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Segundo dados da Anbima, foram emitidos R$ 29,3 bilhões no período, sendo R$ 4,5 bilhões em ofertas iniciais de ações (IPOs) e R$ 24,8 bilhões em ofertas subsequentes de ações (follow-on)

A expectativa de aprovação da Previdência e de entrada de um governo mais liberal realmente animou o mercado. Além da alta da bolsa, o primeiro semestre de 2019 bateu o recorde de ofertas de ações. Segundo informações da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima), o valor de recursos captados foi de R$ 29,3 bilhões, o montante é o melhor resultado para o período desde o início da série histórica de 2002.
Desse valor, 4,5 bilhões foram captados em ofertas iniciais de ações (IPOs) e 24,8 bilhões em ofertas subsequentes de ações, mais conhecidas como follow-on. Apenas para fins de comparação, o montante captado neste ano ficou 159% acima do valor emitido em todo o ano passado.
O montante maior foi impulsionado principalmente pela venda de participações, como a que ocorreu com a Caixa Econômica Federal ao vender as participações que detinha na Petrobras. Com a operação, a instituição levantou R$ 7,3 bilhões com a venda dos papéis da petroleira.
E há outras no radar. A BR distribuidora e a Petrobras anunciaram no começo deste mês, o início do processo de redução de participação acionária da petroleira em sua subsidiária.
"O segundo trimestre foi bastante aquecido e promissor para a renda variável, já refletindo as expectativas positivas do mercado sobre a reforma da previdência. Com a notícia de ontem, de aprovação na Câmara dos Deputados em primeiro turno, renovamos nosso otimismo quanto a novas emissões de ações nos próximos semestres”, diz José Eduardo Laloni, vice-presidente da Anbima.
Um dos pontos que chamam a atenção é o aumento no total de emissões de debêntures, que são títulos de dívidas emitidos pelas empresas. A diferença é que ao emitir esses títulos, o investidor não se torna sócio, mas sim credor da empresa.
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No relatório, a Anbima destaca que o total de emissões de debêntures alcançou o valor de R$ 84,6 bilhões entre janeiro e junho deste ano, o que representa um crescimento de 9,3%. Com isso, as debêntures se tornaram o principal instrumento de captação durante o período, com 51% do total. No ano passado, as debêntures corresponderam a 59% do total durante o mesmo período do ano anterior.
Os investidores institucionais mantiveram até junho a maior parcela nas ofertas públicas de debêntures, com 63,48% contra 57,5% do mesmo período do ano anterior. Mas o percentual de investidores pessoas física ficou em 3,4%, ante os 2,7% do mesmo período do ano anterior.
Outro detalhe interessante é que os prazos desses papéis foram alongados, o que é positivo para a empresa porque ela tem mais tempo para pagar as dívidas que fez com os credores, nesse caso, os investidores. Mas não é tão positivo para quem emprestou o dinheiro.
De acordo com os dados divulgados, a parcela de vencimento até três anos caiu de 36,4% para 15,8%, enquanto as faixas de quatro a seis anos e de sete a nove anos subiram nove e doze pontos percentuais, respectivamente.
Além disso, a má notícia é que a remuneração média de juros que as debêntures emitidas estão pagando caiu de 104,9% do CDI para 103,6% do CDI. Isso é bastante negativo, já que há investimentos de renda fixa como o de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) que estão pagando acima de 100% do CDI e ainda possuem a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Assim como havia adiantado o repórter Vinícius Pinheiro, as debêntures e outros títulos emitidos por empresas vêm ganhando um espaço cada vez maior para quem está em busca de um retorno maior na renda fixa.
A razão está atrelada a alguns fatores. Antes o Brasil tinha os juros muito altos, o que era menos animador para empresas que quisessem captar recursos por meio de emissão de títulos de dívidas. Além disso, o mercado contava com um “concorrente” praticamente imbatível: o BNDES.
A redução do tamanho do banco público aconteceu em um momento de redução da taxa de juros, o que ajudou a fomentar a demanda na ponta do investidor.
Ao emprestar menos, os bancos também diminuíram a captação de recursos com a emissão de seus papéis, como certificados de depósito bancário (CDB) e letras de crédito imobiliário (LCI) e do agronegócio (LCA). Esse movimento levou os investidores a buscarem outras alternativas na renda fixa.
Além das debêntures, outro aspecto que chama a atenção é o fato de que o número de investidores pessoas física que fizeram a subscrição de ações diminuiu entre janeiro e junho do ano passado e o mesmo período deste ano.
Em compensação, a participação entre os fundos de investimento na compra de ações teve um crescimento significativo e passou de 26,6% para 50% durante janeiro e junho deste ano.
Na visão da Anbima, a alta se deve à procura dos investidores por diversificação e retornos mais altos nos fundos, especialmente de ações e multimercados. Com isso, os gestores foram estimulados a buscar cada vez mais esses papéis.
Os bons resultados das ofertas de ações se refletiram no balanço do ano. No primeiro semestre, as empresas brasileiras movimentaram R$ 212,6 bilhões no mercado de capitais (incluindo operações locais e internacionais), o que representa alta de 23% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o volume chegou a R$ 172,6 bilhões.
A fatia ocupada pelos investidores estrangeiros nas ofertas de ações ficou em 41%. Entre os meses de janeiro e junho do ano passado, a participação tinha sido de 63,7%.
Já no acumulado do ano passado, a fatia de estrangeiros foi de 63,3%, enquanto os investidores institucionais locais corresponderam a 27,9%. O ano em que os investidores estrangeiros detiveram o maior percentual dos volumes de ofertas de ações foi em 2015, com 67,3%.
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