Mercado volta do feriado frustrado com o Fed
BC dos EUA não corrobora expectativas de corte na taxa de juros norte-americana neste ano e abre espaço para uma correção nos preços dos ativos de risco
Após a pausa pelo Dia do Trabalho, os mercados financeiros voltam a funcionar hoje em várias partes do mundo com um sentimento comum de frustração, que abalou os negócios em Nova York ontem. O Banco Central dos Estados Unidos (Fed) não corroborou as expectativas dos investidores de que o próximo movimento na taxa de juros seria de corte.
Segundo o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, não há, neste momento, qualquer razão para apertar ou afrouxar a política monetária, uma vez que o cenário de emprego está mais forte que o esperado e a inflação fraca pode ser “transitória”. Em reação, ontem, o índice S&P 500 registrou a maior queda em seis semanas e o dólar se fortaleceu.
A decisão do Fed de manter a taxa de juros norte-americana no intervalo atual de 2,25% a 2,50% e os comentários de Powell, durante entrevista coletiva, provocaram uma reprecificação nos ativos de risco. Foi o gatilho capaz de engatar uma correção, penalizando as ações, commodities e moedas emergentes.
O problema é que os mercados estavam convencidos de que o próximo movimento do Fed seria um corte, possivelmente já no segundo semestre deste ano. Só que para isso acontecer em breve, “Jay” Powell deixou claro que é preciso que os indicadores econômicos piorem - e muito - pois o cenário mais provável não inclui corte algum.
Tanto que, para controlar as apostas de uma queda iminente no custo do empréstimo nos EUA, o Fed reduziu os juros pagos sobre as reservas excedentes (IOER, na sigla em inglês), de 2,40% para 2,35%. Com a medida, a autoridade monetária tenta obter um controle maior sobre o comportamento das taxas de juros de curto prazo.
War and data
Com isso, a atenção do mercado financeiro fica dividida entre os indicadores econômicos norte-americanos e a guerra comercial entre EUA e China, em busca de sinais sobre a saúde da atividade global e a necessidade (ou não) de estímulos adicionais por parte do Fed.
Leia Também
Em relação à disputa entre as duas maiores economias do mundo, a delegação norte-americana encerrou a rodada de negociações em Pequim classificando-a como “produtiva”. Ainda existem obstáculos para um acordo final e as conversas serão retomadas em Washington na próxima semana, quando se espera que um esboço seja alcançado.
A expectativa é de que os presidentes Donald Trump e Xi Jinping assinem um termo até junho. A reversão de tarifas já adotadas e o acesso a mercados-chave na China estão sendo discutidos, mas o governo chinês resiste em abrir mão de subsídios a empresas nacionais, o que forçaria uma mudança na diretriz política do partido comunista.
Além disso, nesta véspera da divulgação do relatório oficial sobre o mercado de trabalho nos EUA, os investidores redobram a cautela, já que a pesquisa ADP mostrou ontem uma criação robusta de vagas no setor privado norte-americano, em um sinal de que o payroll amanhã pode vir igualmente forte.
Segundo a ADP, a economia dos EUA gerou 275 mil postos de trabalho nas empresas em abril, número que ficou bem acima da previsão de alta de 180 mil. Com isso, a estimativa para o payroll do mês passado, de abertura da 187 mil vagas, também foi elevada para algo acima de 200 mil - entre 210 mil e 240 mil - o que manteria a taxa de desemprego em 3,8%.
Mas o que os investidores estão mesmo interessados é no ganho médio por hora, a fim de interpretar se as leituras fracas sobre os preços ao consumidor são mesmo “transitórias”, como disse o Fed. A estimativa é de crescimento de 3,3% no rendimento por hora trabalhada, na média e em base anual.
Wall Street melhora
Os índices futuros das bolsas de Nova York amanheceram em alta hoje, o que abriu espaço para uma melhora nos negócios na Ásia na volta do feriado, ofuscando a queda de ontem em Wall Street. As bolsas de Xangai e de Hong Kong subiram, diante das esperanças de um acordo comercial da China com os EUA na sexta-feira da semana que vem.
Já na Europa, as principais bolsas ainda são afetadas pela decisão do Fed, sem forças para firmar uma direção positiva para o dia. O euro e a libra esterlina, porém, ensaiam ganhos em relação ao dólar, que também perde terreno para algumas moedas correlacionadas às commodities. O petróleo, por sua vez, segue em queda.
Previdência só dia 7
Já no Brasil, a reforma da Previdência volta à pauta apenas na próxima semana. A primeira sessão da comissão especial foi marcada para a terça-feira que vem, quando terá início a contagem das atividades. São necessários, no mínimo, dez sessões, para poder colocar o relatório em votação. É nesse período que são apresentadas as emendas à proposta.
O mercado financeiro doméstico está ansioso em relação ao tema e não vê a hora de a tramitação das novas regras para aposentadoria ganhar celeridade. A expectativa do investidor é de que novos tópicos já sejam lançados, como o caso da reforma tributária, já ventilada pela imprensa.
O problema é que enquanto não estiver clara a desidratação que o texto original pode sofrer na comissão especial nem a garantia dos 308 votos necessários para aprovar a matéria no plenário da Câmara, em dois turnos, os ativos locais tendem a seguir vulneráveis à cena política. E, com isso, tudo aquilo que se espera de mudanças para o país fica em suspense.
Para o mercado financeiro, o Legislativo não deu conta da importância e da urgência da agenda de reformas do governo nem da gravidade da situação fiscal do Brasil. Houvesse essa sensibilidade, a comissão especial retomaria os trabalhos já nesta quinta-feira e não apenas no próximo dia 7, perdendo dias preciosos para acelerar tramitação...
Essa demora no andamento da Previdência entre os deputados abre espaço para as críticas e manifestações contrárias à reforma. Ontem, feriado do Dia do Trabalho, milhares de pessoas foram às ruas para protestar, em um movimento que uniu as centrais sindicais pela primeira vez em São Paulo.
Aos gritos e bandeiras de “fora Bolsonaro”, a celebração do 1º de Maio virou um desagravo ao governo e pode afetar ainda mais a popularidade do presidente Jair Bolsonaro, que registrou queda recorde na aprovação antes de completar os primeiros cem dias de mandato. E a perda de apoio entre a população pode abalar o capital político do Executivo, dificultando as negociações com o Congresso sobre a aprovação da reforma.
Em pronunciamento em cadeia nacional, em razão do Dia do Trabalho, Bolsonaro atribuiu as “dificuldades iniciais” de mandato às “concepções políticas antagônicas”, creditando os obstáculos às diferenças ideológicas com governo anteriores. Com quase 30 milhões de brasileiros não trabalhando ou trabalhando menos do que gostariam, o presidente dedicou sua fala à medida da liberdade econômica, que faz um afago aos empreendedores.
Volta do feriado tem agenda fraca
A agenda econômica desta quinta-feira está mais fraca, no Brasil e no exterior. Por aqui, destaque para os dados da balança comercial em abril, a partir das 15h. Na safra de balanços, o Itaú publica o resultado financeiro referente ao primeiro trimestre deste ano, após o fechamento da sessão local.
No exterior, merece atenção a decisão de juros do Banco Central da Inglaterra (BoE), às 8h. No mesmo horário, a autoridade monetária publica o relatório trimestral de inflação. Já nos EUA saem (9h30) os pedidos semanais de auxílio-desemprego e dados sobre o custo da mão de obra e a produtividade no país, além das encomendas às fábricas (11h).
Com invasão dos EUA na Venezuela, como fica o preço do petróleo e o que pode acontecer com a Petrobras (PETR3) e junior oils
Empresas petroleiras brasileiras menores, como Brava (BRAV3) e PetroRio (PRIO3), sofrem mais. Mas a causa não é a queda do preço do petróleo; entenda
Pão de Açúcar (PCAR3) tem novo CEO depois de meses com cargo ‘vago’. Ele vai lidar com o elefante na sala?
Alexandre Santoro assume o comando do Grupo Pão de Açúcar em meio à disputa por controle e a uma dívida de R$ 2,7 bilhões
Nem banco, nem elétrica: ação favorita para janeiro de 2026 vem do canteiro de obras e está sendo negociada com desconto
Com um desconto de 27,18% no último mês, a construtora recebeu três recomendações entre os nove bancos e corretoras consultados pelo Seu Dinheiro
Ação da Azul (AZUL54) em queda livre: por que os papéis estão sendo dizimados na bolsa, com perdas de 50% só hoje (2)?
Papéis derretem na bolsa após o mercado precificar os efeitos do Chapter 11 nos EUA, que envolve conversão de dívidas em ações, emissão massiva de novos papéis, fim das preferenciais e forte diluição para os atuais acionistas
Dasa (DASA3): vender ativos por metade do preço pago foi um bom negócio? Analistas respondem
Papéis chegaram a disparar com a venda de ativos, mas perderam força ao longo do dia; bancos avaliam que o negócio reduz dívida, ainda que com desconto relevante
Minerva (BEEF3) e MBRF (MBRF3) caem forte com tarifas da China sobre a carne bovina brasileira
País asiático impôs uma tarifa de 55% às importações que excederem a cota do Brasil, de 1,1 milhão de toneladas
FIIs de galpões logísticos foram os campeões de 2025; confira o ranking dos melhores e piores fundos imobiliários do ano
Entre os destaques positivos do IFIX, os FIIs do segmento de galpões logísticos vêm sendo beneficiados pela alta demanda das empresas de varejo
Petrobras (PETR4): por que ação fechou o ano no vermelho com o pior desempenho anual desde 2020
Não foi só o petróleo mais barato que pesou no humor do mercado: a expectativa em torno do novo plano estratégico, divulgado em novembro, e dividendos menos generosos pesaram nos papéis
As maiores quedas do Ibovespa em 2025: o que deu errado com Raízen (RAIZ4), Hapvida (HAPV3) e Natura (NATU3)?
Entre balanços frustrantes e um cenário econômico hostil, essas companhias concentraram as maiores quedas do principal índice da bolsa brasileira
Ouro recua quase 5% e prata tomba quase 9% nesta segunda (29); entenda o que aconteceu com os metais preciosos
Ouro acumula alta de 66% em 2025, enquanto a prata avançou cerca de 145% no ano
Na reta final de 2025, Ibovespa garante ganho de 1,5% na semana e dólar acompanha
A liquidez reduzida marcou as negociações na semana do Natal, mas a Selic e o cenário eleitoral, além da questão fiscal, continuam ditando o ritmo do mercado brasileiro
Apetite por risco atinge o maior nível desde 2024, e investidores começam a trocar a renda fixa pela bolsa, diz XP
Levantamento com assessores mostra melhora no sentimento em relação às ações, com aumento na intenção de investir em bolsa e na alocação real
Perto da privatização, Copasa (CSMG3) fará parte do Ibovespa a partir de janeiro, enquanto outra ação dá adeus ao índice principal
Terceira prévia mostra que o índice da B3 começará o ano com 82 ativos, de 79 empresas, e com mudanças no “top 5”; saiba mais
3 surpresas que podem mexer com os mercados em 2026, segundo o Morgan Stanley
O banco projeta alta de 13% do S&P 500 no próximo ano, sustentada por lucros fortes e recuperação gradual da economia dos EUA. Ainda assim, riscos seguem no radar
Ursos de 2025: Banco Master, Bolsonaro, Oi (OIBR3) e dólar… veja quem esteve em baixa neste ano na visão do Seu Dinheiro
Retrospectiva especial do podcast Touros e Ursos revela quem terminou 2025 em baixa no mercado, na política e nos investimentos; confira
Os recordes voltaram: ouro é negociado acima de US$ 4.450 e prata sobe a US$ 69 pela 1ª vez na história. O que mexe com os metais?
No acumulado do ano, a valorização do ouro se aproxima de 70%, enquanto a alta prata está em 128%
LCIs e LCAs com juros mensais, 11 ações para dividendos em 2026 e mais: as mais lidas do Seu Dinheiro
Renda pingando na conta, dividendos no radar e até metas para correr mais: veja os assuntos que dominaram a atenção dos leitores do Seu Dinheiro nesta semana
R$ 40 bilhões em dividendos, JCP e bonificação: mais de 20 empresas anunciaram pagamentos na semana; veja a lista
Com receio da nova tributação de dividendos, empresas aceleraram anúncios de proventos e colocaram mais de R$ 40 bilhões na mesa em poucos dias
Musk vira primeira pessoa na história a valer US$ 700 bilhões — e esse nem foi o único recorde de fortuna que ele bateu na semana
O patrimônio do presidente da Tesla atingiu os US$ 700 bilhões depois de uma decisão da Suprema Corte de Delaware reestabelecer um pacote de remuneração de US$ 56 bilhões ao executivo
Maiores quedas e altas do Ibovespa na semana: com cenário eleitoral e Copom ‘jogando contra’, índice caiu 1,4%; confira os destaques
Com Copom firme e incertezas políticas no horizonte, investidores reduziram risco e pressionaram o Ibovespa; Brava (BRAV3) é maior alta, enquanto Direcional (DIRR3) lidera perdas
