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2019-06-21T13:03:32-03:00
Natalia Gómez
Natalia Gómez
Balanço

Embraer continua voando baixo e registra prejuízo ajustado de R$ 229,9 milhões no primeiro trimestre

Balanço ficou abaixo do esperado pelos analistas, que previam prejuízo líquido ajustado de R$ 93,2 milhões. A receita líquida da companhia ficou estável e somou R$ 3,1 bilhões

15 de maio de 2019
7:19 - atualizado às 13:03
Embraer
Imagem: Wikpedia

A Embraer voltou a apresentar um resultado negativo no primeiro trimestre de 2019, com prejuízo líquido ajustado de R$ 229,9 milhões. Um ano antes, o prejuízo foi de R$ 208,9 milhões. Além da última linha vermelha, a empresa reportou menores volumes de entrega, uma carteira de pedidos mais magra e um aumento expressivo na dívida líquida.

O prejuízo atribuível aos acionistas somou R$ 160,8 milhões, ante um resultado negativo de R$ 130,4 milhões no mesmo período do ano anterior. O balanço ficou baixo do esperado pelos analistas, que previam prejuízo líquido ajustado de R$ 93,2 milhões, segundo a Bloomberg.

O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado somou R$ 120,4 milhões, 32% inferior ao Ebitda ajustado de R$ 177,1 milhões do ano anterior.

A receita líquida da companhia ficou estável e somou R$ 3,1 bilhões, com uma queda na receita da aviação comercial compensada pelos demais segmentos.

Carteira mais magra

A carteira de pedidos firmes da Embraer atingiu US$ 16 bilhões no final de março, considerando todas as entregas assim como os pedidos firmes ocorridos no período.

A carteira ficou praticamente em linha com o quarto trimestre de 2018 (US$ 16,3 bilhões), mas encolheu quando comparada ao primeiro trimestre de 2018, que era de US$ 19,5 bilhões.

Entregas não decolaram

Foram entregues 22 aeronaves no período, ante um total de 25 nos primeiros três meses de 2019. Mesmo assim, a empresa manteve a previsão de entregar 5 a 95 jatos comerciais e de 90 a 110 jatos executivos este ano. A companhia afirmou que espera que as entregas aumentem ao longo do ano.

O segmento de aviação comercial teve receita líquida de R$ 1,06 bilhão no primeiro trimestre, representando 34,2% da receita consolidada da empresa, ante participação de 39,7% no ano anterior. Isso ocorreu devido à queda das entregas, que passaram de 14 para 11 jatos.

A área comercial da Embraer é a parte da empresa que foi envolvida em um acordo com a Boeing para a formação de uma joint venture. A operação foi aprovada pelo governo brasileiro e pelos acionistas da Embraer mas precisa da aprovação regulatória de vários países.

As entregas da aviação executiva no primeiro trimestre somaram 11 unidades, em linha com o primeiro trimestre do ano anterior. Este segmento representou 14,4% da receita total, com R$ 449,6 milhões de receita líquida. Na aviação executiva, o avanço da receita foi de 8% sobre o ano passado.

O segmento de Defesa e Segurança ficou praticamente estável e sua participação na receita total da companhia foi de 21,8%. As receitas de Serviços e Suporte cresceram 19% em relação ao ano anterior, para R$ 920,7 milhões no trimestre, representando 29,5% da receita consolidada da companhia no primeiro trimestre de 2019, comparado a 24,9% um ano antes.

Dívida líquida em alta

Outra notícia desanimadora do balanço foi o aumento da dívida. A empresa fechou o trimestre com dívida líquida de R$ 4,3 bilhões, bem acima da dívida de R$ 2,5 bilhões do ano anterior.

O uso livre de caixa foi de R$ 2,49 bilhões, comparado a um uso de R$ 1,39 bilhão no primeiro trimestre de 2018. Segundo a empresa, o aumento foi causado por maiores investimentos em capital de giro (em especial estoques e contas a receber de clientes) e por menores contribuições de parceiros para compensar investimentos.

Despesas também pressionam

As despesas administrativas da Embraer subiram no primeiro trimestre, passando de R$ 143,8 milhões para R$ 173,9 milhões, impactadas pela variação cambial no período.

As despesas operacionais também ficaram mais pesadas devido ao aumento da baixa contábil (impairment) de aeronaves comerciais usadas no portfólio da empresa e pelos custos de separação relacionados à parceria com a Boeing. Outro motivo foi o aumento de impostos sobre remessas intercompanhias.

A linha de outras despesas operacionais foi a que mais cresceu, passando de R$ 96,2 milhões para R$ 201,5 milhões.

No relatório de resultados, a Embraer disse esperar que seu resultado operacional (Ebit) seja zero em 2019, incluindo os custos de separação relacionados à transação com a Boeing. No primeiro trimestre, o resultado operacional foi negativo em R$ 53,7 milhões.

A Embraer anunciou na semana passada que vai divulgar o balanço do primeiro trimestre atualizado em 31 de maio, já com a unidade de aviação comercial como operação descontinuada, refletindo a parceria com a Boeing. Os resultados de hoje ainda não trouxeram os efeitos desta separação.

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