Depois de um ano, credores aprovam plano de recuperação judicial da Abril
Um dos pilares do plano, que ainda precisa ser aprovado pela Justiça, é a venda da revista Exame

Em reunião realizada nesta terça-feira, 27, os credores do Grupo Abril, dono de revistas como Exame, Veja e Cláudia, aprovaram o plano de recuperação judicial da companhia. Um dos pilares do plano, que ainda precisa ser aprovado pela Justiça, é a venda da revista Exame.
Segundo apurou o 'Estado', o BTG Pactual estaria interessado no ativo, que deverá ser vendido como uma unidade produtiva independente (UPI) em até quatro meses.
A aprovação do plano veio um ano depois do pedido de recuperação judicial, realizado em 15 de agosto do ano passado. Além da venda da revista de economia e negócios do grupo, a Abril também prevê outras duas vendas de ativos: uma em até 20 meses (a unidade produtiva denominada Marginal Tietê, que inclui o edifício onde funciona a companhia) e outra em até 36 meses (a UPI Campos do Jordão).
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A venda da Exame e de imóveis servirá para pagar os credores de menor porte, de até R$ 10 mil. Já as pessoas físicas e jurídicas que têm dívidas de mais de R$ 100 mil a receber tiveram de aceitar um desconto superior a 90% em seus débitos.
Desde 17 de abril, o empresário Fábio Carvalho, que já participou de processos de recuperação judicial relevantes no passado, como o da varejista fluminense Casa & Vídeo, é o novo presidente da Abril. Desde então, ele vem trabalhando para conseguir angariar apoio ao plano de recuperação da empresa, cuja votação foi adiada diversas vezes. Nesta terça-feira, porém, conseguiu aprovação de 92% dos detentores de créditos.
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Embora o BTG não comente oficialmente a intenção de compra da Exame, a revista serviria para o banco montar uma plataforma de notícias sobre finanças e negócios no estilo do Infomoney, da XP Investimentos. O BTG inclusive já teria contratado uma executiva para tocar o novo projeto.
Débitos bilionários
As dívidas da companhia, no momento do pedido de recuperação judicial, somavam R$ 1,6 bilhão e eram consideradas "impagáveis" por fontes de mercado. Como seria impossível quitar todos os débitos, o jeito foi firmar um acordo em que credores abrissem mão de recursos em nome da manutenção da viabilidade econômica do negócio.
Como em outras recuperações judiciais, a ideia foi preservar pelo menos a chance de a companhia, no futuro, pagar pelo menos uma pequena parte do que deve.
Carvalho havia anunciado em dezembro de 2018 a compra de 100% do Grupo Abril. Ele pagou um valor simbólico, de R$ 100 mil, pelo negócio que concentra as principais revistas do País.
A reestruturação da companhia teve a participação da Alvarez & Marsal, consultoria especializada em negócios em dificuldades financeiras.
Na época, em entrevista ao 'Estado', Carvalho disse que a Abril ainda não gerava receitas suficientes para pagar suas obrigações, apesar da reestruturação capitaneada pela consultoria americana Alvarez & Marsal ao longo do ano passado.
Para garantir o equilíbrio do negócio no curto prazo, Carvalho disse à época que pretendia injetar R$ 70 milhões em dinheiro novo na Abril, em forma de financiamento do BTG.
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