 0,4% no segundo trimestre e vem acima do esperado

Entre os destaques está o fato de que a construção cresceu 2,0%, o que seria o primeiro resultado positivo após 20 trimestres consecutivos de queda na base de comparação do IBGE

29 de agosto de 2019
9:13 - atualizado às 17:49
PIB
PIB -

Ainda que a expectativa do mercado fosse de cautela, o diagnóstico do Produto Interno Bruto (PIB), que foi feito hoje (29), parece contar uma história um pouco melhor para a economia brasileira. De acordo com os dados do IBGE, o indicador cresceu 0,4% nos últimos três meses, em comparação com o trimestre anterior, na série com ajuste sazonal.

O mercado esperava por uma expansão em torno de 0,2% e os mais pessimistas alentavam um risco de recuo no PIB, o que colocaria a economia brasileira em recessão técnica.

Já na comparação com o segundo trimestre de 2018, o PIB cresceu 1,0%. Em valores correntes, o principal indicador da economia brasileira totalizou R$ 1,78 trilhão.

Ainda que o resultado tenha vindo melhor do que o esperado, a economia ainda dá sinais de que sofre com a falta de combustível para ganhar tração de verdade.

Os destaques do PIB

De acordo com os dados do IBGE, a expansão leve do indicador foi puxada em grande parte pelos ganhos da indústria (0,7%) e dos serviços (0,3%).

O crescimento na indústria foi influenciado pela expansão das indústrias de transformação (2,0%) e construção (1,9%). Já as indústrias extrativas registraram recuo (-3,8%) no período.

Na fala da gerente de Contas Nacionais do IBGE, Claudia Dionísio, “juntas, as indústrias de transformação e construção respondem por cerca de 70% do setor. Além disso, a indústria de transformação tem peso no segmento de bens de capital, que contribuem para os investimentos internos e externos”.

 

Já as indústrias extrativas registraram recuo (-3,8%) em comparação com o primeiro trimestre deste ano.

 

Já o setor de serviços teve um resultado positivo, especialmente por conta das atividades imobiliárias (0,7%), comércio (0,7%), informação e comunicação (0,5%) e outras atividades (0,4%).

A agropecuária, por sua vez, caiu 0,4% em relação ao primeiro trimestre de 2019, graças a lavouras como a do algodão e do milho, que tiveram crescimento na estimativa de produção anual de 32,5% e 21,4%, respectivamente.

Destaque para a construção

Um dos pontos que chamam a atenção dentro da expansão da indústria é o fato de que a construção cresceu 2,0%, o que seria o primeiro resultado positivo após 20 trimestres consecutivos de queda na base de comparação do IBGE.

Se olharmos alguns dados, como construção, temos a impressão de que o resultado veio melhor que a catástrofe antecipada pelo mercado. Ainda assim, uma observação positiva não constitui tendência, embora ajude na construção de condições para uma retomada, mesmo que gradual

Em compensação, na outra ponta, a indústria extrativa teve a contração mais acentuada na série histórica, de 9,4%.

Pilares do indicador

Pela ótica da despesa, as variações positivas ficaram com as despesas de consumo das famílias (0,3%) e a formação bruta de capital fixo (3,2%). Por outro lado, é interessante também ver que as despesas de consumo do governo recuaram 1,0%.

Assim como aconteceu no último trimestre, o consumo das famílias permaneceu puxando o avanço, com expansão de 1,6%, nono trimestre seguido de resultados positivos. A Formação Bruta de Capital Fixo avançou 5,2%.

“Mais uma vez, vemos o consumo das famílias influenciando a demanda, além de ter puxado o aumento do comércio varejista. Já o comércio por atacado cresceu graças às indústrias de transformação, principalmente a metalurgia e produção de máquinas e equipamentos. Junto com a importação, a produção doméstica de bens de capital e a construção explicam a aceleração da Formação Bruta de Capital Fixo”, conclui Claudia Dionísio.

Mercado cauteloso

Assim como já tinha sido mostrado pelo Boletim Focus nas últimas semanas, a expectativa do mercado era de cautela.

Na última segunda-feira (26), por exemplo, o Focus estimou um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 de 0,80%, abaixo da previsão da semana passada, de 0,83%. Para 2020, a estimativa dos economistas passou de 2,20% para 2,10%.

No fim de junho, o BC atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2019, de alta de 2,0% para elevação de 0,8%.

Da mesma forma, o banco suíço UBS divulgou nesta semana que espera um crescimento de 0,8% do PIB neste ano, ante a previsão inicial de 1%.

E não foi só isso. Os analistas também revisaram para baixo a expectativa de expansão do indicador no próximo ano que passou de 2,2% para 1,5%. Em sua avaliação, os especialistas disseram que o "céu está escurecendo" no Brasil.

Entre as razões para o maior pessimismo está o fato de que os níveis de investimento permaneceram extremamente baixos, mesmo depois de terem caído cerca de 30% durante a recessão brasileira.

"Nós não vimos uma recuperação substancial dos investimentos, que é uma das condições necessárias para que o Brasil volte a crescer 2%", destacaram os analistas.

Os especialistas também pontuaram que nem a redução dos desequilíbrios macroeconômicos nem a aprovação de várias reformas foram suficientes para fazer com que as taxas de crescimento passassem de 1% no país, - níveis que foram vistos no país últimos três anos.

Com isso, os números positivos devem ser olhados com cautela. Os fracos resultados dos atividade econômica e o nível elevado do desemprego ao longo do primeiro semestre não empolgam.

Assim como nem a aprovação de uma reforma da Previdência robusta no Congresso pode ter forças para acelerar o ritmo de crescimento do país no próximo trimestre e a retomada da economia pode ficar de fato para 2020.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

Nova cartada do bilionário

Warren Buffett vende seu império de jornais por US$ 140 milhões e deixa o setor de imprensa

A Berkshire Hathaway, conglomerado de investimentos administrado por Warren Buffett, vendeu hoje sua divisão de jornais à Lee Enterprises

Caixa vai fazer “road show” de IPO da Caixa Seguridade em todos os Estados

O banco pretende fazer a abertura de capital das subsidiárias de seguridade e de cartões neste ano. As outras duas unidades – loterias e gestora de fundos – devem demorar um pouco mais

martelo batido

CVM fecha acordo de R$ 450 mil em caso envolvendo executivos da Biosev

Processo era movido contra três ex-executivos da processadora de cana-de-açúcar; cada um vai ter que pagar R$ 150 mil

pingos os is

Investigação não encontrou irregularidades e não há mais nada a esclarecer, diz presidente do BNDES

Auditoria custou R$ 42,7 milhões; investigações internas do banco não encontraram nenhuma irregularidade nas operações

hora do balanço

Bancos liberam mais crédito no Brasil, mas custo segue elevado

Taxas de juros cobradas de empresas e famílias seguiram em níveis elevados. segundo dados do BC

Painel com gestores

Stuhlberger vê bolha se formando na bolsa, mas segue aplicado

Lendário gestor da Verde Asset diz que “olha porta de saída” da bolsa, mas vê boas perspectivas com avanço do PIB de consumo

olho nos números

Taxa do cheque especial cai para 302,5% em dezembro

Desde julho de 2018, os bancos estão oferecendo um parcelamento para dívidas no cheque especial. A opção vale para débitos superiores a R$ 200.

balanço

Crise do 737 Max faz Boeing ter o primeiro ano de prejuízo desde 1997

Empresa perdeu US$ 636 milhões em 2019, após apresentar prejuízo de US$ 1,01 bilhão no quarto trimestre – analistas esperavam por lucro de US$ 636 milhões no período

Títulos públicos

Veja os preços e as taxas do Tesouro Direto nesta quarta-feira

Confira os preços e taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra e resgate

Expectativa

Ibovespa cai e acompanha a cautela global antes da decisão de juros nos EUA; dólar sobe a R$ 4,20

Sem tirar o coronavírus do radar, o Ibovespa acompanha o exterior e opera em leve alta, aguardando o parecer do Federal Reserve em relação à taxa de juros nos EUA

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements