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Marina Gazzoni
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2019-08-06T13:03:35-03:00
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No pântano sem bússola

6 de agosto de 2019
10:57 - atualizado às 13:03
Selo O Melhor do Seu Dinheiro; investimentos
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

O clima já estava ruim quando os líderes de Estados Unidos e China seguiam um jogo perigoso de troca de ameaças sobre questões comerciais. O cenário ficou realmente arriscado agora que ambos parecem se armar para uma guerra cambial.

O economista-chefe do banco UBS no Brasil, Tony Volpon, já tinha alertado em entrevista exclusiva ao Eduardo Campos no início de maio que se o câmbio entre as moedas dos dois gigantes globais descambasse para 1 dólar a 7 yuans era sinal de que “deu ruim”. Aconteceu agora e assustou todo mundo.

O Eduardo Campos voltou a falar com Volpon para esclarecer melhor o motivo de tanto pânico. Ele comparou as guerras cambiais a estar em um pântano sem bússola.

“Guerras cambiais nunca acabam bem. Não é um evento limitado a tarifas (como a guerra comercial). A questão cambial passa para o mercado de juros e para as bolsas, gerando muita volatilidade. Então, mexeu-se em um vespeiro complicado de controlar”, explica.

Enquanto China e EUA continuam a subir o tom, o nevoeiro aumenta. O Tesouro americano colocou na China o rótulo de “manipulador de moeda” pela primeira vez desde 1994, o que abre espaço para novas sanções. Donald Trump chegou a falar em intervenções para desvalorizar o dólar de forma unilateral, o que seria algo inédito. A China, por sua vez, deu uma nova cartada hoje e confirmou que vai suspender a importação de produtos agrícolas americanos.

Dá pra ficar pior? Tudo depende de até onde americanos e chineses estão dispostos a ir. Na conversa de maio com Volpon ele citou um combo que seria “game over” para o Brasil: crise na China + crise política local. Como não podemos controlar os fatores externos, resta torcer para o pessoal lá de Brasília colaborar. Saiba mais sobre o que está em jogo na atual conjuntura.

A Bula do Mercado: Previdência e ata do Copom no radar

Os mercados seguem atentos às tensões entre China e EUA que mencionei acima. Por aqui, as atenções se voltam para Brasília, onde a Câmara retoma as discussões sobre a reforma da Previdência, a partir das 13h. As chances de surpresas desagradáveis no segundo turno são pequenas e a expectativa é de que a questão sobre as novas regras para aposentadoria seja encerrada no Congresso até o mês que vem.

No front puramente macro, merece atenção a ata da reunião de julho do Comitê de Política (Copom) divulgada agora pouco. Uma primeira leitura do documento sugere que o corte da Selic não seria tão grande quanto o mercado espera. Em suma, o BC acena um ajuste na taxa básica de juros e não um ciclo prolongado de cortes.

Os investidores continuam digerindo os números das empresas no último trimestre. De ontem à noite até agora de manhã, o destaque fica por conta dos números do IRB. No primeiro balanço após a oferta de ações que a União e o Banco do Brasil detinham do ressegurador, a empresa anunciou um crescimento de 35% no lucro líquido trimestral.

Ontem, a guerra comercial esquentou e o Ibovespa fechou em baixa de 2,51%, aos 100.097,75 pontos. O dólar à vista terminou a sessão em forte alta de 1,66%, a R$ 3,9561. Consulte a Bula do Mercado para saber o que esperar de bolsa e dólar hoje.

 

A moda do hambúrguer vegano

Depois de ter seus planos de fusão com a BRF frustrados, a Marfrig segue tocando o barco. A empresa colocará no mercado brasileiro seus primeiros hambúrgueres vegetais que prometem “gosto de carne sem ser carne”. A Marfrig está de olho no frenesi que os “frigoríficos veganos” estão provocando no mercado. A americana Beyond Meat entrou na bolsa em maio com a ação a US$ 25 e fechou ontem cotada a US$ 175,94. Saiba detalhes do acordo e quando o produto chega ao mercado.

Um dono, 600 publicações

Em mais um sinal de transformação do mercado de mídia, duas grandes redes de jornais dos Estados Unidos anunciaram um acordo de fusão. A News Media Investment Group (que faz parte da Gate House Media e possui mais de 150 jornais diários) vai comprar a Gannett, que é dona do USA Today. As duas redes agrupam juntas cerca de 600 títulos, a maioria de publicações regionais. Segundo o The Wall Street Journal, o acordo é avaliado em US$ 1,4 bilhão (mais de R$ 5,5 bilhões). Saiba mais.

Um grande abraço e ótima terça-feira!

Agenda

Índices 
- Anfavea divulga dados sobre a produção de veículos no país em julho
- Banco Central anuncia dados de julho sobre a caderneta de poupança
- Argentina divulga dados sobre sua produção industrial em junho
- Estados Unidos publicam dados semanais sobre o mercado de petróleo

Bancos Centrais
- Copom divulga a ata de sua última reunião de política monetária

Balanços 2º trimestre
- No Brasil: BB Seguridade, Cesp, Engie e Raia Drogasil
- Teleconferências: IRB, Klabin

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