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Pesquisa do Bank of America Merrill Lynch também mostra que câmbio deve ficar entre R$ 3,6 a R$ 3,8 e Selic entre 5,5% e 6%
Depois do desânimo de maio, a percepção dos gestores com relação ao Brasil passou por firme recuperação, acompanhando o avanço da reforma da Previdência. Pesquisa do Bank of America Merrill Lynch mostra que quase 90% deles acreditam em Ibovespa acima dos 110 mil pontos até o fim do ano (48% em junho), dólar entre R$ 3,6 e 3,8 e Selic na faixa de 5,5% a 6% ao ano.
Desde as mínimas registradas em maio, o índice MSCI Brasil acumula alta de 25% contra uma valorização de 6% do MSCI para países emergentes. Segundo o banco, o momento é de tomada de risco (risk-on), com menores níveis de caixa, maiores exposições ao mercado e menores posições defensivas.

A pesquisa também mostra que os investidores estão se posicionando para uma retomada do consumo, com mais gestores ampliando posições em ações do setor. Também há aumento de exposição ao setor financeiro.
Com a aprovação em primeiro turno da reforma da Previdência, os investidores subiram a barra com relação à economia que seria vista como satisfatória. Até então, algo na linha dos R$ 700 bilhões era visto como positivo.
Agora, a linha subiu para R$ 900 bilhões, indicando que os gestores não acreditam em desidratação da reforma nas etapas que faltam (segundo turno na Câmara e Senado). A aprovação final do texto acontecerá no terceiro trimestre para 77% dos entrevistados, contra 55% em junho.
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Para ter uma avaliação ainda mais positiva com relação ao país, 40% dos gestores esperam progresso em outras reformas (30% em junho) e outros 37% falam em crescimento econômico mais forte (44% em junho).
Os investidores continuam acreditando que o país vai retomar o grau de investimento, mas há grande divisão com relação ao timing. Quase metade trabalha com 2021, 20% acredita em 2022 e o restante acredita que isso só acontece em 2023 ou depois.
Perguntados sobre quais os maiores riscos para o cenário na América Latina, 23% citaram a guerra comercial, outros 20% apontaram uma desaceleração na economia chinesa, com reflexo no preço das commodities, e outros 20% citaram possíveis erros de política do Federal Reserve (Fed), banco central americano.
A melhora de percepção não é exclusividade do Brasil. Na sondagem com gestores globais, caiu de 50% para 30% a fatia de gestores que acredita em menor crescimento global nos próximos 12 meses.
Os gestores também ampliaram a alocação no mercado de ações, saindo de “abaixo da média”, para 10% “acima da média”.
“O aceno do Fed e a trégua na guerra comercial levaram os investidores a reduzir posição em caixa e tomar risco. Mas as expectativas de menores lucros e redução de endividamento continuam dominando o sentimento”, disse o estrategista-chefe do banco, Michael Hartnett, em nota.
O que gestores não enxergam é inflação, já que apenas 1% acredita em aumento nos índices de preços ao longo dos próximos 12 meses.
Os gestores mostram preocupação com o endividamento das empresas (48%), e para 73% deles o atual ciclo de negócios representa um risco para a estabilidade financeira, maior leitura em oito anos.
A pesquisa foi feita entre os dias 5 e 11 de julho com 207 gestores responsáveis por US$ 598 bilhões. Participaram da pesquisa global 162 gestores, com US$ 489 bilhões. As pesquisas regionais tiveram 102 participantes, com US$ 242 bilhões.
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