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Decisão do governo Macri de declarar moratória, adiando pagamento a credores externos, deve trazer instabilidade ao real
A agenda econômica enfim ganha força nesta quinta-feira e tenta ocupar o espaço no mercado financeiro que vem sendo dominado pela guerra comercial. Mas quem rouba a cena no noticiário é a Argentina. A decisão do governo Macri de declarar moratória deve trazer instabilidade ao real, podendo acionar novo leilão de venda de dólares à vista.
O presidente Mauricio Macri decidiu postergar o pagamento aos credores externos e iniciou tratativas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para renegociar parte da dívida, inclusive a parcela referente a um empréstimo com o fundo, adquirido em junho de 2018. A renegociação será concluída pelo próximo governo, que assume em dezembro.
Aliás, o estopim da crise no país vizinho começou com a possibilidade de vitória da oposição nas eleições em outubro. A chapa que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como vice-presidente teve ampla vantagem sobre Macri nas eleições prévias, no início deste mês, dando como certa a volta da esquerda ao poder ainda neste ano.
E hoje é a notícia sobre a moratória argentina que deve abalar os ativos de países emergentes, em especial do Brasil, adicionando pressão sobre o câmbio. Ontem, o dólar encerrou a sessão em leve alta, seguindo acima de R$ 4,00 pela nona sessão seguida, a despeito dos leilões do Banco Central. E a moeda deve continuar pressionada hoje, em meio às saídas de recursos estrangeiros do país, que já se aproximam de US$ 20 bilhões no ano, pela via financeira.
O mercado deve testar a autoridade monetária, pedindo mais dólares das reservas internacionais, via leilão de venda no mercado à vista. Na terça-feira, o BC realizou tal operação de forma genuína, pela primeira vez desde 2009, sem a contraparte no mercado futuro, a fim de controlar a escalada da moeda norte-americana rumo ao topo histórico.
A ver como o dólar (e o BC) irão se comportar hoje. O desempenho do mercado doméstico de câmbio tende a afetar os negócios na Bolsa brasileira e nos juros futuros no curto prazo. Os investidores começam a ver o cenário de dólar a R$ 4,00 como um “novo normal”, revendo as estimativas para o ano e elevando a cautela em relação ao rumo da taxa Selic.
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Ao menos, o sinal positivo que prevalece nas bolsas internacionais pode aliviar parte da pressão esperada para o dia no mercado local. Os índices futuros em Nova York avançam firme, o que embala a abertura do pregão europeu, mas a sessão foi mista na Ásia, com leves oscilações negativas em Tóquio e Xangai, mas ganhos em Hong Kong.
Enquanto o Ocidente aguarda os dados do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no trimestre passado, o que sustenta a força do dólar, os mercado asiáticos foram afetado pelas tensões geopolíticas e a inversão da curva de juros norte-americana, o que manteve a preocupação em relação à desaceleração econômica global.
Por ora, os investidores ainda encontram dificuldades para ler os sinais emitidos pelos ativos, como o aprofundamento da diferença no rendimento (yield) dos títulos dos EUA (Treasuries) e o avanço sólido do ouro. A única certeza, por ora, é o que essa busca por proteção está dizendo em relação ao sentimento econômico, que ficou mais pessimista.
O fato é que o mercado está finalmente se dando conta que o presidente Donald Trump está falando sério em relação à guerra comercial e pode ir ainda mais longe, levando a cabo a disputa contra a China nos moldes de suas táticas enquanto magnata imobiliário. Nesse embate, o Federal Reserve pode não ter força para impedir estragos na economia.
O problema é que com as eleições presidenciais nos EUA se aproximando, em novembro de 2020, e os índices de aprovação de Trump em níveis baixos, o receio é de ele possa esticar mais a tensão comercial. E isso tende a reforçar os sinais de que a economia norte-americana pode em breve fraquejar.
Por outro lado, Pequim pode demonstrar cada vez menos interesse em fechar um acordo. Afinal, por que fazer concessões agora, se pode negociar os termos com um novo presidente dos EUA daqui a uns 15 meses? O risco é a China esperar por um democrata mais convencional no ano que vem e ver-se em apuros com o republicano reeleito.
Por ora, a única certeza é que de entram em vigor neste domingo tarifas adicionais sobre produtos chineses e norte-americanos, que tendem a afetar mais diretamente consumidores e produtores dos EUA. E esse impacto pode convencer mais eleitores de viés independente sobre se vale a pena mais quatro anos de Trump na Casa Branca.
Os números sobre o desempenho das economias brasileira e norte-americana no trimestre passado, pela manhã, são o destaque da agenda econômica desta quinta-feira. A expectativa é de que o dados possam lançar luz sobre o temido risco de recessão.
Enquanto a leitura revisada do PIB dos Estados Unidos deve mostrar crescimento de 2%, na taxa anualizada, ante alta original de 2,1%; há dúvidas sobre se a atividade doméstica não voltou à recessão técnica, após cair 0,2% nos três primeiros meses de 2019.
A previsão é de leve crescimento de 0,2% no segundo trimestre em relação ao período anterior, mas o risco de o número oficial ser negativo não deve ser descartado. Afinal, os dados de atividade entre abril e junho foram fracos, ao passo que o desemprego alto e o nível elevado do endividamento seguem comprometendo o consumo.
Já na comparação com o mesmo período de 2018, que foi marcado pela paralisação dos caminhoneiros, espera-se uma expansão de 0,8% do PIB brasileiro, o que, se confirmado, irá representar o décimo trimestre consecutivo de resultado positivo nesse tipo de confronto. Os dados do PIB do Brasil saem às 9h. Depois, às 9h30, é a vez do PIB dos EUA.
Ainda no calendário do dia, no Brasil, no mesmo horário da divulgação do PIB, às 9h, sai o índice de preços ao produtor (IPP) em julho. Antes, às 8h, é a vez do IGP-M de agosto, que deve apontar queda forte no resultado mensal, apagando a alta do mês anterior.
Já no exterior, a agenda norte-americana traz ainda os pedidos semanais de seguro-desemprego feitos nos EUA (9h30) e as vendas pendentes de imóveis residenciais no país no mês passado (11h). Na Europa, logo cedo, saem o índice de confiança do consumidor na zona do euro e a prévia da inflação ao consumidor na Alemanha.
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