🔴 ONDE INVESTIR EM MARÇO: ESPECIALISTAS TRAZEM INSIGHTS SOBRE MACRO, AÇÕES, RENDA FIXA, FIIS E CRIPTO – ASSISTA AGORA

Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Confissões: o arrependimento de ter comprado esta ação

As Finanças Comportamentais estão na moda agora. É difícil falar contra elas. Contudo, existe uma sutileza nessa história de “aversão à perda”

26 de novembro de 2019
10:39 - atualizado às 10:40
Imagem: Shutterstock

Com uma mãe católica fervorosa, uma criação jesuíta e valores judaico-cristãos enraizados, não necessariamente associados à fé religiosa, sempre me interessei pela relação entre arrependimento — uma das bases da doutrina cristã, já que devemos estar sempre nos arrependendo e confessando nossos pecados em prol da limpeza da alma — e investimento.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Como manter-se cristão e investidor proficiente ao mesmo tempo? A Igreja Católica sempre teve lá seus problemas com a questão da usura. Não é esse meu foco de interesse. Quero centrar a atenção na relação entre o arrependimento, o pecado e as finanças. Como você lida com seus erros de investimento, com seus desvios daquilo que deveriam ter sido decisões acertadas? Precisamos nos confessar e sofrer por um determinado pecado, remoendo equívocos e percalços?

Para mim, o investidor encontra a resposta não em Santo Agostinho, que escreveu suas “Confissões” para poder proclamar-se pecador e pedir a misericórdia de Deus. Não há razão para isso. Não há juízes ou censuradores na B3. O caminho para uma trajetória profícua à frente, a despeito dos pecados e prejuízos passados, pode passar por Michel de Montaigne e Jean-Paul Sartre.

Montaigne foi e voltou várias vezes em seus “Ensaios”. Retomou constantemente o trabalho na obra, mas quase nunca optou por apagar alguma coisa. Não era o caso de refazer o passado ou reescrever trechos da obra, mas apenas de acrescentar algo novo. Mantinha-se fiel à proposta estoica do “amor fati”, a aceitação amigável do que vier a nos acontecer, aplicando-a à escrita. Se a ideia lhe ocorreu em algum momento, não deveria ser apagada nem reescrita. Precisaria ser aceita, porque representava também um dos pensamentos e uma das vertentes de Montaigne — ainda que ele possa ter mudado de ideia. Não havia por que se arrepender, passar a limpo o passado e purificar escritos antigos. Por mais que coisas anteriores pudessem não mais fazer sentido, ele se limitava a perceber que era então uma pessoa diferente e, portanto, aquilo continuava ali. De uma forma ou de outra, existia motivo para determinada situação ou citação. “Somos todos uma colcha de retalhos, tão sem forma e tão diversa em sua composição que cada pedacinho, cada momento joga seu próprio jogo.” Conforme escreve Sarah Bakewell a seu respeito, “ele não tentava apagar a vida de seus eus anteriores, tampouco haveria motivos para que o fizesse em seu livro”.

Sartre, por sua vez, trouxe visão igualmente útil sobre o arrependimento, o remorso e a capacidade de seguir em frente, a despeito das mazelas do passado. Comentando uma das interpretações de sua peça “As Moscas” poucos anos depois da tragédia do Holocausto, disse: “Para os alemães, também, penso que o remorso não faz sentido. Não digo que devam simplesmente varrer da memória os erros do passado. Não. Mas tenho certeza de que não ganharão o perdão que o mundo lhes pode dar apenas mostrando um arrependimento obsequioso. Irão ganhá-lo com o engajamento total e sincero num futuro de liberdade e trabalho, com o firme desejo de construir esse futuro e com a presença do maior número possível de homens de boa vontade entre eles. Talvez a peça possa, se não levá-los a esse futuro, ao menos encorajá-los nessa direção”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Sabe, hoje, quando olho o portfólio dos investidores ou quando converso com os três leitores desta coluna vejo um apego excessivo ao passado, uma dificuldade enorme em construir o futuro, sem o peso dos erros de ontem. Há sempre uma dificuldade enorme em se desfazer de posições perdedoras, como se, necessariamente, o investidor precisasse pagar o pecado de ter comprado a ação ABCD mais cara somente a partir de uma recuperação da própria ação ABCD. Ele não consegue se livrar dos próprios pecados. Seria mesmo a ação ABCD a mesma indicada para você recuperar os prejuízos acumulados ali? Ou será que assumir os prejuízos, libertar-se dos pecados do passado e recuperar numa outra ação com melhores perspectivas não é a melhor opção?

Leia Também

Há embasamento científico para a dificuldade de apenas “seguir em frente, na direção de um engajamento total e sincero num futuro de liberdade e trabalho” por parte do investidor. Terrance Odean estudou milhares de contas de investidores pessoas físicas e constatou uma tendência a realizar lucros cedo demais e carregar posições perdedoras por mais tempo do que seria razoável. Levando a estratégia ao limite, o sujeito morre com uma carteira de micos na mão no longo prazo.

A turma das Finanças Comportamentais associa o fenômeno à chamada “aversão à perda”, um suposto viés cognitivo que torna a perda ou a dor, em média, 2,5 vezes mais sofrida do que o benefício sentido por algum fato positivo, como um lucro. Queremos evitar ao máximo a materialização da perda e, por isso, carregamos as posições perdedoras. Ainda que a marcação a mercado nos diga diariamente que já estamos perdendo, o reconhecimento para si mesmo de que aquilo realmente não deu certo e que “ok, temos uma perda concreta aqui” só vem mesmo depois de zerarmos a posição. Assim, vamos carregando conosco aquele pecado, sem conseguirmos seguir em frente. Com isso, tornamo-nos paradoxalmente ainda mais pecadores, transformando nossa carteira numa reunião de posições perdedoras e raras exceções lucrativas.

Entra uma nuance importante aqui. Por vezes, há uma crítica rasa e muito carregada de tinta a essa postura, sendo que, na verdade, o problema maior é que ela desafia nossos elementos mais primitivos, vai contra nossa natureza. E é sempre um problema lutar contra si mesmo. Investidores ainda são seres humanos e o que estou pedindo aqui é, em alguma medida, para que nos tornemos menos humanos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

As Finanças Comportamentais estão na moda agora. É difícil falar contra elas. Contudo, existe uma sutileza nessa história de “aversão à perda”. Originalmente, o termo foi cunhado depois que estudos mostraram que, na prática, o investidor não tem “aversão ao risco”. No geral, ele é avesso ao risco em situações positivas e de lucro, e propenso ao risco em situações negativas e de prejuízo. Então, haveria aí uma suposta falha na racionalidade, diante da instabilidade das preferências. Diante de um mesmo problema, o investidor adotaria posições diferentes, caracterizando um viés cognitivo.

Há uma falha nesse raciocínio. É perfeitamente racional você ser avesso ao risco em situações confortáveis (não há razão para ser muito agressivo, a vida está boa) e disposto ao risco em situações de perda ou de perigo (você está sob ameaça e precisa fazer alguma coisa). Se hoje você fosse convidado para ser cobaia num novo tratamento experimental para câncer de pâncreas, provavelmente negaria. Haveria muito a perder (um eventual efeito colateral) e pouco a ganhar (você não sofre de câncer de pâncreas). Já se você estivesse com câncer terminal, muito provavelmente toparia o tratamento. A decisão necessariamente depende da sua posição e do momento.

Conforme escreve Taleb, o único tipo de definição possível de racionalidade é aquele que se liga à sobrevivência. Não ter percebido isso talvez seja o pecado original da teoria econômica. Da sua parte, investidor, não há pecado algum. Olhe para a sua carteira e pense, independentemente de erros do passado, se ela é a melhor composição para construir o futuro.

 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
BENEFÍCIO DO GOVERNO

Caixa inicia hoje o pagamento do Bolsa Família de março; confira o calendário completo

18 de março de 2026 - 5:01

Pagamento do Bolsa Família segue calendário por NIS, garante valor mínimo de R$ 600 e inclui adicionais para famílias com crianças, gestantes e adolescentes

FREIO DE MÃO PUXADO

Os caminhoneiros ameaçam parar: saiba quando pode começar a greve contra a alta do diesel e pressão sobre fretes

17 de março de 2026 - 18:10

A estratégia inicial, segundo a Abrava, é promover uma paralisação voluntária, com caminhoneiros deixando de aceitar cargas

PRÉ-COPOM

Vai dar zebra com a Selic? A expectativa do mercado para os juros agora é outra — e manutenção também paira no ar

17 de março de 2026 - 13:35

Imprevisibilidade da guerra impõe novos desafios ao Banco Central, que se vê diante de um corte já antecipado ou uma manutenção pelo novo risco inflacionário

OPERAÇÃO CONCORRÊNCIA SIMULADA

Fraude em concursos públicos: Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva

17 de março de 2026 - 12:48

Fraudes e golpes em concursos públicos acontecem com certa frequência; veja como se proteger

PRODUTOS DE BELEZA

Anvisa determina o recolhimento de esmalte em gel, fitas de clareamento dental e tônico capilar por presença de substância proibida e promessas irreais; veja quais marcas

17 de março de 2026 - 11:26

Anvisa recolhe produtos de beleza devido a presença de substância proibida e irregularidades

É AMANHÃ

Bolsa Família inicia nova rodada de pagamentos amanhã (18); veja o calendário de março e as regras do benefício

17 de março de 2026 - 10:23

Os repasses do Bolsa Família seguem um cronograma escalonado de acordo com o dígito final do NIS; o valor mínimo é de R$ 600

APORTES PARA CRESCER

Pouco mais da metade das indústrias planeja investir em 2026

17 de março de 2026 - 10:10

Intenção cai em relação a 2025, quando 72% das empresas investiram

ORIGEM DESCONHECIDA

De onde é o passaporte da San Olivetto? Anvisa proíbe venda e recolhe azeite importado incerteza quando à procedência do produto

17 de março de 2026 - 9:40

Anvisa proíbe a venda de azeite da marca San Olivetto devido a irregularidades apontadas nas ações da distribuidora e da fabricante

SÓ DEU ELA DE NOVO

Lotofácil 3637 cria atalho para 3 vencedores ficarem mais perto de um saldo bancário de sete dígitos; Mega-Sena 2985 promete mais de R$ 100 milhões hoje

17 de março de 2026 - 6:52

Lotofácil foi a única loteria a ter ganhadores na segunda-feira (16). Todas as demais modalidades sorteadas ontem acumularam. Em contrapartida, os prêmios em jogos aumentaram.

EMPIRICUS+

11 assinaturas pelo preço de 1: Empiricus lança serviço que reúne carteiras de investimentos em diferentes classes

16 de março de 2026 - 18:33

Rodolfo Amstalden, CEO da casa de análise, criou um serviço para facilitar o investimento em renda fixa e variável, além de ajudar no acesso à educação financeira

ALERTA BB

Banco do Brasil reitera alerta para golpes em meio a notícias sobre possível concurso

16 de março de 2026 - 15:27

Comunicado oficial alerta candidatos, mas expectativa por novo concurso cresce — mesmo sem previsão confirmada pelo banco

FIM DA EVASÃO ESCOLAR?

Pé-de-Meia: um em cada quatro jovens não abandona os estudos graças a programa, segundo estudo da Insper

16 de março de 2026 - 14:47

Estudo do Insper indica que bolsa do Pé-de-Meia reduz abandono escolar entre jovens de famílias mais vulneráveis

A RIVALIDADE ESTÁ NO AR

Companhia chinesa de tecnologia disputa os céus do Brasil com a Starlink de Elon Musk

16 de março de 2026 - 11:30

Após quatro anos sem concorrência, a Starlink, projeto da SpaceX de Elon Musk, ganha um forte concorrente no mercado brasileiro

DE NOVO NA FRENTE

Mega-Sena lidera prêmios das loterias na semana com mais de R$ 100 milhões em jogo; Dupla de Páscoa entra no radar

16 de março de 2026 - 7:02

Como a Mega-Sena só corre amanhã, a Quina é a loteria da Caixa com os maior prêmio em jogo na noite desta segunda-feira (16); confira os valores em disputa.

AJUDINHA DA BOLSA EM ALTA

Quase 40% de retorno: as ações que turbinaram a rentabilidade da Previ em 2025

15 de março de 2026 - 17:01

Ganhos na bolsa e na renda fixa garantiram superávit bilionário ao fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil

BOMBOU NO SD

Imposto de renda 2026 com prazo mais apertado, novo milionário nas loterias e a cobrança que levou o GPA à RJ: o que mais bombou na semana

15 de março de 2026 - 15:40

O atraso nas regras do IR 2026, um prêmio milionário na Lotofácil e a disputa entre Casas Bahia e Pão de Açúcar estão entre as notícias mais lidas da semana no Seu Dinheiro

ATENÇÃO AO LEÃO

Imposto de renda 2026: Receita divulga novas regras amanhã — e prazo para declarar deve ser mais apertado neste ano

15 de março de 2026 - 12:26

Receita Federal divulga detalhes do IRPF 2026 em coletiva às 10h; atraso no anúncio pode reduzir a janela de envio da declaração neste ano

LOTERIAS

Coincidência improvável faz dois milionários na Lotofácil 3636; Mega-Sena 2984 segue acumulada e já mira R$ 105 milhões

15 de março de 2026 - 10:18

Bilhetes simples cravaram as 15 dezenas e renderam mais de R$ 1 milhão para cada vencedor; Mega-Sena, Quina e +Milionária seguem travadas

É HOJE

Abono do PIS/Pasep de março cai hoje (15) na conta

15 de março de 2026 - 10:05

Pagamentos do abono salarial seguem mês de nascimento ou número de inscrição e vão até agosto; hoje são contemplados os nascidos em fevereiro.

MUDANÇA NA DEFESA

Banco Master: quem é o novo advogado de Daniel Vorcaro, que já defendeu José Dirceu e Braga Netto

14 de março de 2026 - 17:41

Preso em Brasília, Vorcaro escolhe José Luís de Oliveira Lima para liderar a defesa; advogado já atuou em casos como Mensalão e julgamento de Braga Netto

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar