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2019-03-07T13:30:08-03:00
Estadão Conteúdo
Zona do euro

BCE adotou novas medidas de estímulo para impulsionar inflação, diz Draghi

Projeção de crescimento para a zona do euro em 2020 foi de 1,7% para 1,6%, mas se manteve em 1,5% para 2021

7 de março de 2019
13:26 - atualizado às 13:30
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Mario Draghi, ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE) e primeiro-ministro da Itália - Imagem: Shutterstock

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, disse hoje que as novas medidas de estímulo anunciadas pela instituição têm como objetivo impulsionar a inflação na zona do euro, que tende a desacelerar até o fim do ano.

Mais cedo, o BCE anunciou que fará uma terceira rodada de Operações de Refinanciamento de Prazo Mais Longo Direcionadas (TLTROs, na sigla em inglês), que são empréstimos de baixo custo destinados a bancos.

A princípio, as TLTROs serão oferecidas entre setembro deste ano e março de 2021, com possibilidade de que esse período seja estendido se necessário, afirmou Draghi, durante coletiva de imprensa que se seguiu à decisão de política monetária do BCE.

Segundo Draghi, haverá uma necessidade acumulada de financiamento bancário nos próximos anos devido ao vencimento das TLTROs atuais e de um grande volume de bônus bancários, além de fatores regulatórios.

Draghi comentou que a decisão sobre as novas TLTROs foi tomada com base na necessidade de financiamento dos bancos e reflete mudanças nas condições econômicas da zona do euro. Ele disse esperar que as TLTROs favoreçam o ambiente para o crédito bancário.

As TLTROs, com vencimento de 2 anos, terão juro flutuável atrelado à principal taxa básica do BCE, a de refinanciamento, que é atualmente de 0%. Mais detalhes sobre as TLTROs serão reveladas no momento oportuno, disse Draghi.

Como parte da nova postura acomodatícia, o BCE também anunciou pela manhã que manterá seus juros básicos nos baixos níveis atuais "até pelo menos o fim de 2019". Anteriormente, o BCE planejava manter os juros inalterados até o fim do verão europeu deste ano.

De acordo com Draghi, o frágil desempenho econômico da zona do euro ainda exige "significativa" acomodação da política monetária do BCE e as medidas de hoje foram motivadas por dados recentes, que levaram a instituição a cortar suas projeções de crescimento econômico e de inflação para os próximos anos.

Sua projeção de crescimento para 2020 foi de 1,7% para 1,6%, mas se manteve em 1,5% para 2021. No caso da inflação, a previsão do BCE para 2019 caiu de 1,6% a 1,2%. Para 2020, a projeção foi reduzida de 1,7% para 1,5% e, para 2021, de 1,8% a 1,6%.

Draghi comentou ainda que a decisão do BCE de ampliar estímulos monetários foi unânime entre os dirigentes de seu conselho diretor, mas enfatizou que a instituição não discutiu sobre o programa de relaxamento quantitativo (QE, pela sigla em inglês). O QE, pelo qual o BCE comprava mensalmente bilhões de euros em bônus de governos e outros ativos, foi encerrado em dezembro.

Ainda segundo Draghi, a tendência de desaceleração da zona do euro vem em meio a incertezas externas, como o arrefecimento do comércio global, a questão do Brexit - como é conhecido o processo para que o Reino Unido se retire da União Europeia - e vulnerabilidades em países emergentes, como a China, assim como fatores locais, como a difícil situação econômica da Itália, que entrou em recessão técnica no fim do ano passado. Ele avaliou, porém, que as novas providências do BCE aumentam a "resiliência" da zona do euro.

Draghi também afirmou que o BCE alterou o calendário para suas diretrizes de setembro para dezembro e que as decisões tomadas hoje reforçam a credibilidade de sua orientação futura.

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