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A gestora busca ressarcimento pelo prejuízo sistêmico causado ao mercado financeiro, dias após as declarações dos Batistas virem à tona
A gestora de recursos GWI, que pertence ao investidor coreano Mu Hak You, entrou com pedido de arbitragem contra a JBS, da família Batista, sob a alegação de que seus fundos tiveram pesados prejuízos após as delações de Joesley e Wesley virem à tona em maio de 2017. Ex-acionista da Gafisa, Mu Hak You, que teve sua gestão questionada na construtora, busca ressarcimentos pela forte desvalorização de seus fundos que tinham ações na JBS, maior companhia de carnes do mundo, há quase dois anos.
Protocolado há quase um mês, o processo ainda não teve definido o corpo de árbitros. O jornal O Estado de S. Paulo apurou que a gestora de Mu Hak You busca ressarcimento não só pelos prejuízos pela queda das ações da JBS à época que os áudios de Joesley na casa do ex-presidente Michel Temer se tornaram públicos, mas também das perdas decorrentes da desvalorização das ações da carteira de outras empresas investidas pela GWI, que também foram impactadas.
No dia 18 de maio de 2017, um dia após as gravações terem se tornado públicas, a Bolsa registrou queda de quase 9% - maior recuo diária desde o dia 22 de outubro de 2008, quando o recuo foi de 10,18%, reagindo à crise financeira internacional.
Na tese apresentada pela GWI, a gestora busca ressarcimento pelo prejuízo sistêmico causado ao mercado financeiro, dias após as declarações dos Batistas virem à tona. O impacto negativo também foi estendido aos investimentos não só em ações, mas também afetou os mercados cambial e de opções futuras. Não há nenhum processo deste natureza no País. O argumento de prejuízo sistêmico tem como base os processos as ações conduzidas nos Estados Unidos após as quebras das empresas Enron e Worldcom, no início dos anos 2000.
O processo de arbitragem está sendo conduzido pelo escritório Almeida Advogados, comandado pelo advogado André de Almeida, responsável pelo processo contra a Petrobras nos Estados Unidos. Procurada, a GWI disse que não tem nenhum porta-voz para comentar o assunto. O escritório Almeida Advogados e a JBS também não quiseram se manifestar.
O investidor Mu Hak You tem uma trajetória controversa no mercado brasileiro. O caso mais recente é do da construtora Gafisa, uma das maiores do Brasil e que corre o risco de entrar em recuperação judicial. Afetada pela crise do mercado imobiliário, o mau desempenho da empresa também é atribuído à gestão Mu Hak You e seus executivos na empresa. Em 2017, o sul-coreano começou a comprar ações ordinárias da Gafisa - até chegar a 50,17% dos papéis da construtora, em janeiro deste ano. Mu Hak You e sua equipe saíram da companhia em fevereiro e podem sofrer processo dos atuais gestores da companhia.
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Além da Gafisa, o sul-coreano também teve sua gestão questionada em 2016, quando era um dos principais investidores da Livraria Saraiva e tentou tirar os fundadores da companhia da gestão do negócio. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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