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2018-10-29T18:20:02-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Mercados

‘Canelada’ sobre papel do BC azeda festa de Bolsonaro no mercado

Declarações desencontradas sobre meta para câmbio e juros reforçam necessidade de Paulo Guedes assumir articulação dos temas relacionados à agenda econômica

29 de outubro de 2018
15:29 - atualizado às 18:20
Onyx Lorenzoni, ministro-chefe da Casa Civil no governo Bolsonaro
Onyx Lorenzoni, futuro ministro de Bolsonaro, fala sobre papel do BC - Imagem: Roberto Jayme/Estadão Conteúdo

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, e sua equipe ainda não entenderam que a campanha acabou e que suas falas, agora, são descontadas a “valor de face”. Não há mais espaço para complacência com eventuais “caneladas”.

Boa parte da virada de humor nos mercados nesta segunda-feira está relacionada com declarações desencontradas do deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), à agência “Reuters”, envolvendo uma possível definição de metas de inflação e de juros para o Banco Central (BC). Lorenzoni também teria falado em dar maior previsibilidade à taxa de câmbio.

O Banco Central opera com uma meta, inflação, e com um instrumento, a taxa de juros. Sugerir que o BC passaria a ter meta de juros ou algo parecido ou mesmo que buscaria um câmbio mais previsível, passa longe da agenda liberal defendida pela candidatura ao longo da campanha.

Existem algumas regras não escritas, mas que quando seguidas facilitam a comunicação do governo com o mercado e com a sociedade. Uma delas é que ministros da área política evitem ao máximo tratar de assuntos fora de sua alçada, como atribuições do Banco Central, por exemplo.

Mesmo como “coordenador de tudo”, seria prudente que Lorenzoni buscasse alinhar posições com Paulo Guedes. Mas o ideal mesmo seria o próprio Guedes assumir toda a articulação e comunicação de assuntos da agenda econômica.

Antes disso, no sábado, o próprio Bolsonaro, em entrevista ao “Poder 360”, disse que o BC teria liberdade para decidir, mas dentro de certos parâmetros, e que teriam de ser estabelecidas metas para dólar e inflação.

Depois de um período de silêncio, Guedes voltou a falar sobre economia, ontem, mas apenas reiterou diretrizes que são bem conhecidas, como o controle de gastos públicos, privatizações buscando redução do déficit primário, e uma simplificação e redução de impostos.

O que se busca, agora, são indicações mais claras de como esse desenho econômico será colocado em marcha e com qual equipe.

Não seria justo colocar na conta do deputado toda a virada de humor de mercado, alguma correção nos preços depois dos ganhos na semana passada era esperada e o quadro externo continua inspirando cuidado.

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