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Sinais de que EUA e China podem recuar nas tarifas de importação e chegar a um acordo comercial deram força ao Ibovespa, fazendo o índice brasileiro avançar mais de 1% e chegar ao nível inédito dos 109 mil pontos. O dólar à vista, por outro lado, seguiu pressionado, chegando a R$ 4,09
O Ibovespa estava preso num trecho particularmente tedioso do livro dos mercados financeiros. Nos últimos dois dias, o índice fechou no campo negativo, arrastado por uma narrativa densa — articulada em torno do pacote econômico de Paulo Guedes e da decepção com o leilão do excedente do petróleo da cessão onerosa do pré-sal.
Mas, passadas essas duas sessões, o principal índice da bolsa brasileira resolveu que era hora de encerrar essa passagem e virar a página. E o capítulo seguinte, iniciado nesta quinta-feira (7), foi bem mais animador para o Ibovespa: um forte alívio na guerra comercial entre Estados Unidos e China.
Com a trama fluindo melhor, o Ibovespa encontrou forças para recuperar o terreno perdido recentemente. Pouco a pouco, foi ganhando tração e, ao fim da sessão, marcava 109.580,57 pontos, em alta de 1,13%. É um novo recorde de encerramento e a primeira vez na história que o índice termina um pregão acima dos 109 mil pontos.
No melhor momento do dia, o Ibovespa chegou a tocar os 109.671,91 pontos (+1,21%), nova máxima intradiária. E, em linhas gerais, as bolsas americanas acompanharam a praça brasileira na leitura desse novo capítulo: o Dow Jones (+0,66%), o S&P 500 (+0,28%) e o Nasdaq (+0,28%) também passaram o dia em alta.
Como já foi dito, a narrativa central desse novo episódio gira em torno da guerra comercial. No entanto, tramas paralelas foram particularmente benéficas para a bolsa brasileira, o que explica o desempenho superior do Ibovespa em relação aos índices americanos.
Um impulso particular para o setor de siderurgia, o bom desempenho das ações da Petrobras, a temporada de balanços cheia de surpresas positivas... Foram muitos os fatores que contribuíram para dar força ao Ibovespa nesta quinta-feira.
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Assim, vamos analisar a estrutura narrativa do capítulo de hoje em tópicos. Afinal, nada melhor que ter um esquema destrinchado para compreender todos os detalhes de um livro complexo, como o dos mercados.
O bom humor do Ibovespa e das demais bolsas globais esteve relacionado a um importante avanço no front da guerra comercial. No início da manhã, autoridades de Pequim afirmaram que os governos dos dois países concordaram em remover as atuais tarifas de importação impostas por ambas as partes, num processo em etapas.
Representantes do ministério do Comércio da China sinalizaram que a medida estaria associada à assinatura da "primeira fase" do acordo comercial entre as potências — há a expectativa de que esse termo seja firmado ainda neste mês pelos presidentes dos dois países.
E, no início da tarde, a Bloomberg confirmou, citando fontes do governo americano, que essa primeira fase do acerto comercial irá, de fato, incluir a remoção das tarifas incidentes sobre os produtos importados, tanto por parte dos EUA quanto da China.
Esse novo desdobramento das negociações entre Washington e Pequim diminuiu a aversão ao risco nos mercados globais, uma vez que dá a entender que a escalada nas tarifas protecionistas poderá ser suspensa — o que, consequentemente, diminuiria a preocupação quanto a uma desaceleração econômica global.
No fim da tarde, uma matéria da Reuters, também citando fontes anônimas, afirmava que esse plano de remoção de tarifas enfrentava resistências internas na Casa Branca, o que reduziu o ritmo de ganhos nas bolsas americanas. No Brasil, contudo, o Ibovespa se manteve firme e forte nos 109 mil pontos.
O dólar à vista, por outro lado, continuou sem encontrar espaço para alívio: a moeda americana fechou em alta de 0,25%, a R$ 4,0930. O real, assim, foi na contramão das demais divisas de países emergentes, como o peso chileno, o rublo russo e o rand sul-africano, que se valorizaram em relação à moeda americana.
Essa reação fria do mercado de câmbio local à narrativa de aproximação entre EUA e China se deve à sexta rodada do leilão de áreas do pré-sal, realizada nesta manhã. E, assim como no certame de ontem, houve pouco interesse de investidores estrangeiros. Dos cinco blocos ofertados, apenas um recebeu propostas.
Novamente, a Petrobras, em sociedade com empresas chinesas, foi responsável por arrematar o ativo. O bônus de assinatura foi de R$ 5,05 bilhões, mas como a Petrobras possui 80% de participação no consórcio vencedor, uma quantia pequena desse montante diz respeito a recursos estrangeiros.
Assim, a nova frustração com a possibilidade de ingresso de capital externo via leilões fez com que o dólar à vista não conseguisse aproveitar o alívio global, mantendo a tendência de alta.
A pressão no dólar à vista se traduziu num ajuste positivo nas curvas de juros, tanto nas mais curtas quanto nas mais longas. Os DIs com vencimento em janeiro de 2021 subiram de 4,48% para 4,54%, os para janeiro de 2023 avançaram de 5,57% para 5,62% e os para janeiro de 2025 foram de 6,12% para 6,21%.
Ações mais ligadas ao mercado da China, especialmente mineradoras e siderúrgicas, terminaram em alta nesta quinta-feira, em meio ao otimismo quanto ao acerto comercial entre Washington e Pequim — e à perspectiva de reaquecimento da economia chinesa a partir do acordo.
Vale ON (VALE3), por exemplo, subiu 0,82%; entre as siderúrgicas, CSN ON (CSNA3) avançou 2,44%, Gerdau PN (GGBR4) teve ganho de 4,07% e Usiminas PNA (USIM5) valorizou 7,93%. Um relatório do Credit Suisse com uma visão otimista para o setor de siderurgia — especialmente para a Usiminas, cujas ações receberam recomendação de compra — também contribuiu para os ganhos desses ativos.
O setor de papel e celulose foi outro que subiu forte, obedecendo a mesma lógica de possível recuperação do mercado chinês. Suzano ON (SUZB3) avançou 3,55%, enquanto as units da Klabin subiram 6,09%.
A temporada de resultados trimestrais continuou mexendo com a bolsa brasileira, provocando movimentações intensas em algumas ações.
No Ibovespa, IRB ON (IRBR3) teve baixa de 4,37%, Grupo NotreDame Intermédica ON (GNDI3) fechou em queda de 0,40%, Azul PN (AZUL4) subiu 1,47% e Banco do Brasil ON (BBAS3) ficou estável. Você pode conferir um resumo dos balanços mais recentes nesta matéria.
Mas, entre as empresas que reportaram seus números trimestrais desde a noite de ontem, o destaque foi Ultrapar ON (UGPA3), que avançou 5,27%. O lucro líquido da empresa caiu 1% na base anual, mas o Ebitda avançou 4% — resultados que foram elogiados por analistas.
Fora do Ibovespa, Movida ON (MOVI3) subiu 3,89% após a empresa reportar uma alta de 45,8% no lucro líquido, para R$ 6,2 milhões, dados que também foram bem recebidos pelos analistas e investidores.
O grande motor por trás dos ganhos do Ibovespa, no entanto, foi a Petrobras: as ações PN (PETR4) subiram 4,01% e as ONs (PETR3) avançaram 3,21% — ganhos expressivos, considerando a participação relevante dos ativos da estatal na composição do índice.
Lá fora, o petróleo fechou no campo positivo, o que ajuda a dar força aos ativos da empresa: o WTI para dezembro subiu 1,42%, enquanto o Brent para janeiro valorizou 0,89%.
Aqui dentro, o resultado dos leilões do pré-sal — tanto o certame de ontem quanto a disputa de hoje — também causaram um efeito positivo nas ações da Petrobras, após uma reação hesitante no pregão anterior. Você pode entender um pouco do racional por trás desse fator nessa matéria especial.
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