Confiança de micro e pequeno empresário cai 7,6% nos primeiros sete meses do ano
Para 53% dos pessimistas com a economia, são as incertezas políticas que justificam sentimento negativo
Mesmo com o governo aprovando maioria dos projetos que tem enviado ao Congresso, a confiança da micro e pequena empresa não reage.
Ao contrário, do começo do ano até final de julho, a confiança no segmento caiu 7,6%, aponta levantamento feito pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e SPC Brasil no mês passado com 800 empresários dos setores de comércio e serviços com quadro de até 49 funcionários nos 27 Estados do País.
Vale frisar que no período em que a pesquisa se ambienta, na Câmara dos Deputados, entre outras coisas, foi aprovada a reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na Comissão Especial, no Plenário em dois turnos e as propostas de reforma Tributária viraram assunto certo em todas as rodas de parlamentares pelos corredores da casa.
A abertura do levantamento mostra que para 53% dos pessimistas com a economia, são as incertezas políticas que justificam sentimento negativo. Os otimistas, uma fração de 43% do total, se apoiam nas decisões da equipe econômica do governo. Dos consultados pela CNDL e SPC Brasil, 32% relataram terem visto melhora nos próprios negócios e 31%, piora.
"As expectativas frustradas de que haveria uma consolidação no processo de retomada econômica já impõem seus efeitos sobre as empresas de menor porte", avaliam os presidentes da CNDL, José Cesar da Costa, e do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior.
Chama a atenção dos pesquisadores o fato da confiança dos micro e pequenos empresários do comércio e dos serviços vir caindo mês pós mês desde o início do ano. Na abertura de 2019, a confiança do pequeno empresário havia atingido o maior patamar desde maio de 2015, com 65,7 pontos. Desde então, esse número vem recuando sucessivamente, até atingir 59,4 pontos em junho, com uma pequena recuperação para 60,6 pontos em julho passado.
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Pela metodologia do indicador, a confiança é medida em uma escala de zero a 100 pontos, sendo que quanto mais próximo de 100, maior é a confiança com a economia e seus negócios e, quanto mais perto de zero, menos confiantes estão os micros e pequenos empresários.
Em termos porcentuais, segundo o levantamento, 66% dos micro e pequenos empresários estão otimistas com o futuro da economia do País. Mas este porcentual já foi de 82% em janeiro deste ano. Já o número de empresários pessimistas passou de 5% para 12% em um intervalo de seis meses, enquanto 21% acreditam em uma estabilidade.
De acordo com a pesquisa, ainda que tenha havido uma piora nas expectativas ao longo deste ano, a percepção atual de otimismo supera o observado no mesmo período do ano passado, quando apenas 39% dos empresários ouvidos estavam confiantes com a economia e 24% declaradamente pessimistas.
Na avaliação do presidente da CNDL, Costa, com o debate acerca da previdência praticamente superado, espera-se que a atividade econômica possa ganhar força com as recentes medidas de estímulo anunciadas pelo governo. "A liberação dos saques do FGTS é um alento para consumidores e empresários, seja para impulsionar o consumo ou recuperar o crédito de quem está inadimplente", avalia.
Para ele, a proximidade de datas comemorativas importantes como Dia das Crianças, Black Friday e até mesmo a recém-criada "Semana do Brasil", em setembro, podem ajudar empresários a reduzirem estoques e salvar perdas do ano. Além disso, o novo ciclo de queda da Selic e o início das discussões da reforma Tributária também têm potencial de injetar ânimo no empresariado", afirma Costa.
*Com Estadão Conteúdo.
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