Mercado se protege na véspera do carnaval
Investidor retoma postura defensiva e busca proteção em ativos mais seguros, antes da pausa prolongada do carnaval

O novo mês começa com os investidores retomando a postura defensiva e buscando proteção em ativos mais seguros, antes da pausa prolongada do carnaval, até o início da tarde da próxima quarta-feira. Afinal, ninguém vai querer passar os dias de folia aqui no Brasil exposto ao risco, enquanto mundo continuará funcionando a pleno vapor.
Aliás, a ausência de notícias relevantes, principalmente em relação ao andamento da reforma da Previdência no Congresso, já havia reduzido o ritmo dos negócios locais nos últimos dias, com os investidores elevando a cautela. Hoje, o mercado deve retomar esse movimento lateral, ainda mais após as declarações do presidente Jair Bolsonaro.
Ontem, ele afirmou que está disposto a negociar alguns pontos da proposta do governo de novas regras para aposentadoria. Entre eles, a redução da idade mínima para as mulheres se aposentarem, de 62 anos para 60 anos. Bolsonaro também falou em flexibilizar a concessão do benefício a idosos em situação de carência (BCP) e na pensão por morte.
O problema é que apenas essa sinalização já pegou mal no mercado. Ao antecipar tais mudanças, o presidente comete um erro de estratégia, minando os esforços da equipe econômica de preservar a “essência” da proposta. Bolsonaro não deveria, de antemão, indicar um “enxugamento” que deve ocorrer durante as negociações com o Congresso.
E não foi só no mercado ficou que as declarações do presidente geraram polêmica. A afirmação de Bolsonaro dividiu opiniões entre os líderes partidários da Câmara. Parte deles considera positiva a manifestação, por facilitar a tramitação da proposta, enquanto outra parte vê a admissão como negativa. A proposta começa a tramitar após o carnaval.
China embala exterior
Uma vez que o noticiário recente não ajuda a sustentar o otimismo no mercado doméstico, os investidores não devem se empolgar muito com o sinal positivo vindo do negócios no exterior e passar os dias de folia “descoberto”. Lá fora, os mercados internacionais se animaram com as notícias sobre a China.
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O índice dos gerentes de compras (PMI) calculado pelo Caixin recuperou-se e subiu ao maior nível em três meses em fevereiro, a 49,9, de 48,3 em janeiro, aproximando-se da linha divisória de 50, que separa contração e expansão da atividade. O dado se contrasta com a leitura do PIM oficial, na véspera, que caiu ao menor nível em três anos.
Em reação, as bolsas de Xangai e de Hong Kong tiveram altas firmes, de +1,8% e +0,7%, embaladas também pela decisão do MSCI, um fornecedor líder de índices acionários referenciais (benchmark), de quadruplicar o peso das ações chinesas no índice global, até novembro, e de incluir mais ações chinesas no índice de mercados emergentes.
A decisão tende a impulsionar o fluxo de recursos estrangeiros ao mercado acionário chinês, elevando a confiança dos investidores de que Pequim irá prover estímulos monetários e fiscal país. Já no Ocidente, os índices futuros das bolsas de Nova York e as principais bolsas europeias pegam carona nos ganhos vindo da Ásia, confiantes também em um acordo comercial sino-americano.
Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, devem assinar, em semanas, um acordo comercial, dando fim à guerra tarifária entre os dois países. O texto ainda estaria sendo preparando, com Washington avaliando se deve (ou não) fazer concessões a Pequim.
Nos demais mercados, o dólar tenta ganhar terreno em relação às moedas rivais, em meio ao avanço no rendimento (yield) dos bônus norte-americanos (Treasuries). O papel de 10 anos (T-note) volta a ter taxa acima de 2,70%. Nas commodities, o petróleo avança, em meio aos cortes na produção pelos países da Opep e à tração da economia dos EUA.
Mais dados de atividade
A semana chega ao fim com novos indicadores sobre a atividade, que devem confirmar a desaceleração da economia global. Logo cedo, a zona do euro anuncia a leitura final de fevereiro do índice dos gerentes de compras (PMI) no setor industrial. Também saem dados sobre o desemprego e a inflação ao consumidor (CPI) na região da moeda única.
Nos EUA, destaque para os dados sobre a renda pessoal e os gastos com consumo em dezembro, além do índice de preços ao consumidor PCE. Também serão conhecidos indicadores do setor imobiliário e sobre a atividade na indústria do país, além da versão revisão da confiança do consumidor norte-americano - todos às 12h.
Ao longo do dia, as fabricantes de automóveis divulgam as vendas de veículos em fevereiro. Já no Brasil, o calendário econômico e de balanços trimestrais está esvaziado, sem destaques.
Conteúdo Empiricus
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