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Bruna Furlani
Bruna Furlani
Jornalista formada pela Universidade de Brasília (UnB). Fez curso de jornalismo econômico oferecido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Tem passagem pelas editorias de economia, política e negócios de veículos como O Estado de S.Paulo, SBT e Correio Braziliense.
PARA VOLTAR AS BOAS

A sugestão do analista do JP Morgan para a Apple voltar às boas: por que você não compra a Netflix?

Nas estimativas de Samik Chatterjee, a aquisição da empresa custaria, provavelmente cerca de US$ 189 bilhões. Na opinião dele, a Netflix seria a melhor estratégia para aumentar a posição da Apple como criadora de conteúdo em vídeo

Bruna Furlani
Bruna Furlani
5 de fevereiro de 2019
12:21 - atualizado às 17:48
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

A Apple não está exatamente na sua melhor fase. A companhia perdeu valor na bolsa depois de reportar uma queda de 5% no faturamento do 4º trimestre, puxado em boa parte pela diminuição na venda de iPhones. O analista do banco JP Morgan, Samik Chatterjee, mandou uma sugestão para a Apple voltar às boas no seu último relatório: que tal comprar a Neftlix?

Sim, ela mesma, a gigante de streaming e dona de produções próprias como La Casa de Papel; Gracie and Frankie; The Crown; Sabrina, a aprendiz de feiticeira.

Nas estimativas dele, a aquisição da empresa custaria, provavelmente cerca de US$ 189 bilhões. Em sua justificativa, o analista destacou que "a Netflix é a melhor estratégia para aumentar a posição de liderança da Apple e o seu nível de engajamento, assim como o conteúdo original, diferenciando a empresa de um negócio que simplesmente agrega conteúdos".

Apesar da ideia parecer um tanto quanto distante da realidade, o especialista ressaltou que a Apple possui cerca de US$ 250 bilhões disponíveis em caixa.

É claro que a ideia de Chatterjee é apenas uma recomendação para a empresa. Mas, na opinião dele, há muito valor em adquirir um dos maiores players de sucesso no setor de produção de conteúdo.

"Acreditamos que a Apple pode tirar bastante proveito da sinergia que existe entre as duas empresa. Uma é líder no setor de smartphones e hoje há uma rápida transição do consumo de vídeo para versão mobile, o que pode gerar um crescimento dos serviços", destacou Chatterjee.

A união de empresas de tecnologia com gigantes do audiovisual é uma tendência na indústria global. A AT&T, uma das maiores operadoras de telefonia dos Estados Unidos, desembolsou bilhões de dólares pela compra da Time Warner, anunciada em 2016.

A Comcast e a Disney travaram uma batalha pública pela aquisição da 21st Century Fox, com a vitória da criadora do Mickey Mouse. Por trás dessa briga, está uma aposta de que agregar conteúdo a serviços de tecnologia poderá ser um diferencial na competição da indústria de telecomunicações.

Três razões

Para Chatterjee, há três razões para que a Apple adquira a Netflix:

  1. Primeiro, a companhia está alinhada com a ideia da Apple de agregar conteúdos.
  2. Em segundo lugar, a Netflix possui um modelo de inscrição que se assemelha com o modelo de serviços de maior retorno da companhia da "maçãzinha".
  3. E, na visão dele, seria mais fácil do que adquirir a Hulu e o serviço da Amazon Prime, que oferecem serviços de vídeo sob demanda semelhante aos da Netflix.

Nada de criar

Na visão do analista, seria muito mais fácil se a Apple apenas adquirisse a Netflix do que tentasse criar um serviço parecido ao dela. Isso porque o serviço de streaming de vídeos com conteúdo original é extremamente competitivo. Segundo ele, há empresas tradicionais de mídia brigando com novatas por audiência, o que torna mais difícil escalar qualquer plataforma de forma competitiva.

Além disso, Chatterjee diz que a aquisição poderia levar aumentar o lucro da Apple com publicidade.

No relatório, o analista também disse que a Apple pode comprar outras duas empresas como a Activision Blizzard, de jogos eletrônicos, e a Sonos de equipamentos eletrônicos.

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