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Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

Palavras de Michael Burry

O guru de ‘A Grande Aposta’ faz uma nova previsão: ponha fichas nos videogames

Famoso por ter previsto a crise do mercado financeiro de 2008, Michael Burry faz uma nova aposta. E, desta vez, o alvo de suas recomendações é o mercado de videogames

Victor Aguiar
Victor Aguiar
31 de agosto de 2019
13:02 - atualizado às 9:42
Jogos de videogames
Para Michael Burry, um jogador desacreditado no mundo dos videogames pode oferecer uma boa chance de lucro - Imagem: Shutterstock

Michael Burry. Um nome bastante familiar para quem gosta de mercado financeiro ou de cinema (ou dos dois): trata-se do guru que percebeu a formação de uma bolha imobiliária nos Estados Unidos e previu a crise de 2008 — a história foi retratada no filme 'A Grande Aposta', de 2015.

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Mas engana-se quem pensa que Burry vive apenas das glórias do passado: de olho na indústria bilionária dos videogames, o megainvestidor fez uma nova previsão. E, assim como ocorreu lá em 2008, ele rema contra a maré.

Nada de insights brilhantes sobre a Microsoft, a Sony ou a Nintendo, as três maiores forças desse universo. Burry está particularmente otimista com a GameStop — uma espécie de brechó de videogames cujas ações já despencaram quase 70% na bolsa de Nova York desde o início do ano.

Para quem não sabe, a GameStop é uma rede americana de lojas de videogame que compra jogos e consoles usados e os revende. É verdade que a companhia também comercializa itens novos e todo tipo de mercadoria ligada ao universo dos games, mas a maior parte de sua receita é gerada pela venda dos artigos de segunda mão.

Esse modelo de negócio fazia muito sentido nos início dos anos 2000, quando a GameStop foi fundada. Afinal, naquela época, era obrigatório que os jogos de videogame fossem lançados em alguma mídia física, sejam elas CDs, DVDs ou cartuchos. E, assim, a venda ou a troca dessas unidades por outras era uma possibilidade interessante.

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Mas, conforme a indústria foi evoluindo, esse modelo de compra e venda de mídias usadas foi perdendo força. Os consoles de última geração — caso do Playstation 4, do Xbox One e do Nintendo Switch —, continuam usando mídias físicas, mas também disponibilizam jogos por meios digitais.

Basta entrar numa loja virtual, escolher o título de sua preferência, pagar pelo download — muitas vezes, num preço menor que o da cópia física — e pronto: você tem um novo jogo, sem sair de casa. Só que, ao contrário das cópias físicas, não há a possibilidade de vender um arquivo digital para um brechó, ou trocar com um amigo.

E, naturalmente, é tentador imaginar que, assim como os DVDs de filmes ou os CDs de música foram massacrados pelas mídias digitais, a indústria de videogames tende a seguir pelo mesmo caminho, deixando os discos de lado para adotar um modelo de vendas e distribuição totalmente baseado na internet.

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Sendo assim, por que Michael Burry está fazendo essa grande aposta na GameStop?

Desempenho das ações da GameStop no ano
Desempenho das ações da GameStop no ano

Coloque uma ficha para jogar

O segredo está na próxima geração de videogames: tanto a Sony quanto a Microsoft devem lançar os sucessores do Playstaton 4 e do Xbox One em 2020 ou 2021. E se a atual safra de consoles já usa lojas virtuais, a seguinte deve abolir de vez o uso das mídias físicas, certo?

Errado: as duas empresas já sinalizaram que a próxima geração de consoles não será 100% digital e continuará contando com jogos lançados em discos. Ou seja, a GameStop ainda terá material para dar continuidade ao seu modelo de negócio.

É claro que o uso de mídias físicas tende a diminuir cada vez mais, dada a comodidade das lojas virtuais da Sony, da Microsoft e da Nintendo. No entanto, o que Burry argumenta é que a GameStop terá uma sobrevida interessante, de, ao menos, mais uma geração de consoles.

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Vale lembrar que os ciclos de videogames são relativamente longos. Tanto o Playstation 4 quanto o Xbox One, atuais carros-chefe da Sony e da Microsoft, respectivamente, foram lançados em 2013. Portanto, é de se esperar que a GameStop consiga sobreviver por mais algum tempo, sustentado pelos discos dos jogos da nova geração de consoles.

Burry alia toda essa linha de raciocínio à tendência bastante negativa das ações da GameStop neste ano. Com base na crença de que a rede de lojas caminha para a extinção com a nova geração de videogames batendo à porta, os papéis da companhia saíram do nível de US$ 12,62 no fim do ano passado e chegaram a ser negociados perto dos US$ 3,00 neste mês.

O que o guru quer dizer é: a GameStop não está condenada à morte, como muitos acreditavam — e, no atual nível de preços, suas ações oferecem um potencial interessante de retorno. Se você se convenceu pela visão otimista do megainvestidor, basta colocar algumas fichas da empresa e entrar no jogo.

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