Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Onde está a maior assimetria de retornos?

Se você apropria-se da ideia de que estamos num ambiente completamente dominado pela incerteza e pela aleatoriedade, entende que só resta o caminho de fazer a probabilidade jogar a seu favor

21 de maio de 2019
11:44
Imagem: Shutterstock

“Comprar títulos de companhias com baixa qualidade de crédito era uma atitude considerada bastante arriscada — mas, como Milken tinha percebido, se você lançasse uma rede suficientemente ampla, as probabilidades jogariam a seu favor. Por que fazer um investimento caro num título de baixas taxas de juros de uma instituição considerada segura, se você poderia fazer uma compra arrasadora de bonds em dez companhias consideradas com risco de insolvência?”

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Extraí o parágrafo acima do perfil de Michael Milken . Trata-se de um sujeito, no mínimo, curioso. Certamente, polêmico. Era um gênio, o rei dos junk bonds, com participação mais do que decisiva no desenvolvimento dos high yield bonds. Numa daquelas ambivalências da vida, foi indiciado por extorsão e fraude financeira em 1989. Como resultado de um “plea bargain”, admitiu violações às leis da SEC (a CVM americana), sem, no entanto, ser punido por extorsão ou insider. A sentença inicial foi de dez anos de prisão, posteriormente reduzida a dois anos, como resultado de bom comportamento e colaboração num programa de testemunhas. Milken é também reconhecido pela sua participação filantrópica e fund raising para pesquisa e tratamento do câncer, notadamente de melanoma. A ele, atribui-se a frase: “Eu não conto para minha mãe que trabalho no mercado financeiro; prefiro dizer que toco piano num bordel”. Pelo que vejo por aí, me representa.

Método

Estamos aqui por um método, sabe? Uma abordagem sistemática e filosófica de investimentos. Milken entendeu e aplicou a convexidade para a renda fixa. Mas ela serve para tudo. Se você apropria-se da ideia de que estamos num ambiente completamente dominado pela incerteza e pela aleatoriedade, entende que só resta o caminho de fazer a probabilidade jogar a seu favor, investindo de forma diversificada em ativos cuja matriz de payoff oferece assimetria convidativa, que podem pagar muito bem no caso positivo, e não machucá-lo muito no cenário negativo. De posse desse instrumental, você pode aplicá-lo em qualquer coisa. Nas ações, nas moedas, na renda fixa, nas commodities.

Embora valha o caso geral, não trago o exemplo de Milken apenas como uma ilustração teórica ou hipotética de antifragilidade. Há uma razão de falar especificamente do nicho de crédito de alta qualidade: para mim, hoje esse é o mercado menos convidativo para se estar. Mais importante ainda: ele pode oferecer riscos escondidos gigantescos ao investidor. O que parece um reloginho seguro de retornos acima do CDI pode ser, na verdade, uma bomba-relógio.

Vejo spreads bastante reduzidos nesse segmento e muitos investidores comprando crédito, seja diretamente ou via fundos (e os perigos maiores estão naqueles que se entopem de dívida corporativa com baixa liquidez e permitem resgate em D0 ou D1), achando que a ausência de volatilidade significa ausência de riscos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Dois pontos aqui: i) a assunção de risco marginal não compensa o retorno adicional que esses papéis ou esses fundos têm oferecido (sim, há exceções, que apenas confirmam a regra — a Luciana Seabra tem boas publicações sobre fundos  de crédito privado interessantes); e ii) pode haver um reapreçamento geral negativo que venha a ferir a indústria, gerando sustos num investidor que não estava preparado para esses movimentos num ativo que considerava perfeitamente seguro porque não variava.

Leia Também

O que não fazer

Aposte centavos para ganhar dólares. Nunca aposte dólares para ganhar centavos. O ato de investir em crédito de qualidade neste momento, sob os atuais spreads, me parece um exemplo do que não fazer.

Bom, se o nicho de crédito privado oferece hoje uma assimetria não convidativa, qual classe de ativos representaria sua antítese? Ou seja, onde estaria hoje uma matriz de retornos potenciais convidativa?

Não é fácil responder a essa pergunta. Ela exige uma série de premissas, tanto sobre cenários potenciais quanto para atribuições das respectivas probabilidades associadas. Em situações como essa, fica também sempre difícil escaparmos da hipótese de ergodicidade — o palavrão usado para descrever a preservação das propriedades estatísticas de uma série (no caso, financeira) ao longo do tempo —, o que costuma ser uma aberração metodológica.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ressalva feita, vamos lá.

À primeira vista, dados o desempenho recente e o descolamento do real frente a alguns pares emergentes, talvez o dólar pudesse se colocar como o grande candidato à maior assimetria convidativa — aqui, claro, numa posição de venda de dólares contra a moeda brasileira.

Com efeito, se você observar termos de troca, com as commodities onde estão, vai perceber atratividade do real. Ao mesmo tempo, se adotar uma abordagem microeconômica e conversar com empresas que lidam com o mercado externo, vai identificar uma turma bem animada com suas exportações — muitas inclusive destinando ao ambiente internacional parcelas da produção anteriormente dedicadas ao mercado interno, por conta de preços mais convidativos nesse nível do câmbio.

Já se você insistir na questão macroeconômica, seja por paridade no poder de compra, seja por “fundamental equilibrium exchange rate model”, também vai ver um dólar justo ali na casa dos 3,70 reais, talvez até um pouco abaixo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Concordo com tudo isso. Pelos fundamentos estritos do mercado de bens, o dólar precisaria caminhar para patamares bem inferiores aos atuais.

"Carry trade"

No entanto, existe o problema do “carry”. Historicamente, o Brasil era destino clássico do “carry trade”, ou seja, de investidores que queriam se aproveitar do enorme diferencial dos juros brasileiros frente ao resto do mundo. Então, pegavam grana emprestada lá fora a juros baixos e aplicavam aqui na Selic exorbitante. Agora, com o juro básico a 6,5 por cento e podendo vir abaixo disso, acabou a festa. Não somos mais o paraíso do CDI e isso muda as coisas. Não somente a farra terminou, como pode ter se invertido. Pode se fazer hedge barato por aqui e não é mais tão custoso se endividar em reais.

Essa é a razão pela qual o dólar, apesar de caro, não me parece a melhor assimetria hoje.

Ah, então seria a matriz de payoff no mercado de juros a alternativa mais atraente? Olha, eu até acho que há dinheiro para ganhar aqui. E talvez seja um dinheiro relativamente óbvio. Entendo que a Selic deve cair assim que ficar clara a aprovação da reforma da Previdência, e a curva ainda não contempla isso como deveria.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Contudo, apesar de ser alta a chance de se ganhar dinheiro na curva de juro, nos prefixados ou nos indexados, não tem mais taaaanto espaço para cair. Isso retira um pouco da atratividade da assimetria. Chance alta, mas ganho não tão alto.

Então, chegamos à Bolsa. Múltiplos abaixo da média histórica, com custo de oportunidade do capital abaixo da média histórica e crescimento projetado dos lucros corporativos acima da média. Essas coisas não conversam e vão precisar se reconciliar. Some a isso que hoje ninguém tem Bolsa. Gringo não quer ouvir falar de Brasil por enquanto; e fundo de pensão só agora começa a se mover, porque tem cerca de 1 ponto percentual “a menor” frente a sua meta atuarial se ficar na renda fixa. Ele vai precisar ir para a Bolsa. O investidor pessoa física, por sua vez, está chegando agora, mas praticamente também não investe em ações.

E, para fechar com o argumento da assimetria: você consegue ver o Ibovespa dividindo por dois? Faria sentido irmos para 5,5 vezes lucros? Em contrapartida, seria absurdo conceber uma multiplicação por dois em 24 meses? Os múltiplos não poderiam se expandir para 15 vezes lucros (negociando 1,5 vez desvio-padrão acima da média, como costumava fazer em momentos de otimismo) e os lucros corporativos crescerem 50 por cento nos próximos dois anos?

Em se estando de acordo com a argumentação, o que você compra em Bolsa? Ora, você compra o óbvio, o mais perto que puder da metonímia “Bolsa”. Vá de BOVV11. Não há por que querer ser o gênio das ações do lixo tóxico neste momento. Afinal, não custa lembrar: mesmo o rei dos junk bonds passou um sabático de dois anos no xadrez.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Mercados

Em dia de agenda fraca, mercados brasileiros amanhecem próximos à estabilidade. Ponderam clima um pouco mais favorável em torno da tramitação da reforma da Previdência, após aceno (ainda tímido) de Jair Bolsonaro ao Congresso, e incerteza associada à convocação das manifestações de apoio ao governo no fim de semana. Futuros de Wall Street sobem em meio à notícia de que o Departamento de Comércio dos EUA suspendeu por 90 dias proibição de uso de banda larga de clientes de aparelhos da chinesa Huawei. Temperatura abaixou entre EUA e China, mas ambiente ainda é razoavelmente tenso, com o país asiático ainda descontente com decisões recentes de Trump.

Ibovespa Futuro cai 0,2 por cento, dólar sobe ligeiramente e juros futuros registram leve baixa.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
AS MAIS LIDAS DO SD

Dividendos extraordinários da Vale (VALE3), o susto de Raízen (RAIZ4) e Pão de Açúcar (PCAR3) e a febre das loterias: confira o que bombou na semana

28 de março de 2026 - 15:31

O ranking das mais lidas do Seu Dinheiro traz as projeções do BTG para os dividendos da Vale, o alerta sobre a onda de recuperações judiciais e a sorte grande nas loterias da Caixa

DISPARADA DO PETRÓLEO

Combustíveis mais caros, lucro 37% maior: quem está ganhando com a guerra?

27 de março de 2026 - 18:45

Enquanto diesel e gasolina ficam mais caros, fatia de distribuidoras e postos engorda; PF investiga preços abusivos

O PESO DA GUERRA

Selic mais alta no radar? Santander revisa projeções de inflação com disparada do petróleo

27 de março de 2026 - 17:32

Banco eleva projeções de inflação após alta do petróleo e alerta para impactos no real, taxa de juros e economia brasileira

FUSO HORÁRIO COMPLICADO

Esquece o feriado! Por que seu chefe dificilmente vai te dar uma folga nos dias de jogo do Brasil na Copa do Mundo de 2026

27 de março de 2026 - 14:03

Mesmo com toda a animação que cerca o evento, dias de jogo do Brasil na Copa do Mundo não são considerados feriado nem ponto facultativo

A HISTÓRIA SE REPETE

Lotofácil 3646 paga prêmio milionário no meio da selva (de pedra); Mega-Sena puxa de novo a fila das loterias acumuladas, agora com R$ 40 milhões em jogo

27 de março de 2026 - 6:51

Assim como aconteceu nos dias anteriores, Lotofácil foi a única loteria a ter ganhadores na rodada de quinta-feira (26). Além da Mega-Sena, a Quina, a Dia de Sorte e a Timemania também acumularam.

DANOS SOB CONTROLE

De vilão a herói: juros altos devem reduzir o impacto do preço do petróleo na inflação do Brasil, diz Galípolo

26 de março de 2026 - 14:29

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, acredita que o Brasil está bem posicionado para possíveis impactos da guerra no Irã

PESQUISA ATLASINTEL/BLOOMBERG

STF, Congresso e governo Lula estão envolvidos com o escândalo do Banco Master? Mais da metade dos brasileiros acredita que sim

26 de março de 2026 - 13:43

Investigações do caso Master continuam e brasileiros suspeitam dos Três Poderes, indica pesquisa; confira os números

ENTRE A CRUZ E A ESPADA

Selic com freio de mão puxado? A mensagem do IPCA-15 e das projeções de inflação do BC sobre o corte de juros

26 de março de 2026 - 13:04

O IPCA-15 de março, o relatório trimestral do BC e o conflito no Oriente Médio dão sinais aos investidores sobre o que esperar na próxima reunião do Copom; confira

IMPARÁVEL

Ninguém segura a Lotofácil: concurso 3645 faz mais um milionário; Mega-Sena 2989 retoma o topo do pódio dos prêmios mais altos do dia

26 de março de 2026 - 6:55

Lotofácil foi a única loteria a ter ganhadores na quarta-feira (25). Todas as demais modalidades sorteadas ontem acumularam. Em contrapartida, os prêmios em jogo em cada uma delas aumentaram.

RALI COM CONTORNO ESTRUTURAL

Após a disparada do petróleo, as commodities agrícolas são o próximo front da guerra — saiba como surfar o novo ciclo

25 de março de 2026 - 19:36

Escalada no Oriente Médio pressiona insumos, eleva custos do agro e pode marcar início de novo ciclo de commodities, que abre oportunidade de ganhos para quem quer se expor ao segmento

Mudanças na CNH

CNH se adapta à era dos carros elétricos: projeto de lei autoriza habilitados na categoria B a conduzirem automóveis mais pesados do que antes

25 de março de 2026 - 15:20

Proposta eleva o limite de peso dos automóveis conduzidos por motoristas habilitados na categoria B da CNH

ISSO NUNCA ACONTECEU

‘Pix suspenso’ é fake news; o que acontece quando você não consegue transferir ou pagar pelo seu banco

25 de março de 2026 - 15:05

Banco Central (BC) esclarece em nota enviada à redação do Seu Dinheiro que, desde que a plataforma entrou no ar em 2020, o pix nunca foi suspenso

TOUROS E URSOS #264

Tinha uma guerra no meio do caminho: é hora de adequar a carteira ao ciclo de queda da Selic?

25 de março de 2026 - 14:30

Martin Iglesias, líder em recomendação de investimentos no Itaú, conta no novo episódio do Touros e Ursos sobre como o banco ajustou sua estratégia de alocação diante das incertezas atuais

DINHEIRO PARA EXPORTAR

R$ 15 bilhões na mesa: governo reforça crédito para empresas exportadoras em meio à tensão global e guerra no Irã

25 de março de 2026 - 11:28

Nova etapa do Plano Brasil Soberano tem um impacto potencial sobre indústria e pequenas e médias empresas (PMEs)

NA MIRA

Fraudes de até R$ 500 milhões: PF mira CEO da Fictor em operação contra esquemas milionários — e ligação com Comando Vermelho entra no radar

25 de março de 2026 - 10:33

Investigação aponta uso de empresas de fachada, funcionários de bancos e conversão em criptoativos para ocultar recursos

PRESSÃO DE LULA?

Petrobras (PETR4; PETR3) avalia recomprar refinaria de Mataripe do fundo árabe Mubadala; entenda o que está em jogo

25 de março de 2026 - 10:13

A refinaria foi privatizada durante o governo de Jair Bolsonaro. Desde a troca de comando da Petrobras, em 2023, a estatal manifesta o desejo de recomprar o ativo

SÓ DEU ELA

Lotofácil 3644 paga prêmio milionário na unidade da federação de maior renda do país; Mega-Sena puxa a fila das loterias acumuladas

25 de março de 2026 - 6:59

Lotofácil foi a única loteria a ter ganhadores na rodada de terça-feira (24). Além da Mega-Sena, a Quina, a Dia de Sorte e a Timemania também acumularam. +Milionária pode pagar R$ 32 milhões hoje.

POLÍTICA MONETÁRIA

Sinal verde para a Selic: o segredo escondido na ata do Copom que abre as portas para cortes de 0,50 pp nos juros

24 de março de 2026 - 13:30

A guerra no Oriente Médio é a principal pedra no caminho de uma política monetária mais flexível daqui para a frente

Remédio no carrinho

Nimesulida, dipirona, tadalafila e outros remédios ao lado do leite, da carne e do café? Campeões de vendas nas farmácias agora chegam aos supermercados, mas com regras claras

24 de março de 2026 - 13:27

Consumidor poderá comprar medicamentos no supermercado, desde que os remédios estejam dentro de farmácias estruturadas no estabelecimento

COPOM

Não é só inflação: veja por que o BC continua cauteloso com os juros e para onde olhará agora

24 de março de 2026 - 10:42

Agora, o BC incluiu uma nova variável na análise da conjuntura: além de acompanhar as decisões de outros Bancos Centrais, o comitê avalia os desdobramentos do conflito do Oriente Médio, algo que influencia no preço do barril do petróleo e, consequentemente, da inflação

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia