Privatização da Eletrobras será discutida no 1º semestre, diz Ferreira Júnior
"É a primeira vez que o Brasil vai fazer uma operação desse tamanho, temos que ir com calma", disse durante palestra na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ).

O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Júnior, disse nesta terça-feira, 10, confiar que o Congresso Nacional vai aprovar a privatização da Eletrobras no primeiro semestre do ano e a operação de capitalização na B3 será feita no segundo semestre de 2020.
"Levaram sete meses para aprovar a Previdência, que é mais difícil. A discussão termina no primeiro semestre e no segundo semestre fazemos a venda. É a primeira vez que o Brasil vai fazer uma operação desse tamanho, temos que ir com calma", disse durante palestra na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ).
Segundo Ferreira, a privatização vai permitir à Eletrobras investir mais e arrecadar recursos para o governo.
Em evento no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na última sexta-feira, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que a Eletrobras "está condenada à morte" se não for privatizada.
Cautela de Maia
De acordo com Ferreira, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, ainda não escolheu o relator que irá instalar a comissão para estudar a privatização da Eletrobras porque está sendo cauteloso. Segundo ele, Maia procura alguém que consiga fazer andar o projeto na Câmara.
"Ele está tomando o cuidado necessário para colocar o relator que faça de fato deslanchar o projeto. Nós tivemos como parte do processo várias interações com ele (Maia), ele só está sendo cauteloso", disse Ferreira, já depois da palestra na ACRJ.
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De acordo com o executivo, a expectativa é de que o relator seja escolhido por Maia ainda este ano.
Ele descartou obstáculos para aprovação da privatização por se tratar de um ano eleitoral, afirmando que a venda da estatal e a eleição para prefeitos "não vão se misturar", disse, alegando que a aprovação no Congresso deverá ocorrer no primeiro semestre e a venda no segundo semestre.
Participação do governo na capitalização
O governo deverá ficar com cerca de 45% das ações da Eletrobras no processo de capitalização da companhia na B3, e posteriormente poderá vender mais algum lote, como ocorreu na BR Distribuidora, disse Ferreira Júnior.
Segundo ele, a tendência é de que as ações que ficarão com o governo valham o dobro do valor atual em uma eventual nova oferta de ações. "Vamos fazer um aumento de capital de R$ 15 bilhões e o governo será diluído, mas ficará com 45% do capital e esperamos que com o tempo isso valha o dobro", afirmou.
Ebitda
O presidente da Eletrobras informou ainda que a empresa vai registrar este ano Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de mais de R$ 10 bilhões, cinco vezes a mais do que a estatal fazia há três anos, quando o executivo entrou na companhia. "Passados esses três anos a companhia vem tendo lucro, era uma média de R$ 2 bilhões de Ebtida e vamos bater R$ 10 bilhões este ano", disse.
Em pleno processo de privatização, que encontra resistência no Congresso Nacional, a Eletrobras enxugou seu quadro de pessoal, de 26 mil para 12,5 mil na gestão de Ferreira.
Ele anunciou ainda, que irão entrar em operação 250 megawatts provenientes de parques eólicos que serão inaugurados por Furnas e Chesf, subsidiárias da Eletrobras entre dezembro deste ano e janeiro 2020. "Não conseguimos reverter o passado, mas as perspectivas são muito boas", disse aos empresários.
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