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Pesquisa mostrou avanço marginal de Bolsonaro e Haddad, com empate técnico no segundo turno, porém com vantagem para petista; mercados podem não reagir bem nesta quinta
Bom dia, investidor! Os resultados da pesquisa Ibope divulgados ontem à noite podem ter deixado os brasileiros confusos. A coisa está polarizada pra caramba, e justo com os candidatos de maior rejeição. A festa vista nos mercados locais nos últimos dias, com alta da bolsa, disparada das estatais e dos bancos e queda forte do dólar, pode não se repetir nesta quinta (04). Em compasso de espera, o investidor estará só pelo Datafolha hoje à noite. Ah, e também tem debate na "Globo", às 22h05.
Nos últimos dois dias, o avanço de Bolsonaro e o recuo de Haddad nas pesquisas animaram os mercados, que apostam na agenda pretensamente liberal do capitão reformado do Exército, ou simplesmente ecoam um sentimento antipetista.
Só que o Ibope de ontem voltou a mostrar um cenário embolado. Os dois líderes nas pesquisas cresceram apenas na margem de erro: Bolsonaro subiu de 31% para 32% das intenções de voto, enquanto Haddad passou de 21% para 23%. Ambos estão isolados na liderança e todos os outros candidatos permaneceram estagnados, algo como terceiras vias inviáveis.
Com apenas 38% dos votos válidos, a chance de vitória de Bolsonaro em primeiro turno parece baixa. Favorece a sua candidatura o fato de que candidatos a governador mais à direita e líderes da bancada evangélica e da "bancada da bala", no Congresso, tenham declarado seu apoio a ele, o que melhora suas chances de governabilidade.
Pesa contra o candidato do PSL o fato de que Haddad cresceu de 13% para 18% no Sudeste e o empate técnico entre os dois no segundo turno, porém com vantagem para Haddad (43% a 41%). A rejeição aos dois também caiu dentro da margem de erro. Tudo isso segundo o Ibope.
Os mercados locais viveram dois dias de festa na terça e na quarta devido aos resultados das pesquisas. Ontem, os investidores chegaram a apostar numa vitória de Bolsonaro ainda no primeiro turno, o que levou o Ibovespa a ultrapassar os 85 mil pontos e derrubou o dólar para R$ 3,82 logo no início do pregão.
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Mas ao longo do dia, dados fortes de criação de empregos e do setor de serviços nos Estados Unidos levaram os juros dos títulos americanos lá para cima, numa expectativa de que o Fed precise realizar um aperto monetário ainda maior para conter uma inflação potencialmente mais elevada com uma economia tão aquecida. No fim da tarde, Jerome Powell, o presidente do Fed, minimizou a possibilidade disso ocorrer.
Resultado: com a maior atratividade dos títulos do governo dos EUA, o dólar subiu frente a boa parte das moedas internacionais, limitando as perdas da moeda americana por aqui. O dólar fechou a R$ 3,88, queda de 1,28%, e o Ibovespa com recuo de 2,04%, aos 83.273 pontos.
Estatais mais uma vez se destacaram nas altas, notadamente Eletrobrás e BB, com a redução do medo de ingerência de um novo governo do PT. Petrobras também subiu, ajudada pelos preços do petróleo. Na outra ponta, exportadoras caíram pelo enfraquecimento do dólar, o que incluiu a Vale.
Hoje, a euforia pode não se repetir, e lá fora os mercados já parecem pessimistas em relação ao Brasil. Logo após a divulgação da pesquisa Ibope, os recibos de ações brasileiras negociadas em Nova York operavam em baixa no "after hours". O iShare MCSI Capped ETF (EWZ) caia cerca de 2%, depois de fechar o pregão regular com alta de 3,2%.
Por aqui, teremos apenas os dados de setembro da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), às 11 horas. Nos Estados Unidos, os investidores estarão atentos à possibilidade de o Fed ter que subir os juros mais rapidamente, monitorando a fala do dirigente do Fed Randal Quarles, às 10h15.
Ainda nos EUA, saem os indicadores de auxílio-desemprego às 9h30 e os dados de encomendas à indústria às 11 horas.
*Com informações do Bom Dia Mercado, de Rosa Riscala. Para ler o Bom Dia Mercado na íntegra, acesse www.bomdiamercado.com.br
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