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Dados fracos da balança comercial chinesa mantêm preocupação com economia global, mas investidores depositam confiança nos bancos centrais
Dados da balança comercial na China abrem a semana e elevam o temor em relação aos impactos da guerra comercial na economia global, após a inesperada queda de 1% nas exportações chinesas em agosto, em termos dolarizados, contrariando a previsão de alta de 2,2%. Só para os Estados Unidos, os embarques de produtos chineses caíram 16%.
Já as importações cederam 5,6%, em base anual, menos que a previsão de recuo de 6,4%, deixando um superávit comercial de US$ 34,84 bilhões. Ainda assim, as principais bolsas asiáticas encerraram a sessão em alta. Xangai subiu 0,8% e Tóquio avançou 0,6%, apesar do crescimento do PIB japonês no segundo trimestre abaixo do esperado, em +1,3%.
A previsão era de alta de 1,8%, na taxa anualizada, após uma expansão de 2,2% nos três primeiros meses deste ano. Hong Kong, por sua vez, fechou em leve baixa (-0,1%), em meio a novos protestos violentos na ex-colônia britânica, que destruíram estações de metrô, ao mesmo tempo em que manifestantes erguiam bandeiras dos EUA para pedir ajuda na proteção dos direitos humanos.
Na Europa, as bolsas ensaiam ganhos, com os investidores à espera da reunião do Banco Central Europeu (BCE), na quinta-feira, quando se espera um novo pacote de estímulos. Porém, a crise do Brexit complica as perspectivas para a economia europeia, diante da intenção do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, de seguir com o seu plano de saída do Reino Unido da União Europeia (UE) em 31 de outubro.
Em Wall Street, os investidores também se apoiam no mais recente discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, para sustentar o sinal positivo nos negócios. Os índices futuros das bolsas de Nova York avançam, em meio à visão de que Powell pavimentou o caminho para um novo corte na taxa de juros norte-americana neste mês.
Nos demais mercados, o euro oscila em alta e a libra esterlina, em baixa, com o dólar medindo forças em relação às moedas rivais, mas perdendo terreno para as moedas de países emergentes. O juro projetado pelo título norte-americano de 10 anos (T-note) está estável. Entre as commodities, o petróleo avança, antes da reunião dos países da Opep.
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Esse comportamento dos ativos no exterior deve continuar influenciando os mercados domésticos, que têm acompanhado mais de perto o cenário global. Ainda assim, também merece atenção o andamento da reforma da Previdência no plenário do Senado, sendo que ambas as PECs estão prontas para serem votadas em primeiro turno nesta semana.
Os bancos centrais voltam a ficar no centro das atenções do mercado financeiro a partir desta semana, uma vez que a economia global segue prejudicada pela guerra comercial entre EUA e China. Os últimos dados sobre a atividade em ambos os países e sobre o emprego norte-americano (payroll) mantêm o nervosismo entre os investidores.
O receio é de que esses números piorem ainda mais, caso EUA e China não avancem nas negociações previstas para as próximas semanas em Washington. Afinal, os dados mais recentes antecedem o mês em que entrou em vigor uma nova rodada de tarifas de ambos os lados, sendo que aumentos adicionais estão previstos para outubro e dezembro.
E por onde se vê, há sinais de que o conflito está penalizando as duas maiores economias do mundo. E o cenário pode ficar ainda pior, antes de melhorar, caso não haja um acordo neste ano nem em 2020, o que pode retirar até meio ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) de ambos os países.
Esse impacto pode ser ainda maior, se houver uma escalada da tensão comercial no curto prazo. Afinal, sabe-se que as demandas de Washington em relação a Pequim são difíceis de serem cumpridas, ao mesmo tempo que a pressão de Donald Trump por alcançar os objetivos antes da eleição presidencial pode dificultar que tudo melhore.
Por isso, os investidores depositam sua confiança nos bancos centrais, acreditando que novos estímulos monetários nas economias desenvolvidas darão suporte ao mercado para enfrentar a turbulência à frente. O problema é que nenhuma das incertezas no radar - envolvendo as negociações entre EUA e China; Hong Kong e o Brexit - foram resolvidas e é cedo para dizer que os acontecimentos recentes irão garantir um rali de fim de ano.
O que se pode dizer é que a situação em Hong Kong está longe de uma solução estrutural, mesmo após a líder Carrie Lam fazer a maior concessão aos manifestantes. Da mesma forma, ainda não há uma definição para o Brexit, apesar das derrotas de Johnson no Parlamento e há dúvidas quanto à capacidade de atuação dos bancos centrais. No fim, o crescimento econômico continua emitindo sinais preocupantes.
A decisão de juros do Banco Central Europeu (BCE), na quinta-feira, é o grande destaque da semana, já que os encontros do Federal Reserve e do Comitê de Política Monetária (Copom) estão previstos apenas para a semana que vem. Para saber mais sobre a expectativa em torno dessas reuniões, leia em A Bula da Semana.
Já nesta segunda-feira, a agenda econômica doméstica traz como destaque as tradicionais publicações domésticas do dia, a saber, o relatório de mercado Focus (8h30) e os dados semanais da balança comercial (15h). No exterior, sai o crédito ao consumidor nos EUA em julho (16h). À noite, a China volta à cena para anunciar os índices de preços ao produtor (PPI) e ao consumidor (CPI) em agosto.
Em discurso à nação na ultima quarta-feira (1), Trump prometeu “levar o Irã de volta a Idade da Pedra”. Com isso, os futuros do Brent dispararam, mas bolsas ao redor do mundo conseguiram conter as quedas. Ibovespa encerrou o dia com leve alta de 0,05%, a 188.052,02 pontos
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