Menu
2019-10-14T14:34:21-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
De volta aos 104 mil pontos

Balanços, commodities, FGTS… o Ibovespa teve um dia cheio e fechou em alta

O Ibovespa terminou a sessão no campo positivo, com o mercado reagindo a uma série de fatores ao longo do dia. O dólar à vista teve leve queda, retornando ao nível de R$ 3,76

24 de julho de 2019
10:38 - atualizado às 14:34
Selo marca a cobertura de mercados do Seu Dinheiro para o fechamento da Bolsa
Ibovespa terminou o dia em alta e recuperou os 104 mil pontos; dólar teve leve baixa - Imagem: Seu Dinheiro

Quem bate o olho nos dados do fechamento da sessão desta quarta-feira (24) — o Ibovespa teve alta de 0,40%, aos 104.119,54 pontos, enquanto o dólar à vista caiu 0,09%, a R$ 3,7693 — pode ter a impressão de que o dia foi relativamente parado.

O que os números não mostram é que o pregão contou com diversos pequenos fatores de influência: os balanços corporativos, o noticiário referente ao FGTS, a queda das commodities e o tom de otimismo dos mercados acionários americanos foram alguns dos pontos que influenciaram as negociações ao longo do dia.

E, ao fim da sessão, o saldo foi positivo para os ativos domésticos. Contudo, convém analisar separadamente cada um desses vetores, para ter uma dimensão exata do que esteve em jogo nesta quarta-feira.

De olho no FGTS

O governo confirmou nesta tarde a liberação do saque de até R$ 500 das contas ativas e inativas do FGTS, numa tentativa de estimular o crescimento do país. Segundo a administração Bolsonaro, o projeto irá injetar R$ 30 bilhões na economia — também foi anunciada uma nova modalidade de acesso aos recursos, o "saque aniversário".

A autorização para retirada de R$ 500 das contas do Fundo de Garantia, contudo, já havia sido sinalizada nesta manhã pelo ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. E, em linhas gerais, o mercado reagiu com cautela às novidades.

Um operador afirmou que, depois de diversas idas e vindas em relação ao fundo de garantia, os agentes financeiros acabaram reduzindo as expectativas nesse front. "Esse teto de R$ 500 já tinha sido ventilado há uns dias, e o mercado já se ajustou a esse cenário".

Operadores e analistas fizeram duas leituras quanto à imposição desse limite. Por um lado, parte dos agentes financeiros mostra frustração com a quantia relativamente pequena a ser sacada, ponderando que esse montante tende a gerar um estímulo pequeno à economia.

Por outro, há o entendimento de que, ao disponibilizar montantes de até R$ 500, esses recursos serão direcionados ao consumo, e não ao pagamento de dívidas — o que deu forças às ações de empresas do setor de varejo. Foi o caso de Via Varejo ON (VVAR3), que subiu 5,78%, Magazine Luiza ON (MGLU3), em alta de 1,57% e B2W ON (BTOW3), com ganho de 2,40%.

Balanços, balanços, balanços

Em meio às diferentes interpretações do noticiário ligado ao FGTS, os agentes financeiros domésticos mostraram-se mais propensos a reagir aos resultados trimestrais de três empresas que compõem o Ibovespa: Cielo, Telefônica Brasil e Weg.

Os ativos ON da operadora de máquinas de cartão (CIEL3) dispararam 12,89% e lideraram a ponta positiva do Ibovespa, apesar de a companhia ter reportado queda de 33,3% em seu lucro líquido em base anual, para R$ 431,2 milhões.

Nesta manhã, o presidente da empresa, Paulo Caffarelli, afirmou que a Cielo possui "bastante apetite" para continuar a guerra das maquininhas. E essa sinalização ajuda a explicar o bom desempenho dos papéis: mesmo com a queda no lucro, a disposição para seguir competindo agradou o mercado.

Quem também fechou em alta foi Weg ON (WEGE3), com ganhos de 1,86%. A companhia terminou o período entre abril e junho deste ano com lucro de R$ 389 milhões — um ganho de 15,6% ante igual intervalo de 2018.

Já Telefônica Brasil ON (VIVT4) teve um dia relativamente estável, terminando o pregão com valorização de 0,41% após a empresa encerrar o segundo trimestre deste ano com lucro líquido contábil de R$ 1,42 bilhão, queda de 55,2% em um ano.

Pressão das commodities

Até agora, todas as ações citadas terminaram o dia com desempenho positivo. No entanto, os papéis de empresas ligadas ao setor de commodities — como Petrobras, Vale e siderúrgicas — encerraram o dia em baixa, limitando o potencial de ganhos do Ibovespa.

O destaque negativo ficou com os ativos que dependem do preço do minério de ferro — a commodity fechou em baixa de 2,42% na China. Nesse cenário, Vale ON (VALE3) caiu 2,14%, CSN ON (CSNA3) recuou 3,92%, Gerdau PN desvalorizou 1,49% e Usiminas PNA (USIM5) teve queda de 1,43%.

O petróleo também teve um dia negativo, tanto o WTI (-1,57%) quanto o Brent (-1,02%), o que afetou Petrobras ON (PETR3), em baixa de 0,83%, e Petrobras PN (PETR4), com queda de 0,62%.

E o exterior?

Nos Estados Unidos, o sentimento dos agentes financeiros permaneceu positivo, em meio à expectativa em relação à reunião do Federal Reserve (Fed), na semana que vem — os mercados apostam que a autoridade monetária americana poderá iniciar um processo de corte de juros já no encontro do dia 31.

Nesse contexto, o S&P 500 teve alta de 0,47% e o Nasdaq avançou 0,85%. Já o Dow Jones fechou em baixa de 0,29%, influenciado negativamente pelo mau desempenho de duas importantes ações do índice: Boeing e Caterpillar, que reportaram resultados trimestrais que desagradaram o mercado.

Essa tranquilidade também foi sentida nas negociações de câmbio, com os agentes financeiros mostrando-se ligeiramente mais propensos ao risco — o que deu força às divisas emergentes, incluindo o real.

Ajustes nos juros

A curva de juros passou a sessão oscilando perto da estabilidade, com os mercados promovendo ajustes pontuais, em meio à percepção cada vez mais firme por parte do mercado de que o Banco Central (BC) irá cortar a taxa Selic na próxima reunião do Copom, no dia 31.

Os debates, agora, concentram-se na magnitude desse ajuste: 0,25 ou 0,50 ponto percentual. Com esse cenário em mente, as curvas com vencimento em janeiro de 2020 recuaram de 5,59% para 5,58%, enquanto as para janeiro de 2021 ficaram inalteradas em 5,41%.

No vértice longo, os DIs para janeiro de 2023 tiveram baixa de 6,31% para 6,27%, e as para janeiro de 2025 foram de 6,87% para 6,83%.

Comentários
Leia também
Um self service diferente

Como ganhar uma ‘gorjeta’ da sua corretora

A Pi devolve o valor economizado com comissões de autônomos na forma de Pontos Pi. Você pode trocar pelo que quiser, inclusive, dinheiro

Ministério atualiza dados

Brasil registra mais de 31 mil mortes por covid-19

De 526.447 casos confirmados, 223.638 pacientes foram recuperados

6,8% dos recursos foram gastos

MPF investiga baixo investimento do governo Bolsonaro no combate ao coronavírus

O Ministério Público Federal determinou, nesta terça-feira, 2, a abertura de um inquérito civil público para apurar a baixa aplicação de dinheiro público, por parte do governo de Jair Bolsonaro, no combate à pandemia do novo coronavírus

A volta dos touros

Acabou a crise? 5 razões para a disparada da bolsa e a queda do dólar

O dólar à vista acumula queda de mais de 11% nas últimas 15 sessões, afastando-se de vez da faixa dos R$ 6,00 — na bolsa, o Ibovespa também teve alívio forte no período, retomando os 90 mil pontos

Atenção com contas públicas

Déficit fiscal poderá ser de 12% do PIB, diz Armínio Fraga

“Estritamente do ponto de vista fiscal, estamos trabalhando com uma margem de manobra muito apertada. Tenho comentado que a consequência disso vai ser um crescimento imenso das necessidades de financiamento do governo”, comentou Fraga ao participar de uma live promovida pelo BTG Pactual

seu dinheiro na sua noite

Velozes e furiosos, parte 91 mil

Eu não sou um grande fã de filmes de ação, e ainda menos da franquia Velozes e Furiosos. Assisti apenas ao primeiro longa da série, tentando imaginar como um roteiro tão desconectado da realidade foi parar nas telas – ainda que tenha seus momentos. Foi só alguns anos depois, durante uma discussão de bar (saudades das […]

ex-ministro da fazenda

Pedro Malan vê excesso de otimismo em órgãos internacionais para o pós-pandemia

O ex-ministro da Fazenda Pedro Malan disse nesta terça-feira, 2, que vê um excesso de otimismo nas previsões de organismos internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), e também de parte do mercado, de uma recuperação na forma de “V” após a pandemia do coronavírus

Procurador-geral da República

Alinhado a Bolsonaro, Aras diz que Forças Armadas podem atuar em caso de ruptura

A posição do procurador está alinhada à do presidente Jair Bolsonaro, que tem citado o artigo 142 da Constituição como uma saída para a crise do governo com o Supremo

Alívio inesperado?

Dólar despenca a R$ 5,20 e Ibovespa sobe forte: o que aconteceu com o mercado?

Enquanto o mundo passa por forte turbulência, os mercados estão mais calmos que nunca: o dólar teve a maior queda diária desde 2018 e o Ibovespa foi às máximas em quase três meses

Dados de associação

Comércio paulistano cai 67% nas vendas de maio

Mês é estratégico em razão do Dia das Mães

Presidente da Câmara

MP que estabelece crédito para folha de pagamento não pode ser votada, diz Maia

Editada no dia 3 de abril, a medida estabelece uma linha de crédito de R$ 34 bilhões para garantir o pagamento dos salários em empresas com receita anual entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões durante a pandemia do coronavírus

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements