Menu
2019-04-04T12:16:11-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Juro Americano

Ata do Fed confirma discursos mais brandos de Powell

Documento referente à reunião de dezembro mostrou que alguns membros se mostraram favoráveis à estabilidade do juro americano

9 de janeiro de 2019
18:10 - atualizado às 12:16
Presidente do Fed, Jerome Powell, em entrevista nesta quarta-feira.
Presidente do Fed, Jerome Powell. - Imagem: Federal Reserve

Havia certo ceticismo com a divulgação da ata do Federal Reserve (Fed), banco central americano, pois o documento é referente à reunião de dezembro e muita coisa mudou deste então, inclusive o discurso do presidente Jerome Powell. Mas o documento mostrou que alguns membros já tinham expressado preferência por manutenção do juro americano, mesmo com a decisão final tendo sido unânime por alta de 0,25% para 2,25% a 2,5% ao ano.

A reação do mercado foi, primeiro uma breve puxada de alta, mas depois os índices voltaram a oscilar pouco baixo dos 0,5% (S&P e Dow Jones) e 1% Nasdaq, vistos antes da divulgação.

Uma interpretação possível é que ata, de fato, não representa novidade, mas seja apenas uma confirmação da mudança de discurso vista depois do encontro, que gerou fortes críticas por parte do presidente Donald Trump e algumas vozes de peso no mercado. Podemos falar que os discursos e ata representam um “distensionamento” no discurso da autoridade monetária americana.

A ata aborda outro ponto, a possibilidade de “paciência” do Fed antes de promover novas altas, que também esteve em discurso recente de membro do colegiado.

A grande mudança de aceno já tinha ocorrido na sexta-feira, quando Powell falou que poderia adotar uma postura mais flexível com relação à redução do balanço do Fed. O BC americano comprou trilhões de dólares em títulos do Tesouro e ativos privados depois da crise de 2008 e vinha deixando de atuar nesse mercado. Em dezembro, Powell tinha falado que não pretendia rever a redução de balanço e que o instrumento de política monetária seria apenas a taxa de juros.

A ata também mostra uma discussão sobre a comunicação do Fed, com os membros defendo uma mudança explícita do “forward guidance” (quando o BC sinaliza os próximos passos, como novas altas) para algo mais “data dependent”, ou seja, o Fed vai acompanhar os dados e decidir sem compromisso com acenos anteriores.

Essa discussão está em linha com as afirmações feitas por Powell desde a reunião de dezembro, de que não há uma rota predeterminada para os juros americanos.

A ata também mostra que embora as condições financeiras tenham ficado mais apertadas e que o crescimento mundial apresentou moderação, o crescimento da economia americana continua acima de sua tendência de longo prazo, com mercado de trabalho forte.

Por isso da manutenção da mensagem, em dezembro, de que alguns apertos adicionais seriam consistentes com uma expansão sustentada da economia, mercado de trabalho forte e inflação ao redor da meta de 2% ao ano.

A queda no preço das ações, a redução das taxas dos papéis do Tesouro e o aumento dos spreads do crédito corporativo também estiveram nas discussões do colegiado e explicam a redução nas projeções de três para duas elevações do juro ao longo de 2019.

Para alguns membros do Fed essa movimentação dos ativos financeiros estaria relacionada a um aumento de preocupação com “riscos de cauda”, como um agravamento das tensões comerciais, ou um aceno de significativa redução no ritmo de crescimento da economia mundial.

Alguns membros ponderaram que esse aperto das condições financeiras ainda não se manifestava no lado real da economia, mas que se tal quadro persistisse, certamente haveria reflexo nos gastos de consumidores e empresas. A conclusão foi acenar que o Fed continua monitorando os movimentos de mercado.

A primeira reunião de 2019 do Fed acontecerá nos dias 29 e 30 de janeiro. Neste ano, Powell dará entrevistas após todas as reuniões.

Comentários
Leia também
OS MELHORES INVESTIMENTOS NA PRATELEIRA

Garimpei a Pi toda e encontrei ouro

Escolhi dois produtos de renda fixa para aplicar em curto prazo e dois para investimentos mais duradouros. Você vai ver na prática – e com a translucidez da matemática – como seu dinheiro pode render mais do que nas aplicações similares dos bancos tradicionais.

Apertem os cintos

Segredos da bolsa: Termina mais um trimestre que valeu por um ano

Semana traz agenda intensa de indicadores tanto no Brasil quanto nos EUA; cautela e volatilidade tendem a seguir em cena

EUA X China

Trump X TikTok: empresa chinesa tenta impedir proibição de downloads

Decisão judicial pode barrar restrição, que passaria a valer a partir de meia-noite deste domingo nos Estados Unidos.

A 38 dias da eleição

Trump anuncia nomeação de Barrett para a Suprema Corte

Nomeação ainda precisa ser confirmada pelo Senado, que hoje tem maioria Republicana.

Últimos ajustes

Guedes se reúne com líder do governo na Câmara para discutir Reforma Tributária

Segundo o deputado Ricardo Barros, na segunda-feira a proposta já estará fechada para uma rodada de discussão com os líderes da base governista no Congresso.

Em 2020

Pandemia tira R$ 12 bilhões em investimentos

Investimentos públicos em infraestrutura deverão ser 10% menores em relação ao estimado antes da pandemia de covid-19.

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements