Setor de construção capta R$ 4,4 bilhões na bolsa e inicia expansão
Recursos servirão para pagar dívidas do passado e, principalmente, preparar as máquinas para a perspectiva de um novo ciclo de crescimento

Empresas que atuam no mercado imobiliário já colocaram R$ 4,4 bilhões no caixa este ano por meio de capitalização via oferta de ações na bolsa de valores, montante que vai continuar crescendo. A captação de recursos servirá para pagar dívidas do passado e, principalmente, preparar as máquinas para a perspectiva de um novo ciclo de crescimento que passa tanto por empreendimentos residenciais quanto comerciais.
Desde janeiro foram realizadas oito ofertas, todas subsequentes (follow on) - Tecnisa, Trisul, Eztec, Helbor, Gafisa, LPC (ex-Lopes) Cyrela Commercial Properties (CCP) e Log Commercial Properties - que resultaram nos R$ 4,4 bilhões.
A fila até o fim do ano também tem BR Properties, que estima levantar em torno de R$ 1 bilhão, e JHSF, cujos valores ainda não foram revelados. Além disso, a Kallas já tem bancos com mandatados para uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), mas esse passo deve ficar para o início do ano que vem.
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"O que tem sustentado as captações é a mudança do ponto de vista dos investidores institucionais, inclusive de estrangeiros, sobre o quadro econômico do Brasil. A nova avaliação é de que o ambiente está melhor no País e que o mercado imobiliário vai tirar proveito disso", afirmou o presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc), Luiz França.
Ao contrário de muitas ofertas de ações que se desenrolaram neste ano, o setor de construção realizou emissões primárias, e todas com pelo menos uma parte dos recursos voltados para investimentos. A busca por capital de giro também foi outro objetivo com as ofertas, mas a mensagem geral é de que a empresas vislumbram crescimento de fato.
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"Vemos fatores que vão ser explosivos para a volta da demanda por imóveis", apontou o diretor de relações com investidores da incorporadora Eztec, Emílio Fugazza. A empresa levantou R$ 979 milhões no mercado financeiro - a maior captação do ano no setor até aqui - para a compra de terrenos e participação em projetos de terceiros. Fugazza apontou que o setor está entrando em um novo ciclo de bonança, sustentado pela queda das taxas de juros e pela expectativa de uma melhora mais consistente da economia nacional após a aprovação das reformas, com tendência de diminuição do desemprego no curto a médio prazo.
A visão é compartilhada pela equipe de analistas de construção civil do BTG Pactual. "Acreditamos que um novo ciclo imobiliário está apenas começando, e a concorrência hoje é muito mais suave do que no passado. Esperamos que as empresas listadas na bolsa, mais profissionalizadas, devem se beneficiar muito nesse ciclo", descreveram Gustavo Cambauva e Elvis Credendio, em relatório do BTG Pactual que indicou uma valorização das ações dessas companhias.
Uma fonte de um banco de investimento observou ainda que as construtoras têm buscado a capitalização porque identificaram a oportunidade de aquisição de terrenos e perceberam que a competição poderia ficar mais acirrada lá na frente, caso a economia volte a crescer de fato. Então algumas empresas já quiseram deixar bala na agulha para antecipar as compras de terras e insumos para construção.
A Trisul e a Helbor, por exemplo, comunicaram a investidores que os recursos captados vão para a compra de terrenos e o lançamento de novos projetos. Na oferta mais recente, precificada nesta semana, a corretora LPS quer direcionar os aportes para desenvolvimento de tecnologia, marketing, capital de giro, além de aquisições focadas no setor de tecnologia.
Há, entretanto, as incorporadoras mais endividadas, que ainda não absorveram totalmente o impacto da crise econômica e da onda de distratos nos últimos anos. A Tecnisa separou o dinheiro para pagar dívidas, reforçar o capital de giro e, só depois disso, recompor seu estoque de terrenos. E a Gafisa realizou duas captações no ano, voltadas para quitar débitos com fornecedores e terminar obras que chegaram a ficar temporariamente paralisadas em meio a disputas societárias. Aliás, ao contrário das demais empresas que foram ao mercado público, a Gafisa optou por um aumento de capital privado.
Imóveis comerciais
A Cyrela Commercial Properties, do empresário Elie Horn, usará um quinto dos recursos para redução de endividamento e o restante para aquisição e desenvolvimento de novos projetos. A CCP é dona de sete shoppings, como Tietê Plaza e Cidade São Paulo, além de 15 prédios corporativos, como o Faria Lima Financial Center e o Miss Silvia Morizono, na zona sul da capital paulista.
Caminho semelhante será trilhado pela Log Commercial Properties, que anunciou ontem um ambicioso plano de crescimento que irá mais do que dobrar o seu portfólio de galpões logísticos até 2024. A empresa da família Menin, controladora da MRV, tem clientes como Correios, Ambev e Magazine Luiza, que usam os imóveis como armazéns e centros de distribuição de mercadorias.
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