Menu
2019-06-13T22:25:52+00:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Timing

Questão agora é quando teremos as votações da reforma da Previdência

Humor de mercado deve responder à possibilidade de a reforma ser votada antes ou depois do recesso do Congresso

14 de junho de 2019
5:25 - atualizado às 22:25
Plenário Câmara Maia
Ordem do dia na Câmara dos Deputados para discussão e votação de projetos - Imagem: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Relatório da reforma da Previdência apresentado. Garantida a meta de mais de R$ 1 trilhão de economia. Resultado tido como positivo ou até mesmo acima do esperado. Agora, a ansiedade é outra: quando o relatório será votado na comissão especial e no plenário da Câmara dos Deputados?

Temos um ponto central e algumas respostas ou possibilidades que devem determinar maior ou menor otimismo do mercado, que está em uma fase muito boa, diga-se de passagem.

No melhor cenário, o texto final será aprovado pela Câmara antes do recesso parlamentar de meados de julho. No cenário menos agradável, o texto só começa a ser debatido em plenário em agosto. Terceira possibilidade é de o texto não passar nem pela comissão especial antes do fim do semestre legislativo. Quarta, mas pouco provável, é de não termos recesso na Câmara.

Além dessa questão do timing, os motivos de eventuais atrasos podem ser mais ou menos tolerados pelos formadores de preço. Se for por questões regimentais, o humor não azeda tanto. Se for por falta de entendimento com relação aos 308 votos necessários, a situação pode ser outra.

Junto dessas discussões sobre o timing também veremos as articulações sobre a desidratação do relatório proposto. O texto é apresentado com R$ 913 bilhões de “reforma” e mais R$ 217 bilhões de uma alteração no funding do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) via PIS/Pasep. Também tem outros R$ 50 bilhões de tributação maior sobre os bancos.

Ninguém acredita que a reforma passe sem perder uma parte desse trilhão. Fica aberta uma temporada de chutes e aproximações. Em algum momento chega-se a um consenso do “mínimo aceitável” ou nem isso.

Por ora...

Por ora, quem entende do riscado político aqui em Brasília avalia que o texto passa pela comissão, mas não pelo plenário da Câmara até o começo do recesso de julho.

Os motivos recaem mais sobre questões práticas. O debate da matéria começa dia 18 na comissão, mas temos feriado logo no dia 20. Na semana que segue, embora o presidente do colegiado, deputado Marcelo Ramos (PR-AM), tenha falado em fazer três sessões, temos as tradicionais festas juninas, que esvaziam o Congresso.

Além disso, pelo acordo feito com a oposição, todos os parlamentares que se inscreverem poderão falar. A última contagem que vi, tinha 130 deputados, que podem falar entre 10 e 15 minutos. Achou muito? Em tese todos os 513 podem se inscrever.

O acordo é o seguinte: a oposição não obstrui a votação (lembram da CCJ?) e o governo não pede encerramento de discussão (o que acelera a votação). Vamos ver quantos dias isso dura.

Mesmo que passe na comissão, na última semana de junho, o tempo de debates em plenário é outra questão. Amigo da política lembrou que quando Lula fez sua reforma, as discussões se arrastaram por duas semanas e meia no plenário, mesmo com toda base e "articulação" da época.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

E na política?

Ponto relevante no lado político foi a fala do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, na quarta-feira, ao lado de líderes de partidos de centro: “o texto é uma construção da Câmara, do que nós, líderes partidários, construímos ao longo dos últimos meses”.

Maia chamou a articulação e a responsabilidade para si e convocou dos deputados e deputadas a obterem os 308 votos necessários. A declaração dele deixa o governo de fora da articulação política. Aliás, Maia fez apenas uma ressalva a Paulo Guedes, “um dos poucos ministros do governo que dialoga com o Parlamento, que ouve e tenta colaborar nesse diálogo”.

Acontece que o presidente da Câmara tem um hedge (proteção) caso as coisas deem errado. Ele pode garantir os 25 votos da comissão e falar que o plenário, dependendo da contagem extraoficial de votos, não é problema dele ou só dele.

Para encerrar, ao comentar com um amigo com larga experiência no mercado essa questão dos prazos e afins, ele me falou o seguinte: “pequenos probleminhas podem passar despercebidos”.

O mercado já “comprou” a ideia de que uma reforma vai passar, não importa muito quando, nem de quanto, desde que não seja algo decepcionante.

A ideia no mercado parece ser de que teremos algum tipo de governabilidade de uma forma ou de outra. Cenário que teria se cristalizado depois do pacto entre os Poderes, que aliás, está com sua assinatura atrasada. É a Política, estúpido.

Comentários
Leia também
CUIDADO COM OS ATRAVESSADORES

Onde está o seu iate?

Está na hora de tirar os intermediários do processo de investimento para deixar o dinheiro com os investidores

Nada de aumento

“Há zero possibilidade de aumentar a carga de impostos”, diz Waldery

Waldery explicou que a meta de déficit primário de 2019 está mantida em R$ 139 bilhões, mas lembrou que o saldo negativo deve ficar abaixo dos R$ 80 bilhões

Contas públicas

Governo central deve fechar 2019 com déficit abaixo de R$ 80 bi, diz Guedes

Guedes voltou a dizer que o sucesso do leilão da cessão onerosa também ajudou a fazer um resultado fiscal melhor, além de permitir um maior repasse de recursos para Estados e municípios. “O ano de 2019 foi interessante, porque conseguimos muita colaboração com Congresso nas reformas econômicas. Também houve muita colaboração do Judiciário”, completou

Novidades na cervejaria

Ambev anuncia Jean Jereissati como presidente da companhia em 2020

A partir de 1º janeiro de 2020, Jereissati Neto acumulará as funções de diretor-presidente e diretor de vendas e de marketing

SEU DINHEIRO NA SUA NOITE

Game over? A vida com o dólar acima de R$ 4,20

A primeira vez que o dólar atingiu o patamar de R$ 4,20 foi em setembro de 2015. Eu me lembro de receber a notícia de uma forma bem inusitada, no meio da plateia de um evento voltado a grandes investidores. Enquanto o palestrante da vez tentava injetar alguma esperança sobre as perspectivas da economia brasileira em […]

Olho nos números

BMG não agrada mercado em primeiro balanço após IPO e ações caem

Apesar da queda acentuada dos papéis, ao comentar o balanço do BMG, os analistas do BTG Eduardo Rosman e Thomas Peredo se mostraram mais tranquilos com o resultado e destacaram que os números vieram dentro do esperado pela maioria dos investidores com quem conversaram

Gestoras

JGP segue comprada em bolsa enquanto acompanha guerra de narrativas

Gestora discute tese de que a manufatura e o comércio global estão próximos ao fundo do poço e prestes a se recuperar

Mudança de coleção

Dona da Le Lis Blanc e Dudalina, a Restoque tenta pôr ordem na casa. O mercado está cético

Em meio a um processo de mudança de estratégia, a Restoque reportou mais um conjunto de resultados trimestrais desanimadores, o que fez suas ações chegarem às mínimas em mais de três anos

Mudanças à vista

Desoneração da cesta básica vai acabar, diz Tostes Neto

Para compensar o gasto com tributo, o governo deve devolver dinheiro aos mais pobres como adicional aos programas sociais

Briga de gigantes

Softbank planeja criar rival japonesa para competir com gigantes como Google e Amazon

O grupo anunciou acordo para a fusão de uma de suas subsidiárias conhecida como Yahoo Japan com a empresa Line Corp. Com isso, as duas companhias podem criar mais um “super app”

olho na reforma tributária

Governo confirma que quer tributar dividendos

Plano faz parte do projeto de reduzir imposto de empresas e elevar sobre as Pessoas Físicas; deve entrar em fases posteriores da reforma tributária

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements