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Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
BOLSA E DÓLAR HOJE

Após euforia da manhã, Ibovespa fecha em alta mais modesta e dólar cai para R$ 3,88

Avanço de Bolsonaro e recuo de Haddad na pesquisa Datafolha de ontem aumentou a esperança do mercado em governo mais liberal; força da economia americana impediu que dólar caísse mais

3 de outubro de 2018
10:33 - atualizado às 18:34
Bolsa brasileira teve festa com perspectiva de vitória de Bolsonaro para a presidência - Imagem: Pixabay

Depois de bater os 85 mil pontos em euforia nesta manhã, o Ibovespa fechou com alta mais modesta de 2,04%, aos 83.273 pontos. O dólar à vista chegou a recuar para R$ 3,82 pela manhã, mas fechou com queda de 1,28% a R$ 3,88.

A bolsa abriu em festa com os resultados da última pesquisa Datafolha, divulgados ontem à noite, que confirmaram o avanço de Bolsonaro e o recuo de Haddad na corrida eleitoral. A tendência já havia sido sinalizada na pesquisa Ibope de segunda, levando o Ibovespa a subir 3,78%, aos 81.593 pontos, e o dólar à vista a cair 2,47%, para R$ 3,9304, no último pregão.

O bom humor no mercado local se deve principalmente à esperança em relação a um governo potencialmente mais liberal de Jair Bolsonaro. Os investidores consideram o PT mais intervencionista e temem que sua política econômica possa aprofundar nossa crise fiscal e atrasar a recuperação econômica do país.

Divulgada ontem à noite, a pesquisa Datafolha mostrou que Bolsonaro subiu de 28% para 32% nas intenções de voto, enquanto Haddad estabilizou em 21%. Além disso, a rejeição ao petista subiu de 32% para 41%, enquanto a do capitão reformado do Exército caiu de 46% para 45%. Bolsonaro cresceu mais entre as mulheres. E numa simulação de segundo turno, já ganha de Haddad por 44% a 42%.

Já se fala em vitória de Bolsonaro no primeiro turno, o que ainda é difícil. Mas se o eleitorado feminino continuar aderindo à sua candidatura, pode acontecer. Hoje à noite, investidores estarão de olho na divulgação de nova edição da pesquisa Ibope.

Os juros futuros fecharam em baixa: o DI para janeiro de 2021 caiu para 9,34%; já o DI para janeiro de 2023 recuou para 10,73%.

Cenário externo deu uma mãozinha para a bolsa...

A alta do Ibovespa foi ajudada pelo cenário exterior. As bolsas europeias fecharam em alta nesta quarta-feira, após encerrarem no vermelho no último pregão. O temor dos investidores arrefeceu depois que a Itália, em crise fiscal, sinalizou que passaria a reduzir o déficit gradualmente ao longo dos anos.

O país continua a projetar um déficit de 2,4% do PIB em 2019, mas, sob pressão da União Europeia, teria decidido reduzir o rombo, passando para 2,2% do PIB em 2020 e 2,0% do PIB em 2021.

Nos Estados Unidos, os dados de atividade econômica divulgados nesta quarta foram melhores que o esperado. A consultoria ADP informou que houve a criação de 230 mil vagas de emprego em setembro no setor privado, bem acima da previsão dos analistas de geração de 185 mil vagas. O índice de atividade no setor de serviços (PMI) divulgado pelo instituto ISM subiu para 61,6 em setembro, na contramão das projeções de recuo dos analistas.

O Dow Jones fechou em alta de 0,22%, aos 26.831 pontos; o S&P 500 encerrou com valorização de 0,07%, aos 2.925 pontos; e a Nasdaq fechou com ganho de 0,32%, aos 8.025 pontos.

...mas impediu o dólar de cair mais

Por outro lado, a força da economia dos EUA - junto com a alta dos preços do petróleo - levaram a uma disparada nos juros dos títulos do Tesouro americano. A taxa do papel de 10 anos, referência mundial em termos de custo de dinheiro, subiu para a linha de 3,16% nesta quarta-feira, patamar que não era registrado desde meados de 2011.

Essa alta se deve à expectativa de aumento da pressão inflacionária devido ao aquecimento da economia, o que pode exigir aperto monetário mais firme pelo Fed, o Banco Central americano.

Quando os juros dos títulos do governo dos Estados Unidos sobem, eles se tornam mais atrativos para os investidores, elevando a cotação do dólar. Nesta quarta, a moeda americana teve alta globalmente, o que provavelmente contribuiu para não haver uma valorização mais forte do real.

Estatais continuaram em alta

A redução das chances do PT se refletiu no avanço das ações das estatais, dando continuidade ao movimento de ontem. A maior alta do dia ficou por conta das ações do Banco do Brasil (BBAS3), que fecharam com valorização de 9,07%. Eletrobrás também registrou uma das maiores valorizações, encerrando o pregão com alta de 8,64% (ELET6) e 6,53% (ELET3). Petrobras fechou em alta de 4,25% (PETR4) e 2,60% (PETR3), beneficiada também pela elevação dos preços do petróleo.

As ações da Gol (GOLL4) viram alta de 6,61% com a queda do dólar, o que reduz sua dívida e seus custos dolarizados.

As maiores perdas hoje ficaram por conta de companhias exportadoras, cujas receitas em dólar são impactadas negativamente pelo recuo da moeda americana: -4,46% para a Suzano (SUZB3); -3,07% para as units da Klabin (KLBN11); -2,73% para a Bradespar (BRAP4), que detém principalmente ações da Vale; e -2,04% para a Vale (VALE3).

A empresa de meio de pagamentos Cielo (CIEL3) também teve uma das maiores baixas do dia, fechando em queda de 4,06%. A desvalorização seria um reflexo do pedido de registro de IPO (oferta pública inicial de ações) da sua concorrente Stone na Nasdaq no último dia 1º, a fim de captar recursos para se expandir no Brasil.

*Com Estadão Conteúdo

 

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